sábado, 30 de janeiro de 2016

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 181 - Por Luiz Domingues

Como já disse anteriormente, eu sou péssimo em relações públicas. Não é por preguiça ou por maldade, mas não esperem de mim ações de empreendedorismo nesse campo das relações sociais e negócios. 

Dessa forma, fora da contribuição musical / artística, no extra arte, minha contribuição para o Pedra poderia ter se dado na parte de redação, onde tenho facilidade e no esforço de divulgação, onde apesar de não enxergarem isso devidamente, desde que comecei a lidar com a internet, havia feito muita coisa para ajudar a popularizar a banda.  
O simpático Espaço Cultural Gambalaia, de Santo André nos proporcionou esse show em 29 de agosto de 2014. Foto : Grace Lagôa

Mesmo sendo inapto para tal vocação, eu acabei agendando um show para a banda, mas naquelas condições simples, portanto fora dos padrões que que a banda preconizava ser o seu padrão ideal de apresentação.  
                                      Fotos : Grace Lagôa

Relutando para aceitar, finalmente meus companheiros fecharam com a ideia de tocar por bilheteria num pequenino, mas bastante ajeitado espaço em Santo André, no ABC paulista, chamado "Gambalaia".

Eu o conhecera através de show que ali fizera com Os Kurandeiros e achei que seria um dos poucos lugares onde os Kurandeiros tocavam que o Pedra poderia tocar também, exatamente pelo velho paradigma autogerado na psiquê dessa banda sobre inadequações x modus operandi de banda grande, mas sem dinheiro para bancar seu staff & equipamento exagerado.
                                    Fotos : Grace Lagôa

Mesmo assim, como já disse, os colegas relutaram e até me darem seu sinal verde para eu fechar a data com o responsável pelo espaço, o simpático Alex, houve um trâmite de convencimento.

Bem, avisei-os bem sobre a simplicidade do local; seu pequeno P.A. precisando de reforços; a necessidade de tocar baixo e a completa impossibilidade de se levar um backline gigantesco, pois além de tudo, a escada que dava acesso ao auditório era íngreme e carregar coisas pesadas ali era um martírio, além de perigoso.  
                                  Fotos : Grace Lagôa

Fizemos a melhor divulgação possível e no dia do show fomos em comboio ainda no período da tarde, para fugir do trânsito entre São Paulo e as cidades do ABC.

Chegando ao local, a casa já estava aberta e o solícito Alex nos recebeu bem. Para meu contentamento, o pessoal do Pedra curtiu muito o espaço e de fato, ele era / é muito bonitinho e todas as vezes que ali toquei com os Kurandeiros, curti muito.  
                                     Fotos : Grace Lagôa

Com boa vontade, arrumamos o palco e o Rodrigo trouxe um reforço de P.A. e o Xando levou microfones para garantir pelo menos as vozes dos quatro e quiçá dois microfones na bateria.

Passamos o show em regime de autosoundcheck, pois a casa não tinha técnico e o Alex não sabia nos atender nesse aspecto. A iluminação era bem simples, e usada de modo contínuo, tornava qualquer show ali, intimista.  
                                   Fotos : Grace Lagôa

Com tempo hábil, deu para relaxar por ali mesmo e quando o público começou a chegar, estávamos com tudo pronto.

Foi um show muito bom, e acredito que melhor ainda que o do CCSP que fizéramos dias antes. O público reagiu de forma extraordinária, curtindo muito e até com direito à uma manifestação da parte de um rapaz que até então eu só conhecia virtualmente proveniente de amizade virtual em Rede Social, que numa pausa entre músicas, fez um inflamado discurso espontâneo e emocionante para nós, até.
"Meu Mundo é Seu" no Gambalaia em 29 de agosto de 2014, em filmagem da minha amiga Jani Santana Morales

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=iYvdFzX-2VQ


Lembro-me que tal manifestação mexeu com o Xando que estava taciturno há meses por conta de insatisfações pessoais em relação aos fatos da banda e principalmente às supostas atitudes negativas que enxergava nos demais, mas nesse dia ele amoleceu o coração que estava endurecido e emocionou-se.  
                                    Fotos : Grace Lagôa

Bem, o que o rapaz falou era uma grande verdade...o nosso trabalho era muito bom (perdão pela falta de modéstia, por favor), e merecíamos ter muito maior reconhecimento.

Apesar de um público bem pequeno, abaixo até da minúscula capacidade daquele simpático espaço cultural, creio que esse show foi ótimo, artisticamente falando, mas sob o ponto de vista monetário, um desastre, pois a féria da noite cobriu despesas, apenas.
                            Fotos : Jani Santana Morales

Dia 29 de agosto de 2014, no Gambalaia de Santo André, com 25 pessoas entusiasmadas pela arte do Pedra. O que não imaginávamos, mas era de certa forma presumível, é que este seria o nosso último show . É bem verdade que houve uma apresentação ao vivo em novembro no estúdio da emissora Brasil 2000 FM e com um contingente de público assistindo e pode até ser considerado um "show", mas o Gambalaia, foi de fato, o derradeiro.  
                                 Foto : Grace Lagôa

Sinto muito, não sou nada hábil em negociações; sou péssimo em relações públicas, e esse show foi o melhor que pude prover como "agente" da banda.

E tanto o Pedra era difícil de se livrar de sua mentalidade de não abrir-se mais para a simplicidade, que no início de 2015, ofereci aos companheiros uma nova data no Gambalaia, falei com o Alex e reservei uma data, mas a relutância foi tamanha que tive de cobrar definição e todos vetaram uma volta àquele espaço.

Sempre 3 x 1...e eu me cansando de sofrer derrotas...
                                    Foto : Grace Lagôa
Continua...

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