sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 291 - Por Luiz Domingues

 

Nosso foco agora seria uma micro temporada no Centro Cultural São Paulo, a ser realizada em julho de 2004.

E para animar tal perspectiva, foi de julho em diante que mais matérias e resenhas do novo álbum começaram a aparecer nas bancas de jornais.

E também uma exótica aparição num programa exibido na TV aberta, mas sob um caráter absolutamente underground.  

Chamado "Swing com  Syang", era um Talk-Show musical e que tinha uma nobre iniciativa, eu diria, pois sua proposta era a de dar espaço para artistas ligados ao Rock, principalmente, e sentenciados ao limbo do underground. Portanto, para bandas de Rock em geral, fora do mainstream, passou a ser uma opção de divulgação válida.

Claro, a despeito de ser uma emissora de TV aberta que o transmitia, o fazia na alta madrugada, e eximia-se de sua produção. Era na verdade, um programa independente, e que simplesmente alugava espaço na grade dessa emissora aberta.

O canal em questão era a TV Gazeta de São Paulo, que é uma emissora na qual eu nutro declarada simpatia, desde que entrou no ar, no longínquo ano de 1970, contudo, sempre foi a emissora aberta na cidade, com a menor audiência, infelizmente.

Não obstante tal fato, sendo exibido durante a madrugada, o referido programa tinha audiência tímida, mas dentro do patamar das emissoras abertas, ou seja, perto das líderes no setor, seus números eram inexpressivos, mas para a nossa realidade do underground, ter um ponto na cotação de audiência, significava estar atingindo cerca de 80 mil pessoas na cidade de São Paulo, um pouco menos na proporção do horário, mas muita gente, enfim.
Syang era (é) uma guitarrista muito famosa no mundo do Rock underground, contudo, sendo uma moça muito bonita, chamava a atenção pela sua beleza física e claro que a despeito dela ter uma carreira no mundo do Heavy-Metal e do Punk Rock, tocando guitarra em bandas como o "Detrito Federal" e "P.U.S.", sua beleza e porte de "centerfold" da revista Playboy, chamavam muito mais a atenção e seu programa atraía alguns Rockers, mas certamente o grosso da audiência era formado por "solitários" de todas as faixas etárias, disso não havia dúvida.

Para reforçar tal impressão, logo após a exibição do programa da Syang, entrava no ar outro programa ao vivo, realizado pela mesma produtora, e este sim, calcado na exploração da sensualidade, pois era um simulacro de gincana tola, onde os telespectadores eram convidados a participar e os telefonemas eram computados como receita para a produtora. Mediante tais perguntas travestidas de culturais, várias moças bonitas e trajadas de forma sensual, se exibiam dançando, caso o telespectador acertasse a resposta e claro, o objetivo era capitalizar o máximo de telefonemas, e a intenção dos participantes era ver as moças sensualizando na TV.  
Nossos amigos do Golpe de Estado, participando do referido programa

Bem, sobre o programa da Syang, muitas bandas do metiér underground estavam indo tocar e quando recebemos o convite, claro que aceitamos, e vinha a calhar para reforçar a promoção do novo disco, e dos três shows que faríamos no CCSP, logo a seguir.

E lá fomos nós, na noite / madrugada de 4 de julho de 2004...
Continua...

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