quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 110 - Por Luiz Domingues


Outra resenha que nos alegrou pelo seu conteúdo positivo, saiu publicada na revista Cover Guitar. Apesar de ser uma publicação dirigida para músicos, praticamente, claro que era uma honra e comemoramos o fato de ter nos avaliado com muitos elogios.

Eis a íntegra da resenha :
"Pedra

Desde já, reconheça-se o mérito de um grupo nacional que decide, em seu disco de estreia, enveredar por uma atmosfera setentista sem soar datado e cheirando a patchuli. Só que o fato de seus integrantes não serem marinheiros de primeira viagem - a banda foi formada a partir de uma verdadeira debandada da lendária Patrulha do Espaço, de onde vieram os guitarristas Xando Zupo e Rodrigo Hid (que também toca teclados) e o baixista Luiz Domingues - certamente pesou na hora de transformar este disco em uma bela e agradável surpresa. Desenvolvendo um paciente, acurado e competente trabalho de composição e arranjo, a banda mostra que quando criatividade, bom gosto e conhecimento musical se unem à técnica, se fecham os caminhos que levam à indiferença.

Há ecos psicodélicos dos Allman Brothers em determinados licks de "Me Chama na Hora" e nos quase sete minutos de "Reflexo Inverso", em que Xando e Rodrigo dão demonstrações de eficiência ao tecer uma teia harmônica muito bem cerzida. "Misturo Tudo e Aplico" e a ótima "O Galo já Cantou" são daquelas canções que poderiam estar em um disco do Trapeze de Glenn Hughes, o mesmo acontecendo com o Rockão "Madalena do Rock'n Roll".

Até mesmo aquilo que seria o ponto fraco em muitos grupos do gênero - as baladas -, o Pedra se dá bem na delicadeza Rocker de "Amanhã de Sonho".

Ainda vamos ouvir falar muito deste grupo..."


RT


Bem o "RT" em questão é o jornalista Régis Tadeu,e nesse caso, não só um dos maiores conhecedores de música e Rock do jornalismo musical brasileiro, como bem famoso por ser muito exigente.

Muito boa a resenha, mas como era/é típico da crítica musical brasileira, o início da reflexão do jornalista, é marcado pela insistência em bater na tecla do que é "datado" e no nosso caso, exalta-se o fato de que soávamos setentistas, mas sem o aroma de Patchouli, ou seja, deveríamos ficar contentes com o fato de termos passado nesse teste de detecção de naftalina ?? 

Ha ha ha...na mentalidade do jornalista, isso era uma coisa a ser louvada como um mérito e sem desmerecê-lo de forma alguma, pois sua intenção foi boa, mas trazendo outra reflexão à baila, eu pergunto : quando os jornalistas musicais vão se libertar dessa preocupação com o tempo ? Acredito que muito melhorariam no exercício de seu trabalho, se finalmente se convencessem de que música é atemporal.

Nos demais aspectos levantados, uma crítica muito positiva, exaltando pontos que sobressaíram-se segundo sua percepção pessoal e reconheço que com conhecimento de causa. A citação dos Allman Brothers em relação à música "Me Chama na Hora", não bate com a minha percepção pessoal, pois acho que "Estrada" cabe melhor na comparação estilística, mas isso em nada desabona a crítica dele a meu ver.

Claro que por se tratar de uma publicação dirigida a guitarristas e aspirantes, o foco centrou-se mais na performance de Xando e Rodrigo. Natural, que fosse assim.

Comparação com o Trapeze muito honrosa, naturalmente, e o fato de ter elogiado "Amanhã de Sonho" do jeito que fez, denotou que em outras avaliações de outros artistas, talvez não tivesse tanta paciência com baladas. Ponto para nós, portanto.

A frase final, talvez tenha sido a mais emblemática da resenha e representa tudo o que um artista quer que um jornalista fale de seu trabalho : "Ainda vamos falar muito desse grupo". Ou seja, tem o peso de uma profecia, proferida da parte de quem geralmente usa como trunfo profissional acertos em avaliações para o futuro.

Em suma, apreciamos e agradecemos a resenha muito positiva.

Continua...

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