quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 236 - Por Luiz Domingues


Nosso próximo compromisso se daria no dia 6 de dezembro, quando iríamos à São Carlos, uma cidade de forte tradição Rocker, onde já havíamos nos apresentado anteriormente com expressivos resultados, e que havíamos adquirido a confiança, certeza, eu diria, de que havíamos conquistado fãs fiéis do trabalho.

Fora a questão de termos muitos amigos de bandas antenadas na nossa vibe "Chronophágica", casos de "Homem com Asas" e "Tarja Preta".

E seria com eles mesmo que contaríamos como bandas de abertura nessa noite.

O local seria um galpão de um Centro Acadêmico de estudantes da USP - Campus São Carlos, chamado CAASO, uma sigla a designar o nome de um homenageado.

Era um galpão rústico, mas com um palco bem razoável, muito maior do que a maioria das casas noturnas com as quais estávamos lidando na turnê inteira de 2002, e eles tinham um P.A. de respeito e uma iluminação mais ou menos, que daria para o gasto, dando-nos a oportunidade de fazer um show muito digno, e com uma pressão sonora para lá de boa para o tamanho do salão. Ouso dizer que a capacidade ali era até demais, e que seria prudente reduzir um pouco o volume das potências que alimentavam tal P.A., para não massacrar os tímpanos do público.

Chegamos na cidade sem problemas, fazendo viagem tranquila, sem incidentes.

Fomos direto para um hotel muito confortável e pertencente à própria USP e que possivelmente era um hotel escola de curso de hotelaria, desconfio, mas não tenho essa confirmação. Só sei que era muito confortável, com serviço ótimo e ficava fora do campus, mas numa rua com acesso à um dos portões, portanto, mediante uma rápida e prazerosa caminhada por dentro do campus bem arborizado, chegava-se ao tal CAASO, em menos de dez minutos.
No Caaso - Campus da USP de São Carlos, com amigos das bandas Homem com Asas e Tarja Preta, na hora do soundcheck

A montagem do som após o almoço, foi extremamente tranquila e amigável, com tantos amigos dessas bandas citadas ali presentes e solícitos ao extremo para auxiliar-nos.

O técnico de som também era um estudante da USP e além de ambientado com o local, foi muito rápido para microfonar tudo e estabelecer uma equalização muito boa, a nos dar um conforto sonoro excelente na monitoração.

Voltamos para o hotel e tudo corria numa tranquilidade total, dentro do cronograma, dando-nos margem para relaxar.

Um grupo de fãs veio de Ribeirão Preto e nos abordou no hotel. Curtiam a Patrulha, haviam nos visto na semana passada em sua cidade e resolveram ver de novo, visto que São Carlos dista cerca de 80 KM apenas de Ribeirão Preto.
Danilo Zanite, atual guitarrista da Patrulha do Espaço, 2015

Como era um show marcado por uma produção caseira, digamos assim, o Luiz Barata é que foi ser o bilheteiro, e apesar de cumprir sua função com muita boa vontade, lamentou que assim perdesse o show da banda de abertura, "Homem com Asas" e boa parte da segunda banda da noite, a também boa "Tarja Preta". Ironia do destino, das fileiras do Tarja Preta sairia o guitarrista da Patrulha que está na banda desde 2007 ou 2008, não sei ao certo, até os dias atuais, 2015, Danilo Zanite, que é ótimo músico ,e muito gente boa.

Nosso show foi um delírio, eu diria. São Carlos era definitivamente uma cidade Rocker e quase todos ali eram universitários, estudando na própria USP, ou estudantes da Federal de São Carlos, a Ufscar.
Um painel de fotos da Carla Viana, publicado no Blog do Juma, meu amigo do Paraná, e que abriu-me as primeiras portas na internet para eu começar a escrever, em 2011 

Carla Viana, a vocalista ribeirãopretana de timbre grave e beleza incrível, apareceu e deu uma canja conosco, e na última música uma verdadeira "Sbornia" instaurou-se, com músicos das três bandas se misturando no palco para uma versão kilométrica e  repleta de solos de "Columbia".

Mesmo acostumado a lidar com potência sonora de shows de Rock, nessa noite saí do palco com "tinitus" (aquele zumbido agudo e típico de quem suportou muita carga sonora e fica depois no silêncio ouvindo-o por tempo indeterminado após um ataque sonoro de muitos decibéis).

Sem preocupação com vizinhança, dentro do campus vazio da USP e com apenas os guardas da segurança em portões distantes, o volume foi muito grande, fora os urros dos Rockers ali presentes.

Parafraseando a música do grande guitarrista argentino, Eduardo Depose, que é autor de um clássico do repertório da Patrulha, foi uma autêntica "Festa do Rock"...

Nesse final apoteótico, víamos pessoas dançando em cima do balcão da cantina do salão e definitivamente, estavam botando os "Ya-Yás" para fora.

Um dos shows mais legais que a Patrulha realizou em 2002, sem dúvida.

Aconteceu em 6 de dezembro de 2002, com 250 pessoas presentes no local.

No dia seguinte, iríamos à uma cidade próxima e que também já havíamos visitado em duas ocasiões anteriores : Rio Claro.

Continua...

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