quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 97 - Por Luiz Domingues


"Rock'n Não" tem uma história retroativa. 

Foi logo no começo dos trabalhos da banda, que surgiu coletivamente um tema em meio à uma Jam-Session. Parecendo um Funk-Rock, insistimos um pouco na brincadeira, e chegamos a gravar aquela ideia embrionária.

Logo surgiu a ideia de fazermos uma vocalização que lembrava a de bandas Funk-Rock, como Parliament; Funkadelic; Sly and the Family Stone, e similares da época, mas a meu ver, aquele tema lembrava mesmo era o "War", a espetacular banda negra com um vocalista branco, ou seja, Eric Burdon, não um cantor qualquer...

Nos empolgamos com o tema, mas como nessa altura já tínhamos o repertório do disco quase definido, acabamos abortando a ideia de trabalharmos nela imediatamente, para nos concentrarmos nos preparativos da gravação do primeiro álbum e de fato, não era o momento para perder tempo desenvolvendo uma nova canção.

Ficou então engavetada aquela Jam, ainda com as presenças de Tadeu Dias e Alex Soares ainda na formação do Pedra.

Quando estávamos começando a pensar no segundo disco, alguém se lembrou daquela Jam remota do fim de 2004, e quando ouvimos a gravação daquele ensaio, voltou a vontade de desenvolver aquele riff embrionário.

Claro que a música ganhou diversos outros atrativos além daquele riff funkeado e cheio de swing. A parte "A", inclusive, sofisticou-se com uma linha cheia de swing, ganhando uma parte "B" e uma parte "C" que tem sabor Beatle, lembrando bastante "Hey, Bulldog", mas descarto qualquer menção de plágio, mas sim uma inspiração.

Uma pequena intervenção jazzistica que eu sugeri, também ficou muito bonita quando o Rodrigo criou um desenho sofisticado e bastante dissonante de piano.

E finalmente a parte "D", final, onde baixou o Grand Funk Railroad da sua fase Soul em nós, e no maior estilo "Shinin' on", o groove comeu solto.

Na letra, o Xando estava bastante chateado com conversas entre jornalistas sobre "hype", "formação de opinião" e "estéticas vilipendiadas ou enaltecidas indevidamente". 

Sem dúvida que esse lado obscuro do jornalismo, é um dos tentáculos da máfia que domina a música mainstream e determinante para que muitos artistas sem nenhuma qualificação técnica, estejam na crista da onda em detrimento de gente boa demais a ficar condenada ao limbo eterno da obscuridade.

Daí, ter escrito coisas como -"Não to dizendo nada", -"Será que vão me ouvir ?" e outras frases contundentes para reclamar dessa triste realidade, onde não obstante o fato de ser muito difícil almejar um lugar ao sol, na verdade é deprimente verificar que na realidade, tem gente empenhada em não deixar você chegar lá pelos seus méritos e qualidade.

Assim, "Rock'n Não " é um grito da parte de quem está farto de dar murros em ponta de faca, mas sobretudo contra os que as ostentam e riem de quem se fere diante de tais barreiras intransponíveis nesse esquema de cartas marcadas.
O áudio de "Rock'n Não", do disco

Eis o Link para escutar no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=tseoDRrn_tI


Fotos 1; 3, e 4, são de Grace Lagôa

Continua...

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