sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 287 - Por Luiz Domingues

O Junior nos comunicou que teríamos shows, enfim.

Foi um período difícil termos tido um hiato tão grande de apresentações ao vivo, pois nossa última aparição pública num palco remontava a dezembro de 2003. 

Concomitante com o astral que não era nada bom, desde o final de 2003, tal lacuna só contribuiu para desgastar mais ainda o clima de corrosão interna que vivíamos.  

Convocados dois ensaios, pois estávamos enferrujados desde a gravação do álbum "Missão na Área 13", em dezembro de 2003, fomos no final de abril de 2004 nos reunir num estúdio localizado no bairro da Chácara Klabin, um subdistrito na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo.

Era uma casa imensa, com uma grande piscina e deck em sua parte externa, e segundo apurei, era conhecida informalmente por muitos músicos como "estúdio da piscina", e de fato, constatei que o proprietário deixava sua clientela à vontade para esperar a hora de ocupar o estúdio, acomodada nos quiosques do deck.

Lá, o rapaz que cuidava da sala abordou-me e inocentemente, ficou falando que a nova banda do Marcello Schevano, chamada "Carro Bomba", estava ensaiando há meses ali, e admirou-se ao ver que eu desconhecia completamente que o Marcello montara uma banda paralela e autoral.

Hoje em dia, tenho outra visão sobre essa questão de fidelidade à uma banda, mas naquela época, ainda tinha o conceito romântico de outrora sobre o assunto, e mesmo sabedor que o clima na nossa banda estava ruim, confesso que fiquei chateado por saber assim dessa forma, com o fato consumado, e segundo me contou o rapaz do estúdio, tal banda já estava pronta para gravar seu disco de estreia ou já o estava fazendo, não sei ao certo.

Se meu ânimo estava baixo nesses primeiros meses de 2004, agora o desânimo me pegara de vez, pois tudo bem o Marcello ou o Rodrigo saírem da banda e formarem novas bandas, novos trabalhos nas suas carreiras. Eles eram muito jovens e tinham todo o direito de buscarem seu espaço fora da Patrulha, mas no subliminar, o que eu sentia de forma sutil, pareceu se concretizar com essa notícia "bomba" e perdão pelo trocadilho...  

Era a finalização do sonho construído ali no final de 1997, quando formamos o Sidharta.

Enfim, que os ideais haviam se diluído já desde meados de 2001, eu sentia claramente, mas agora havia chegado ao plano concreto, e isso me desanimou.

Poucos anos depois, eu também estaria numa outra banda com o Rodrigo, e nós dois interagimos bastante com o Marcello e seu "Carro Bomba", fazendo shows compartilhados e tudo bem, estava tudo superado totalmente de minha parte, mas ali, ouvindo o rapaz falando de uma realidade que eu desconhecia completamente, foi bastante estranho absorver tal informação.

Bem, ensaiamos por dois dias, e estávamos prontos para entrar no nosso ônibus e viajar para Santa Catarina.
Continua...

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