sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 113 - Por Luiz Domingues


Envolvidos ainda com a produção do segundo álbum, mas sempre atentos às oportunidades para apresentações, mesmo que vivendo num mundo de chances cada vez mais escassas, conforme descrevi anteriormente, entramos de peito aberto no ano de 2008, sempre acreditando que uma luz poderia surgir no final do túnel...
E nesses termos, o Rodrigo vinha alertando-nos para uma possibilidade diferente, e que deveríamos abraçar doravante, mesmo não fazendo parte do nosso universo artístico propriamente dito, pois não éramos uma banda de espectro "indie", como 99% das bandas que habitam essa seara dos festivais independentes de música, pelo menos nessa época, com muita gente surfando nas ondas generosas das benesses da Lei Rouanet. Mas o Rodrigo tinha razão num aspecto : esse mundo dos festivais independentes era estruturado, fomentava uma cena alternativa e chamava a atenção da mídia, de certa forma.

Claro que tais argumentos eram plausíveis, mas havia controvérsia. Primeiro e óbvio ponto, de fato tais artistas desse mundo "indie" chamavam a atenção numa mídia específica, mas todos, literalmente, compactuavam com uma estética própria, amarrada numa série de fatores estruturais muito particulares, e uma banda como o Pedra, era certamente um "outsider" nessa prerrogativa. Nesse universo "indie", a estrutura de bastidores é uma verdadeira teia de aranha bem amarrada e fechada, portanto, dificilmente aceitam outsiders e / ou incautos dentro do esquema, como se fosse um clube privê. Não só pela questão da estética artística, mas por uma questão de contatos, é quase impossível entrar de gaiato nessa estrutura, sem estar 100 % antenado e de acordo com a ética interna que norteia tais manifestações, mas sobretudo, só é aceito no clube, se os "sócios veteranos" aprovam sua entrada como novo membro da "instituição"...
Mas por outro lado, vivendo num mundo de portas cada vez mais fechadas, o Pedra era uma banda estrangulada pela dificuldade de colocar-se no mercado, e diante de tal impasse, onde tal situação  atormentava-nos constantemente, a sugestão do Rodrigo tinha sua validade, embora fosse bastante inóspita para os nossos propósitos e ideais artísticos e logísticos. Enfim, como diz a letra da canção "O Dito Popular" : "quem não tem cão, caça com gato", ou rato, como é aventado no desenrolar da letra. Sendo assim, com o Rodrigo alertando-nos para essa possibilidade, concordamos que a banda buscasse tal alternativa, na base daquela máxima do : "não custa nada"...

Continua...

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