quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 67 - Por Luiz Domingues


O primeiro problema que enfrentamos logo de cara, foi não haver nenhum produtor do evento para nos recepcionar e fazer os trâmites iniciais de nos acomodar no camarim e nos informar sobre a montagem de equipamento para o soundcheck.

Claro, isso não arranca pedaço de ninguém, e fomos interagindo com os próprios funcionários do Via Funchal, logo descobrindo o nosso camarim. Aliás, um bom camarim, amplo e confortável, mas no último patamar, ou seja, longe do palco, e da comunicação com a produção.

Era evidente que o Uriah Heep seria alojado no melhor camarim, e com isolamento para evitar contatos indesejáveis. Já esperávamos isso, claro.

Todavia, as outras duas bandas participantes do evento, talvez por terem relação de amizade mais estreita com o produtor do festival, foram privilegiadas, ficando num patamar da casa, intermediário e nós, alojados no mais tímido e distante dos camarins.

Foto recortada do cartaz, de autoria de Marcelo Francis, o produtor do evento

Claro, cada de um nós com enorme bagagem de atuar no underground há décadas, não reclamou, e até achou bom o camarim (e era mesmo, sem "mimimi"), mas estava clara uma diferenciação, e isso era chato.

E ficou pior, pois ao longo da tarde e da noite, coisas desagradáveis ocorreram por parte da produção e sendo muito honesto, de nossa parte, também.

Explico, logo falando de nossos erros, dizendo que na verdade foi um só, que no entanto, gerou uma séria de animosidades que só intensificaria o clima entre nós e a produção do Festival.
              O produtor do evento e guitarrista, Marcelo Francis

Foi o seguinte : quando tivemos o primeiro contato com o produtor Marcelo, o nosso objetivo era que ele se interessasse em ser nosso empresário. A ideia do Festival obscureceu essa possibilidade inicialmente. Mas claro que topamos participar, pois seria por si só, muito legal, e talvez o motivasse no futuro a trabalhar conosco, mais focado.

Mas nesse ínterim, passaram-se muitos meses, e o Pedra teve um impulso inicial até surpreendente por conta da execução radiofônica, clips na TV, sequência de shows e matérias super positivas na imprensa escrita e Internet.

Vendo que o Marcelo só estava focado no Festival, precisávamos urgentemente dar um passo adiante, arrumando um agente. E apareceu aquela figura exótica do "R", que já mencionei aqui anteriormente.

O "R" não havia nos arrumado absolutamente nada além de muito "Blá-blá-blá", mas como estava conosco na ocasião, foi junto nos acompanhar no Via Funchal, e na nossa concepção, seria um teste para ver como agiria como Road Manager.

Então, o clima que já não era muito favorável entre nós e o Marcelo (por motivos que nunca descobrimos, pois nunca lhe fizemos absolutamente nada de errado até então, e pelo contrário, estávamos cumprindo regiamente todas as solicitações dele no campo burocrático e obedecendo o cronograma de horário, fielmente como estabelecido), piorou, pois o atabalhoado "R", foi "peitar" Marcelo e seus subordinados, pelo fato de estarmos no pior camarim, não haver água na geladeira, lanche etc...

Esse foi o nosso erro, pois já havíamos detectado ser "R", um sujeito estranho e tenso. Não sabemos exatamente como foi esse contato dele com a produção do Festival, mas sentimos as retaliações e o clima azedo, ao longo do dia.
No camarim do Via Funchal, em algum momento antes do soundcheck

Fotos 1 e 4, de Grace Lagôa

Continua...

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