sábado, 9 de julho de 2016

Pré Conceito - Por Telma Jábali Barretto


Para quem, como nós, por circunstâncias de responsabilidade e trabalho, convivendo com muita gente, muito falando, descrevendo e escrevendo, costuma ser hábito o cuidado com as palavras, assim como posicionamento que tenta ter, diante das mais diversas pessoas que contatamos, alguma neutralidade, receptividade, tornando-se um lindo exercício, sempre de aprendizado, que enriquece nossa passagem pela vida.


Vem daí alguma sensibilidade para lidar de perto, com esse assunto delicado, agora tão evidenciado e de real importância sobre preconceitos, que entendemos ser, principalmente, mais que provocadores de posicionamentos, provocadores de mudanças ! 
Bem mais que isso, talvez sendo o melhor uso desse momento, o de adquirir um amplo olhar sobre tais questões, para uma busca de perceber também naqueles que buscando defender, aquilo que pessoalmente incomoda, de verdade, possamos mais que abrir cabeças, de fato e especialmente, abrir corações. Quem sabe até, uma nova pré disposição diante de qualquer pessoa, onde, em cada contato, uma aventura de desvendar o outro, como quem abre um livro sem saber qual desfecho ali contém. Disponíveis, atentos, andando por labirintos convidativos, enredos que encantem e decepcionem, mas tratando como jogo da vida, natural... Assim é consigo...nem tudo em nós também é só bonito ou só feio. Somos sombra e luz !!!


Ter posicionamentos, como acabamos de dizer, num mundo e circunstância atual, em que se pode ter voz diante de qualquer acontecimento, o que nem de longe, por si só, provoca as transformações necessárias no convívio interpessoal. Proporcionar uma mais amorosa, respeitosa e empática convivência com as diferenças, isso sim, desafia ! Talvez, essa convivência, por agora, muito distante, e, quem sabe, só mesmo uma conscientização do quanto somos carregados de separatividade, enganos, vitimices e mandonices...?!... 
No fundo, bem mais no fundo mesmo dessa questão está uma mais fraterna, frater terne forma de ver, sentir e permitir ao outro, existir além da minha sagrada permissão, que mais confortável fica assim, não cobrando e não rompendo com um ego centrismo primitivo, passional, arraigado de quem ganha ou perde posição, razão ou definição da verdade absoluta. Só um total e incondicional AMOR nos isenta de todo tipo de preconceito...e, para isso, estamos e vivemos numa infinita escada de Jacó... E esse tem sido o caminho que trilhamos ! 
Muito do que atualmente assistimos é, para defender aquele separativismo que ‘me’ incomoda, enfrenta-se, também, o outro, mostrando, revelando mais uma vez ‘meus’ pré conceitos, diante da dificuldade, limitação ou diferente percepção, nem maior e nem menor, melhor ou pior, daquele que de ‘mim’ diverge e, portanto, ameaça zona de conforto... Assim, cenas e falas bastante agressivas, são muito abundantes, até porque, colocamos hoje nossa atenção nesses posicionamentos, acesso a informação rápida e temos olhos para tantos fatos anteriormente despercebidos (certamente sempre existiram, só não éramos noticiados, importavam ou até, despertavam?!...) e, agora, num empenho aceito e estimulado de quebrar, enfrentar e fazer que o outro aceite ‘goela abaixo’, aquilo que por ‘seus’ próprios, também, motivos e razões, justificáveis ou não, tenha lá suas posições opostas às ‘minhas’, muitas vezes, vemos trazer só outra forma de violência, pura e simplesmente, perpetuando agressividade, desrespeito e o mesmo jogo do ganha/perde, de quem por qualquer espécie de força, submete o outro.
Fica aqui uma pergunta que não quer e insiste em não calar: quem não passou por alguma forma de discriminação ? Por ser magro/gordo, tímido, preto ou branquelo, estudioso com o leia-se 'nerd', por ser pobre ou mesmo rico ?!...Lerdo, feio, ou mesmo bonito, ‘natureba’, por ser simplesmente homem ou mulher e isso não é para vc (profissão, gosto, habilidade...)?!...?!... Quem já não conheceu, pelos mais incomuns e bizarros motivos, inseguranças e desconfortos em algum conviver ?


Como diz o poeta, “de perto ninguém é normal”. E, quem arbitra e delibera o que seja normal ? A quem atribuímos tal poder de normatizar e decretar as regras que devam nortear posturas, recompensas/punições ? O que elegemos internamente, livremente, por consciência, é o deveria nos guiar... mas, vivendo em comunidade, comum unidade...Assim vivemos? Não!!! Nem mesmo dentro de nós ! E, em meio a tanta diversidade, que se faz premissa perceber, aceitar e respeitar, talvez regras bem antigas e básicas como ‘não faça ao outro o que não quer para si” possa ser um mínimo de amor, em que a medida para si, auto-percepção de dor e satisfação, devessem ser medida para balizarmos atitudes ! 
E...concluindo esse raciocínio, como viver nesse mundo tão diverso, tão rápido, tão múltiplo sem conhecer a si mesmo, para que uma medida mínima de conforto consigo, possa produzir trocas e relacionamentos saudáveis ? Impossível respeitar, amar o outro se não o fazemos conosco...nesse caso, inconsequentemente, não conhecendo o inimigo que dorme conosco, encontraremos e tentaremos vencê-lo fora de nós, e a resposta...?!...que cada tenha aí as suas ! 
Nossa percepção é que nunca foi tão fundamental conhecer a si mesmo... As liberdades crescem com a maturidade pessoal e social, e é preciso que cada qual saiba o que fazer da sua, para não mais precisar se abrigar em tribos, famílias, sobrenomes, títulos e nomeações, formações, religiões, partidos ...e, finalmente, nos respeitemos e amemos como cidadãos do mundo, Seres, vestindo e representantes únicos, de maneira própria e intransferível, a reveladora assinatura do divino em nós !


Telma Jábali Barretto é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Engenheira civil, é também uma experiente astróloga; consultora para harmonização de ambientes e instrutora de Suddha Raja Yoga.

A questão do preconceito ou como ela sabiamente descreveu separando sílabas, trata-se de um "pré" conceito. Portanto, antes de formularmos conceitos sobre tudo e sobre todos, faz-se mister nos autoconhecermos antes e feito isso, fica impossível elaborá-los, acredito.

6 comentários:

  1. Querida Telma,
    Todos seus textos são ótimos, muito bem escritos e contendo reflexões necessárias, mas nesse VOCÊ SE SUPEROU!
    Excelente! Gde ABS Mari

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  2. Gratidão por sua leitura e comentário!
    Quem de nós nunca se sentiu discriminado?!...E fica sempre um falso conceito de que ela só alcança esse ou aquele tipo de grupo?!...?! Falta de amplitude de visão e faz girarmos em círculos naqueles tipos de 'bolha' que mais direcionam e aumentam e alimentam enganos! Por isso autoconhecimento e discernimento são cada vez mais necessários...para que pensemos por nós e 'fora da caixa'!
    Abraço grande aí e na mas tê!

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  3. Ótimo e reflexivo texto, já sofri bullying na minha infância/ adolescência...mas eu sempre enfrentei, nunca me fiz de vitima ou baixei a cabeça, acho que nunca se deve demonstrar fraqueza ao inimigo...mas com certeza, fica marcado na alma de quem sofreu.

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  4. Nosso olhar é que exatamente por sermos únicos, cada qual tem lá suas próprias qualidades e defeitos...?!...A depender de com quem e como convivemos, diferenças podem provocar,destacar, levar a questionamentos ora trazendo elogios, ora críticas. Daí que autoconhecimento e uma boa auto-estima são sempre bem-vindos para bem viver em comunidade,mas... quase sempre é preciso uma dose de maturidade! Vamos aprendendo e crescendo como pessoas e sociedade...bom para todos será!
    Muito grata por seu comentário!

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