quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 109 - Por Luiz Domingues



Vou retroagir um pouco para registrar e comentar algumas matérias a mais que saíram falando de shows ou do primeiro disco lançado.  

Na Revista Roadie Crew, nº 93, que saiu em outubro de 2006, falaram o seguinte sobre o Pedra I:

"Mais uma banda de Rock pesado em português, estilo que parece ter um grande renascimento nesses últimos anos. Temos vários exemplos de bandas que seguem esta linha de som, como Tomada, Carro Bomba, Baranga, 1853, Exxótica, Mahabanda e agora também o Pedra, que embora mais leve, que seus companheiros de estilo, não perde a qualidade.

O grupo é formado por Luiz Domingues (Baixo e vocal); Xando Zupo (Guitarra e Vocal); Pedro Hig (Vocal, Guitarra e Teclado) e Alex Soares (bateria, convidado para a gravação do álbum).

Para o meu gosto pessoal, acho que as músicas poderiam ser mais pesadas, mas isso é algo que vai variar de pessoa para pessoa que ouvir o disco. Destaques para , além da qualidade da gravação, a guitarra de fundo de "Amanhã de Sonho", que lembra "Always With Me, Always With You", de Joe Satriani; "Reflexo Inverso", que me lembrou o April Wine; a "zeppeliniana" (especialmente pelo Slide Guitar), "Estrada"; e para a minha predileta, "Me Chama na Hora".

Nota : 7.0

Carlo Antico"


Bem, claro que sou agradecido ao Antico por ter feito essa resenha, em termos de boa vontade e principalmente por ter se esmerado, colocando um microscópio para achar aspectos positivos nesse trabalho (não que ele não seja bom, quando é público e notório que o é), mas levando-se em consideração que o resenhista era/é, notadamente um aficionado do Heavy-Metal.

Portanto, achei muito interessante o seu esforço pessoal para pescar qualidades em meio à um tipo de trabalho que passa longe de seu rol de predileções, portanto, um sinal de respeito.

Feita essa ressalva que é muito importante para se destacar, vamos aos fatos :

1) Maneirismo típico de críticos musicais do mundo do Heavy-Metal / Hard-Rock oitentistas, ele gastou quase a metade de sua resenha enfatizando o fato de nossa banda ter a predisposição artística de escrever letras em português. Ora, isso só é surpreendente para quem habita esse nicho fechado e obcecado por essa questão, pois é claro que usávamos o idioma português como língua oficial em nossas canções, e nem passava pela cabeça, cantar em inglês, coisa corriqueira no metiér do Heavy-Metal.

2) Numa falha lastimável na digitação da ficha técnica...quem é "Pedro Hig" ???

Na nossa banda, eu conheço o Rodrigo Hid, conforme consta na ficha técnica do disco, e no release oficial que seguiu em anexo para a redação dessa Revista.

3) Gostei da honestidade do resenhista ao afirmar que para o seu gosto pessoal, o trabalho deveria ser mais pesado. Isso deixa claro que o nosso trabalho não fazia sentido para ele, a grosso modo, mas por isso mesmo, louvo a sua extrema boa vontade em resenhá-lo, quando em seu lugar, alguém sem a mesma lisura e consideração, teria descido o malho na obra, usando de sua idiossincrasia "metálica" ou na melhor das hipóteses, nosso disco teria sido preterido pelo editor, julgando-o fora de propósito para aquela publicação (o que de certa forma, é uma verdade). Bem, claro que ele era leve demais para o gosto do rapaz, em suma.

4) Cada pessoa faz uma leitura conforme suas lentes pessoais, isso é fato da vida. As associações que estabeleceu entre algumas canções nossas e o trabalho de artistas internacionais, foi mera visão dele e nada tinha a ver com a realidade. Onde ele lembrou do guitarrista Joe Satriani, digo que esse referido músico não é referência para nenhum de nós, em hipótese alguma. No meu caso em particular, só sei que ele existe, mas daí a conhecer alguma música sua, existe um abismo.

Respeito o trabalho do April Wine, mas não é nem de longe uma banda que admire, tampouco meus companheiros.

A associação mais próxima que fez, foi com o Led Zeppelin, mas mesmo assim, se fosse um jogo de "Batalha Naval", seu tiro teria acertado a água, pois no caso da canção "Estrada", a influência mais correta ali é o Southern Rock de bandas como Allman Brothers Band; Lynyrd Skynyrd; Foghat; 38 Special; Marshall Tucker Band; Alabama; The Doobie Brothers, e congêneres.

E por fim, uma surpresa : ao afirmar que sua canção predileta era "Me Chama na Hora", denotou que absorveu a batucada de samba explícita que existe na música. Nesse caso, nada mau para um fã de Heavy-Metal, que tende a ser fechado em suas convicções.

Discos de Heavy-Metal na mesma seção de resenhas ganharam notas mais altas, o que era normal, em se tratando de uma típica revista especializada no nicho. Mas uma nota 7, para um disco de uma banda nada a ver com esse mundo, foi excepcional, eu diria.

Hoje em dia, eu não perderia o meu tempo em encaminhar um trabalho do Pedra para tal publicação. Deixo a ressalva que não tenho nada contra ela e pelo contrário, tenho até um grande amigo em seu staff, o excepcional jornalista, Antonio Carlos Monteiro.

Contudo, o Pedra não pertence à esse mundo e ter um trabalho ali resenhado não nos ajudava em nada, numa primeira instância. 

Em segundo lugar, podia até causar um incômodo, pois a despeito de sermos deslocados naquele mundo, pela amizade e respeito que nutrem por nós, claro que vão resenhar tudo o que enviarmos, mas sempre fazendo ressalvas como o Carlos Antico estabeleceu, para explicar ao seu leitor tradicional que uma banda como o Pedra é um alienígena ali para eles, mas tem seu valor etc etc. 

Essa é a realidade e fica sempre a questão do respeito mútuo para profissionais que se dignam a falar de nós, apesar das disparidades entre o trabalho e os propósitos da publicação em si. 

Portanto, saúdo e louvo a revista Roadie Crew, e Carlos Antico por essa resenha.

Continua...

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