segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 258 - Por Luiz Domingues


Como já mencionei anteriormente, teríamos um show prazeroso para fazer, em homenagem à loja / gravadora Baratos Afins.

É inegável o prestígio que o produtor Luiz Carlos Calanca tem no meio musical, tanto por sua loja que é uma das mais tradicionais e famosas do Brasil, quanto sua gravadora, que tantos artistas bacanas lançou e claro que sinto-me suspeito e até meio constrangido em inclui-me nesse rol, mas claro que dele faço parte.

Comemorando os 25 anos de existência, o Calanca convocou a patrulha para tocar e de fato, nossa banda havia sido uma das primeiras a produzir álbuns nessa gravadora alternativa e com ares de independente, mas que crescera e mesmo com o Calanca negando peremptoriamente, havia se tornado uma gravadora de médio porte com uma estrutura que muita gravadora supostamente de maior porte não ostentava.  

O show seria realizado no palco da Chopperia do Sesc Pompeia, e contaria com muitas atrações que eram do passado da gravadora, ou daquela atualidade de 2003.

Seriam três dias, caracterizando um mini festival e com o prestígio que o Calanca tinha, arregimentou uma boa mídia espontânea e atraiu um bom público nos três dias.

No camarim, Serguei contou pela bilionésima vez o seu namoro com Janis Joplin, e exagerando ao cubo, falou de sua estada em Los Angeles e passeios em carrões americanos conversíveis, com Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix ao seu lado como companhias, e todos viajando de ácido. Bem, quanto à viagem de ácido era a única coisa que poderíamos acreditar ser verdade...

Mas claro, a mentira contumaz contada com aquele teatro glamourizado todo que ele fazia, tornou a nossa estada no camarim divertidíssima. Lembro-me do baterista Junior Muelas o imitando a posteriori, com uma perfeição tão grande que superou o nosso imitador-mor, Rodrigo Hid. Hilário !!

Outra figura que estava no mesmo camarim, era o Catalau, ex-vocalista do Golpe de Estado, e que agora estava convertido ao cristianismo de viés evangélico e tornara sua carreira solo como cantor, direcionada à música Gospel. Ele e os membros da banda tinham visual de Rockers, mas fanatizados pela sua fé, soltaram várias alfinetadas absolutamente desnecessárias contra os demais ali presentes, e não "convertidos e seculares"...uma atitude de soberba bastante inconveniente para qualquer pessoa, e pior ainda enquanto contraditório para os que se arvoram como "cristãos". Que seja feliz com sua fé.  

O show foi filmado, e a filha do Luiz Calanca, Carolina Calanca, tinha a intenção de fazer um documentário dele, mas que eu saiba, não foi postado no You Tube. Se eu achar, posto de imediato aqui.

Sobre nossa apresentação, foi muito quente, com o público respondendo de uma forma excepcional. Achei a receptividade tão calorosa, que lamentei ser um show de choque, pois com aquela plateia rocker, nós e eles, o próprio público, merecíamos ter um show completo.

Para incrementar esse público tão animado, havia um contingente de pessoas que haviam vindo de Brasília só para nos ver. 

Nos abordando no pós-show, nos contaram que faziam parte de uma turma grande de curtidores de Rock 60/70 e odiavam a fama que Brasília tinha de ser reduto de "rockeiros" oitentistas, berço do BR-Rock 80's e antro de punks burgueses, metidos a "revoltados com o sistema", todos filhinhos de diplomatas e funcionários públicos de alto escalão ou milicos. 

Cáspite !! 

Então havia vida inteligente em Brasília, que maravilha...


Foi um grande show, ainda que curto demais diante daquele euforia que geramos, uma pena, pois parecia clima de show de Rock nos anos 70, tamanha a interação e magia criada em perfeita sincronia.

 

Dia 23 de maio de 2003, Chopperia do Sesc Pompeia, em São Paulo, festa de 25 anos de existência da Baratos Afins, e com cerca de 300 pessoas na plateia.

No dia seguinte, teríamos um show no interior de São Paulo.

Continua...

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