terça-feira, 29 de setembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 161 - Por Luiz Domingues


Luciano Reis, nosso anfitrião e produtor local improvisado, era bem jovem e de fato, assim que se apresentou, lhe perguntei se ele era o produtor local do show e ele riu, dizendo não ser um produtor profissional, mas apenas um fã e músico, e que ocasionalmente ajudara na logística por conhecer bem a cena da cidade.

Apesar de jovem e enfatizar que não era um produtor profissional, o fato é que na base da boa vontade e intuição, o Luciano não mediu esforços para nos proporcionar as melhores condições possíveis e nesse caso, tudo me lembrava a produção do show que fizéramos em São Carlos, no interior de São Paulo, meses antes, quando a estrutura da casa onde tocaríamos era precária, e graças ao improviso dos Rockers locais, tudo viabilizou-se, ainda que de forma muito improvisada.

Fazia um calor inacreditável quando chegamos à São Leopoldo.


Cheguei a brincar com o Luciano, lhe perguntando se ali era mesmo o Rio Grande do Sul, ou tratava-se do Mato Grosso, Goiás e outros estados onde o calor é tórrido. Apesar do sul ter invernos muito rigorosos no padrão europeu, com até ocorrências de nevascas, eu sabia que o verão gaúcho era igualmente rigoroso, e comparável aos estados que citei.

A casa onde nos apresentaríamos, se chamava "BR-3".


Era uma clara alusão à música do Toni Tornado que fez sucesso no ano de 1970. Tratava-se de um pequeno bar com ares de salão de Rock, muito rústico, simples mesmo. O equipamento de P.A. existente no local era precaríssimo. Para alimentar o som ambiente, dava, mas para segurar um show de Rock, não havia nenhuma
possibilidade.

Nesses termos, o Luciano e sua rede de amigos Rockers locais, se mobilizaram e reforçaram o equipamento com várias peças avulsas, transformando-o num autêntico P.A. "Frankenstein"...

Mas se ainda era tudo precário, ao menos garantimos as condições mínimas das mínimas para poder tocar. O tamanho do palco era outro problema e tanto a ser equacionado. Absolutamente minúsculo e bem alto, dava uma sensação de insegurança bem grande para nós.

O Junior por exemplo, montou sua bateria num espaço enviezado para ganhar espaço, e seu banquinho ficava a milímetros de um vão entre o palco e uma porta de emergência que dava acesso à rua. Estranha porta de emergência obstruída pelo palco de madeira, mas na hipótese de um tumulto, o Júnior teria um escape, sem dúvida... 


O dono do bar era um hippie da velha guarda, gente boa, mas completamente doidão. Era uma figuraça e todo mundo na cidade o tinha como um personagem local, pelo que percebemos. Era conhecido pelo apelido de "Biba", mas no sul tal apelido não parecia ter conotação de homossexualismo como tem no nordeste, pois ninguém tecia brincadeiras maliciosas quando o citava.

Além de falar pelos cotovelos, falava coisas absurdas, contando "causos" mirabolantes e no decorrer de poucas horas em que convivemos, deu várias sugestões bizarras para a Patrulha fazer nos shows, em termos de cenários e efeitos, e claro que rendeu muitas risadas de todos.

Aos trancos e barrancos, conseguimos ajeitar-nos no palco. Desconheço fotos desse show, mas sei que existem filmagens de bastidores e trechos do show, que um dia serão disponibilizadas na Internet. Gostaria de rever tais imagens para constatar como conseguimos montar o palco com tão pouco espaço...

O som ficou "setado"(do inglês "Set Up"), no melhor padrão possível diante das circunstâncias de um infraestrutura precária, e por volta das 18:00 h. fomos para a casa do Luciano, onde passamos momentos agradáveis sob sua hospitalidade sensacional, quando curtimos uma sessão de discos de vinil muito legal de sua vasta coleção. Ouvimos entre outros discos, o som do Mandrill, que beleza !!.


Ele era também Luthier, e nos mostrou sua pequena oficina, onde costumava trabalhar no ofício de restaurar instrumentos de corda etc etc.

Fez questão de checar a regulagem de oitavas das guitarras do Marcello e Rodrigo, além dos meus baixos, também. E cometeu uma loucura diante de nossos olhos, que nos arrepiou : pegou uma de suas guitarras (acho que era uma Ibanez), e pediu para o Junior deixar uma assinatura em seu corpo. Daí, em cima da assinatura a caneta, pegou uma ferramenta de marcenaria e tratou de esculpi-la a talhos !!

Sua banda abriria o evento e tratava-se de um Black Sabbath Cover, chamada "Sabbra Cadabbra".


Continua...

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