sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 292 - Por Luiz Domingues


Chegamos ao endereço onde funcionava o estúdio em questão dessa produtora, por volta das 23 horas, com a antecedência pedida pela produção do programa. Ficava numa travessa da Avenida Washington Luiz, caminho para o autódromo de Interlagos.

Tratava-se de uma mansão outrora residencial, muito ampla e bonita, onde na parte de baixo da casa, estava o estúdio / palco do programa da Syang, e na parte de cima, funcionava outro estúdio, onde filmavam o programa das moças, e sua gincana infame, conforme citei anteriormente.

Quando chegamos, fomos convidados pela produtora, a nos dirigir à uma sala de maquiagem, numa estrutura parecida com um estúdio de TV convencional. Sem dúvida que eles tinham uma estrutura bacana, isso era louvável.

Quando chegamos à sala de maquiagem, encontramos Sergio Dias, que estava se preparando também e sua simpática esposa, Lourdes, que eu conhecia também desde 2001, conforme já narrei em capítulos anteriores.

Simpáticos, ficaram conversando conosco, bastante amigavelmente. Nessa altura, Sergio ainda centrava seus esforços em sua carreira solo, e sua participação no programa foi só com bate-papo, falando de suas ações naquele momento em termos de carreira solo e os Mutantes só anunciariam uma "volta" em 2006, de fato.

Quando já estávamos nos preparando no estúdio, fazendo um rápido soundcheck com o técnico de áudio da TV, a produtora nos informou que Syang sempre gostava de iniciar o programa tocando com a banda convidada, e que nós sugeríssemos alguma música para ela tocar conosco, preferencialmente uma música do Rock internacional, conhecida de todos.

Sabedores que seu apelido "Syang" é uma homenagem ao seu grande ídolo, o guitarrista escocês / australiano, Angus Young, do AC/DC ("Sy", de Simone e  "Yang", como corruptela de "Young"), sugerimos que tocássemos qualquer música do AC/DC.

Passados cinco minutos, a produtora volta a nos abordar e nos comunica que a Syang estava cansada de tocar sempre AC/DC toda a noite, e gostaria de tocar "God Save the Queen", do famigerado "Sex Pistols...

Não teve jeito, ela cismou e quis porque quis tocar essa peça perpetrada dessa banda que abriu os portais do inferno e decretou a morte do Rock, mas, claro, são poucas as pessoas neste planeta que sabem dessa particularidade, e ali não era o momento para fazer nenhum discurso sobre o assunto, por isso, lá estava eu tocando a peça gravada por músicos de estúdio, pois os membros dessa bandinha infame se orgulhavam de não saber tocar...

Bem, além da Patrulha como atração musical, e o Sergio Dias como entrevistado, três atrizes divulgando sua peça teatral em cartaz, estavam presentes, também.

Quando o programa começou, nos caracteres ficava passando o tempo todo observações feitas por telespectadores. 

Lamentavelmente, apesar de ser um talk show cultural, numa primeira instância, as observações que líamos ali eram em 99% dirigidas à pessoa da Syang, em tom de gracejos; cantadas; elogios baratos etc etc.

De fato ela era (é) linda, e tinha (tem), porte de "coelhinha da Playboy", mas era lamentável que ninguém prestasse atenção nas bandas que ali tocavam e falavam de seus trabalhos, tampouco os demais entrevistados, todos geralmente ligados à arte & cultura.

Dos pouquíssimos comentários que vieram nos mencionando, só bobagens perpetradas por verdadeiros incautos que não faziam nem ideia de quem éramos, falando coisas rasas do tipo : "Da hora o som da banda"...  


Bem, a despeito disso tudo, demos o nosso recado e saímos contentes dali, fora a diversão que foi aquela aventura maluca numa madrugada gelada do inverno paulistano.

Sobre o som, acho que ela saiu bem razoável e sempre era um terror equalizar banda de Rock em estúdio de TV, ao vivo. Quem mais sofreu ali foi o Junior, pois a proposta ali era a que ele usasse uma bateria eletrônica, e claro que um baterista do nível dele, se deparando com alguma coisa desse patamar, que mais assemelhava-se à um brinquedo, causou-lhe constrangimentos e irritação.

Lembro-me de que logo no início, o pedal do bumbo dessa "coisa" falhou e uma ginástica teve que ser feita para adaptar um pedal tradicional, fazendo-o funcionar naquela estranha realidade. Não teve jeito e por sorte o Junior levara sua bateria, meio que prevendo uma pane, e o bumbo normal foi adaptado ao restante do brinquedinho.Ele tentou persuadir o técnico antes de que a bateria tradicional soaria melhor, mas o rapaz insistiu no conceito de que estava acostumado a lidar com a eletrônica blá blá blá...ok, moleques de cinco anos de idade também são super aptos na pilotagem de Joysticks...

Fora isso, o som saiu a contento, apesar desse simulacro de bateria e amplificação fraca disponibilizada para os três homens das cordas. Vendo a filmagem já disponibilizada no You Tube, acho que ficou até que razoável.

Tocamos as seguintes músicas ali ao vivo : "Rock Com Roll"; "Vou Rolar"; "One Nighter"; "Ser"; "São Paulo City"; e "Olho Animal". Obviamente que optamos por músicas mais no limiar do Hard-Rock, com duas guitarras e sem pensar em teclados, para facilitar toda a logística.

Tocamos num cantinho, como se fosse uma sala de estar, acomodados em "puffs", dando uma aura informal ao Talk-Show.  

A Syang levava jeito para a coisa, e não usando de trejeitos para se valer de "Rocker", tampouco sensualizando para explorar sua beleza, conduziu o programa com bastante dignidade, ao estilo de uma Talk-Show tradicional.

Naturalmente que a produção devia filtrar coisas impublicáveis, mas mesmo assim, ela driblava os telespectadores mais babões com seus gracejos de insinuação sensual, com uma certa desenvoltura, mas ali no calor do estúdio, era nítido que isso a aborrecia muito, pois fora do foco da câmera ela reclamava acintosamente da situação. 

Recado dado, falamos dos shows no CCSP; do novo disco, e era isso o que importava.

Ao final, na informalidade pós-programa, a Syang nos disse que havia ficado impressionada quando nos viu chegando ao estúdio, com aquela pinta de banda setentista, parecendo o "Black Sabbath", palavras dela...

Uma versão mais centrada na nossa participação, com pouco papo dos demais convidados, virou um Bootleg de DVD, e foi vendido na Galeria do Rock e outros pontos de vendas para colecionadores em todo o Brasil. Trata-se exatamente do DVD que está postado no You Tube.

Antes de falar dos shows do Centro Cultural, um pouco sobre as matérias e resenhas que saíram nessa época...

Assista a participação da Patrulha do Espaço no referido programa :
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=dyKsRHsGYvI

Continua...

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