sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 111 - Por Luiz Domingues


Apesar do entusiasmo inicial que envolveu a participação do Marco Carvalhanas como produtor da banda, seus esforços não lograram êxito, como todos desejaríamos.

Ele fez inúmeros contatos no circuito de casas noturnas de São Paulo, mas não fechou nenhum show para a banda e cabe a reflexão. De fato, nesse início de segunda metade dos anos 2000, havia uma grande efervescência de casas noturnas na cidade de São Paulo, mas ao contrário do início dos anos noventa, onde houve uma profusão semelhante, desta feita as casas estavam dominadas por um nicho específico e quem não fizesse parte dessa cena, não tinha chance alguma de se apresentar.

Especificando, as casas estavam fechadas no ideal do Indie Rock, e embaladas por tal determinação e tendo setores estratégicos do jornalismo musical coadunados com tal predisposição, ficava impossível para bandas como a nossa, completamente outsiders na percepção dessa gente.

Dessa forma, o Carvalhanas , que era (é) um cara extremamente gente boa, mas estava defasado dessa realidade de mercado dos anos 2000, desanimou. De fato, sua concepção de produção era calcada na sua percepção antiga, dos anos oitenta e noventa, portanto, um cenário onde os espaços estavam dominados por uma "panela" específica, era uma novidade para ele, como produtor e despreparado para lidar com tal barreira, sentiu-se sem estrutura para buscar novas estratégias para uma banda como o Pedra, naquele momento.

Paciência...tínhamos que prosseguir...

Não cabe especificar, mas não foi só por conta disso que a parceria entre nós e o Carvalhanas encerrou-se. Tivemos uma divergência por conta de outro detalhe, que prefiro não revelar, mas posso adiantar que era de pequena monta. 

O que pesou mesmo foi essa inadequação dele para com o mercado mudado que não reconhecia mais como o conhecera anteriormente, e a nossa condição de outsider na música, não encontrando nada adequado para nos encaixarmos no mercado e por conta disso, lutarmos com dificuldades para achar um lugar ao sol, tendo que nos adaptar ao mais próximo possível, mas nem sempre isso significava algo plausível. 

Cito o exemplo de que em 2006 termos feito shows em conjunto com o Carro Bomba, que nada tinha a ver com nossa estética e propósitos, mas apenas tendo como similaridade o fato de sermos amigos pessoais dos membros daquela banda.

Mesmo com a relação semi desgastada, o Carvalhanas ainda estaria conosco no nosso próximo compromisso, em outubro de 2007 e voltaria a nos abordar com uma proposta interessante no início de 2008, fato que revelarei na sua cronologia adequada.

Continua...

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