terça-feira, 24 de novembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 229 - Por Luiz Domingues


Alguns dias depois da última turnê por Santa Catarina, estávamos novamente a bordo do intrépido "azulão", mas desta feita indo para o interior de São Paulo.

Calor tórrido, de final de novembro e com a perspectiva de ficar ainda mais quente pelo fato de irmos ao sempre quente interior paulista, ao menos tínhamos a certeza de que seria quente em termos de animação, pois seriam quatro shows com ótimas perspectivas.

Com nossa comitiva habitual, mas reforçados por Claudia Fernanda, e por um dos filhos do Junior, o James Castello, tínhamos também a simpática presença do poeta Luiz "Barata" Cichetto mais uma vez conosco.

Para minimizar o calor, saímos um dia antes, na noite, quase madrugada de quarta feira, 20 de novembro. De fato, na calada da noite existem os perigos inerentes da estrada, dobra-se a atenção etc, mas o frescor da madrugada, evitando o sol a pino, fez bem para todos, principalmente para o nosso ônibus, que se desgastou muito menos.

Nosso primeiro destino era São José do Rio Preto, cidade natal de nossos amigos do "Hare", banda que conhecêramos no final de 2001, e cujos membros haviam se tornado nossos amigos.

E boa nova, eles fariam a abertura do nosso show, e isso era garantia de uma ótima apresentação e sobretudo, 100 % coadunada com os nossos ideais.

Chegamos pela manhã na cidade, bem cedinho, e deu para aproveitar algumas horas de descanso no hotel. Tudo sob controle, foi possível almoçarmos num restaurante bom do centro da cidade, acompanhado de nosso amigo Junior Muelas e tranquilamente fazermos a montagem do equipamento no local da apresentação.

Tal estabelecimento era novo na cidade e prometia ser um polo de cultura para o povo riopretense, por isso estávamos contentes em estarmos ali naquele momento em que iniciava as sua atividades.

Chamava-se "Cultural Bar", mas ia além de um bar tradicional enquanto casa noturna nesses moldes, pois a despeito de ter um bar em seu complexo, a pretensão de seus proprietários era a de fazer do local um mini centro cultural multiuso, não focando apenas em apresentações musicais, mas abrindo para outras manifestações artísticas e culturais, ainda que os shows de Rock fossem o carro chefe das atividades ali produzidas.

Não seria a inauguração da casa em si, visto ter ocorrido uma semana antes com show da banda paulistana, Velhas Virgens, mas era um clima de novidade, ainda, certamente.

Não eram instalações luxuosas, mas seus proprietários haviam se esforçado para arrumar e decorar a casa de uma forma muito agradável. Tratava-se de uma construção antiga, bem no centro da cidade, em plena Avenida Voluntários de São Paulo, famosa e importante via da cidade de São José de Rio Preto.

O único senão para esse simpático estabelecimento, era a questão da enorme escadaria que havia da rua para o seu mezanino, e dessa forma, os nossos roadies sofreram uma barbaridade para levar o equipamento da banda para dentro da casa.

Soundcheck feito com enorme tranquilidade e confraternização total com os amigos do "Hare", só nos restava esperar a hora do show.

Voltamos ao hotel, descansamos e nos arrumamos com tranquilidade.

Quando chegamos novamente à casa, um fã vindo de uma pequena cidade vizinha (Guaraci), nos esperava com vários discos da banda e nos entrevistou para o seu fanzine. Chamava-se André Galão estava tão entusiasmado em nos assistir, que sua animação nos contagiou, e claro que era sensacional ter demonstrações de carinho desse porte. Ei-lo na foto acima, com o Junior e eu, Luiz Domingues, retratados no Jornal Realidade Regional

O show do "Hare" foi ótimo e ali, mais uma vez me enchi de esperanças quanto ao futuro do Rock brasileiro, embora olhando hoje em dia, 2015, não é por falta de talentos que lastimamos a fase péssima em que vivemos, mas exatamente pelos espaços culturais serem blindados para artistas dessa qualidade.

Chegou a nossa vez, e o público Rocker de Rio Preto respondeu como esperávamos, com um calor humano total. Foi um show muito animado, honrando as tradições da banda e dos Rockers locais.

Era o dia 21 de novembro de 2015, uma quinta-feira, e cerca de 100 pessoas nos viram nessa noite.

Ossos do ofício, o show do dia seguinte seria numa cidade muito próxima, mas nos obrigando a retroagir cerca de 50 Km para trás, sendo que no dia seguinte teríamos que voltar a Rio Preto para seguir adiante e irmos à outra cidade além. Nem sempre a turnê ficava alinhada com a logística e quando acontecia tais anomalias logísticas, nós brincávamos, dizendo que era uma "turnê da barata tonta"...

Continua... 

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