domingo, 24 de janeiro de 2016

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 164 - Por Luiz Domingues

 

Foto promocional do Pedra em 2006  Foto : Grace Lagôa

Passou fevereiro e março de 2011, com as inevitáveis consultas de muitas pessoas pelas redes sociais, querendo saber se era verdade se a banda havia encerrado as suas atividades, lamentos etc. 

Mas havia um último compromisso a ser cumprido, e pela carga emocional nele envolta, era quase impossível recusá-lo, mesmo tendo em vista que a banda estava acabada...

Seria uma apresentação curta, caracterizando um show de choque numa casa noturna chamada "Melograno Bar", um estabelecimento bem montado, ao menos na sua parte social (bem entendido, a parte estrutural para apresentações musicais era muito limitada), no bairro da Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, onde o meu amigo e ex-companheiro de Boca do Céu e Língua de Trapo, Laert Sarrumor, era o curador de um projeto chamado "Harmonizasom", fazendo a programação semanal, priorizando a inclusão de artistas da MPB, alguns famosos e a maioria, emergentes, além de fazer shows regulares de um combo do Língua de Trapo alternativo e pocket, chamado "Os Três do Língua", com ele; Serginho Gama e Caca Lima se apresentando de forma acústica e intimista interpretando músicas do Língua de Trapo.

Nesse contexto, Laert convidara o Pedra ainda em 2010, e haviam dois componentes emocionais nesse convite : Primeiro, o fato de que ele tinha grande apreço pelo trabalho da nossa banda e posso dizer que de todas as bandas por onde passei, fora as que trabalhamos juntos, o Pedra foi a que ele mais curtiu e incentivou abertamente, dando muita força, sempre que foi possível.  
Zé Geraldo (1ª foto); e Lobão, (2ª foto), dois artistas entre tantos, que o Laert agendou para esse projeto 

O segundo elemento, foi que por conta de uma namorada que o Rodrigo tinha nessa época, e que era / é muito amiga do Laert e também sua esposa, Marcinha; além dos outros componentes do Língua de Trapo, chamada Luciana Pandolfe, Laert se tornara muito amigo dele, Rodrigo, também.

Laert Sarrumor & Serginho Gama, meus ex-colegas do Língua de Trapo

Diante dessa carga emocional criada por uma teia de amigos em comum, era impossível recusar o convite e assim, quando a data foi confirmada, Rodrigo me contatou, assim como os demais, e eu confirmei presença.

A ideia era fazer um set de choque e acústico, nos moldes do que fizemos em fevereiro no programa "Em Cartaz", sem nenhuma complicação maior e sem a necessidade de realizar ensaios prévios.
                     Foto : Sandra Lozano

Entretanto, ficamos sabendo que o Xando alegou que não tinha interesse em participar. Dessa forma, eu; Ivan e Rodrigo fizemos um melancólico show de choque, acústico e esvaziado sem a presença do Xando, como última apresentação da banda, e portanto, curiosamente sem a presença de seu membro fundador e aglutinador primordial...

Sobre a apresentação em si, foi digna, apesar da sonoridade ultra soft, com um violão; baixo e o Ivan fazendo percussão com um limitado "cajon". 
Uma mescla de antiga e nova formação do Língua de Trapo...
Da esquerda para a direita : Paulo Zaidan (no meu tempo, conhecido como Paulo Elias); Eu, Luiz Domingues; Serginho Gama; Laert Sarrumor; Cacá Lima e Marcos Martins. Foto : Sandra Lozano

A parte boa foi a confraternização total com os amigos do Língua de Trapo, alguns dos quais eu não via há muito tempo.
Os três do Língua ( na verdade, 4, com o percussionista Marcos Martins, junto) + Os três do Pedra + Cracker Blues !! Foto : Sandra Lozada

Conversei longamente com o Laert, coisa que não fazia há anos e ele não sabia que o Pedra havia anunciado final de atividades. Ficou bastante chateado, pois reafirmou o seu apreço pelo nosso trabalho.

Por coincidência, a noitada seria tripla e a terceira atração, além dos "Três do Língua e os "Três do Pedra", foi o Cracker Blues, uma banda amiga do Pedra, e cujo baixista Paulo Krüeger, era também velho conhecido do Laert e meu, portanto, tudo ali se caracterizou como uma ação entre amigos...

O show do Língua, versão "pocket", foi ótimo, com várias músicas tradicionais do repertório dessa banda, além de uma espetacular apresentação de Serginho e Cacá como duo, interpretando vários clássicos do Rock setentista, em arranjos muito bem elaborados para violões. Foi surpreendente e muito agradável ouvir Focus; Yes e Deep Purple, entre outros nomes, em arranjos ousados e muito bem tocados, os quais curti muito, certamente.

O Cracker Blues também fez sua apresentação no formato pocket e no espaço do Melograno, era realmente inviável pensar numa apresentação elétrica tradicional. Mas foi bem legal também nesse formato, soando mais "Blues Roots" do que o show tradicional deles, com eletricidade e sabor de Southern Rock.
Laert Sarrumor apresentando o Pedra nessa noite. Foto : Sandra Lozano

Sobre a nossa apresentação, já disse, foi digna, arrancando aplausos. Com o Rodrigo pilotando o violão e cantando, mesmo sozinho, nunca existe a possibilidade de uma apresentação ser ruim, mesmo quando o faz sozinho, na base do violão e voz pelos bares da noite. E mesmo limitado por um instrumento arcaico, o Ivan também tem mão e criatividade para dar um sabor a mais num "cajon".
                                  Fotos : Sandra Lozano

Acho que o correto teria sido o Xando participar, mas não dava para forçar, visto que ele se mostrou desmotivado a atuar. Respeitei isso, mas lamentei, obviamente, pois não custava ter fechado a história da banda com o quarteto em ação.
"Só", apresentada ao vivo no último show do Pedra, em 2011, no Bar Melograno.

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=aC34IbKU_pE

E assim foi a última apresentação do Pedra, na noite de 25 de abril de 2010, com cerca de 50 pessoas presentes no Melograno Bar.
 
                                  Foto : Sandro Lozada

Nessa altura, eu já estava recebendo propostas de trabalho e iniciado uma nova etapa paralela da minha vida, ao ter aceito o convite de um blog para escrever matérias para ele, tornando-me seu colunista fixo.
Com o amigo Paulo "Elias" Zaidan, companheiro de Língua de Trapo na minha segunda passagem por essa banda, entre 1983 e 1984. Foto : Sandra Lozada

Portanto, neste ponto, preciso fazer uma explicação ao leitor da minha autobio :

Encerrada a minha história com o Pedra, neste capítulo, falando sobre a última atividade oficial da banda, seguindo o padrão que estabeleci nos capítulos falando de outras bandas onde atuei, eu deveria escrever agora uma análise final sobre o trabalho, seguida de uma longa ficha de agradecimentos aos companheiros dessa jornada em específico, e das pessoas que gravitaram em sua órbita.

Mas o Pedra teve uma sobrevida...e fugindo ao padrão de outras bandas onde atuei, a banda voltou às atividades em 2012, gerando mais uma etapa a ser descrita.

Contudo, assim que o Pedra encerrou sua primeira fase em 2011, a minha vida seguiu com outras possibilidades, e ainda nesse mesmo ano, poucos meses depois, eu estaria em duas outras bandas, gerando novas histórias e capítulos específicos.

                                   Foto : Sandra Lozada

Portanto, para o leitor não se perder, ofereço duas hipóteses para seguir a leitura, visto que logo após o fim do Pedra eu iniciei novas etapas na minha carreira e quando o Pedra voltou às atividades, desta feita mantive os trabalhos novos, portanto, a volta do Pedra transcorreu em paralelo com a história de Kim Kehl & Os Kurandeiros; Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada e Magnólia Blues Band, fora as minhas atividades literárias.

Então, daqui em diante, o leitor pode optar em continuar lendo deste ponto em específico, direto para a história da minha entrada nos Kurandeiros em agosto de 2011, mas considerando que existe nesse capítulo um longo preâmbulo, descrevendo o período de hiato entre o fim do Pedra e a entrada nessa banda, onde descrevo os convites que recebi para outros trabalhos e o início de minha atividade como escritor, blogueiro e colaborador/colunista de Blogs e revistas impressas. E a outra opção é continuar lendo normalmente os capítulos que descrevem a volta do Pedra em 2012, seguindo esta história em específico.

Seja qual for a sua escolha, amigo leitor, estou honrado com sua atenção e participação.

Para efeito didático / cronológico, aqui se encerra a história da minha participação na primeira fase do Pedra.

Pedra, ao vivo no Via Funchal de São Paulo, em 2006. Foto : Grace Lagôa   

Continua...

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