segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 166 - Por Luiz Domingues


Quando a foto tirada no dia da reunião, foi publicada na rede social Facebook, suscitou muitas especulações.

O Xando, sempre adotou postura mercadológica de fazer promessas públicas em público em nome da banda, mas desta vez eu lhe pedi para não se precipitar, não escrevendo nada. Apenas a postou, dizendo de forma fortuita que nos encontráramos naquele dia para tomar um café, numa reunião de ex-colegas, meramente fraternal. Menos mal dessa forma, sem falar em "volta", "disco sendo retomado" ou qualquer outra coisa.

Todavia, como já disse, a especulação foi grande, e muitos comentários postados deram conta da criação de uma boataria. Pelo inbox, muita gente me procurou perguntando, inclusive jornalistas, mas eu não confirmei nada, apenas disse que talvez houvesse uma possibilidade, mas aquela reunião fora motivada para um café e bate papo entre ex-colegas de uma banda extinta.

                                Foto : Sandra Lozada -2011

Outro aspecto, ainda falando da reunião, tive que deixar bem claro que aceitava fazer parte desse projeto, mas que não sairia de forma alguma das demais bandas onde estava tocando.

Não havia nenhum cabimento deixar os Kurandeiros, e o Nudes, supostamente pelo fato do Pedra estar voltando à cena, e nessa altura do campeonato, com quase 52 anos de idade e quase 36 de carreira, minha concepção romântica de fidelidade à uma só banda, fator que carreguei a vida toda com rigidez ferrenha, já não existia mais. Adaptado à realidade moderna e graças aos próprios Kurandeiros que se desdobravam no Nudes, também, praticamente, eu já não raciocinava nesse parâmetro ético antigo, nessa altura.
                              Foto : Grace Lagôa - 2008

Feitas tais considerações, os primeiros passos dessa volta das atividades do Pedra formam marcados pela análise do material que tínhamos a ser resgatado para a possível finalização do disco interrompido.

E nesse caso, o Xando sinalizou que poderia aproveitar músicas que havia composto e gravado durante o hiato pós fim do Pedra/2011. 

De fato, ele havia criado um combo chamado "Mulad Trem", com a presença do Ivan Scartezini; além de Marcião Gonçalves no baixo e o extraordinário, Diogo Oliveira na guitarra, além de dois músicos que eu também conhecia e havia interagido nos tempos iniciais de minha entrada nos Kurandeiros : a cantora Renata "Tata" Martinelli, e o saxofonista, André Knobl. Ambos músicos super talentosos, interagi muito com os dois em vários shows dos Kurandeiros entre 2011, e o início de 2012.

"I Was a Telling Lie", de James Taylor, na interpretação do Mulad Trem. Ensaio gravado no estúdio Overdrive em 2012

Tal banda gravou algumas músicas e chegou a lançar um material bacana para a internet, filmado ao vivo e com ótima qualidade de áudio e imagem, mesclando com algumas releituras, inclusive de música internacional. Pelo que vi, parecia que queriam buscar mercado para tocar na noite, fazendo um repertório de Soft Rock de qualidade, via James Taylor, Carly Simon e afins.

Bem, desse trabalho, Xando cogitou pensar em resgatar algum material que se encaixasse para o novo trabalho do Pedra.

Rodrigo também tinha algumas canções novas na manga, e dessa leva haveria de sair uma nova safra para dar início aos novos trabalhos.

Assim, entre junho e outubro, passamos a resgatar a rotina de anos anteriores, com o ensaio semanal às segundas, um dia estratégico para uma banda cujos membros tocavam em outras bandas, e geralmente tinham as quintas, sextas e sábados comprometidas com apresentações pela noite, e a novidade era que agora eu também estava nesse rol...
                                                    Foto : Natália Eidt - 2011

Continua...

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