terça-feira, 24 de março de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 239 - Por Luiz Domingues


Conforme já havia ventilado anteriormente, na Revista Metal, em seu nº 14, foi publicada a resenha oficial do EP. Assinada pelo jornalista Antonio Carlos Monteiro, que aí sim, foi fundo na análise do trabalho.

Eis a transcrição :


"Depois de muita expectativa entre os roqueiros de Sampa, foi lançado, finalmente, o primeiro EP do grupo A Chave do Sol, através do selo Baratos Afins. Mas apesar da demora, quem teve´paciência não se viu frustrado com o disco.

O grupo, formado por Zé Luis (Bateria), Luiz Domingues (Baixo), Fran (Vocais) e Rubens Gióia (Guitarra), mescla o Heavy Metal com o Hard Rock e com o Jazz Rock, e dentro desse estilo, obteve um excelente resultado em sua segunda experiência em estúdio - a primeira havia sido um compacto independente, lançado em 1984.

O EP é aberto com "Anjo Rebelde", um Hard-Rock que lembra, em algumas passagens, o início do Heavy-Metal (vide Purple e Zeppelin), e que se torna primoroso pela bela guitarra do Rubens e pelo vocal bem colocado de Fran.

"Um Minuto Além", a faixa seguinte, trata-se de uma belíssima balada, bem construída e bem executada, e  que possui também uma letra interessante. Nota-se nessa música, toda a influência de Blues que envolve o trabalho fe guitarra de Rubens.

"Segredos" e "Ufos", dois poemas de Julio Revoredo musicados pela banda ( "nós temos muitos amigos poetas que nos dão trabalhos para colocarmos músicas, explica Luiz Domingues), não apresentam grandes novidades.

Já "Crisis (Maya)", número instrumental, é o ponto altro do disco. Nessa faixa é possível perceber nitidamente a tendência "jazz-Metal" da banda : o baixo de Luiz Domingues fazendo uma bela linha e o teclado de Daril Parisi (membro do Platina) dando o clima que a música exige. Nota dez.

E "Ímpeto", composição assinada por todos os membros da banda, é um hard'n roll" vibrante que encerra o EP com chave de ouro.

Vale esperar por esse disco. As eventuais falhas que possam existir acabam sendo passadas para segundo plano pela performance extremamente profissional de cada instrumentista e pelo bom gosto das composições. E a isso ainda some a qualidade das letras, que se destacam dentro da mesmice que invade o Rock nacional".

Antonio Carlos Monteiro

 

 O jornalista Tony Monteiro, em foto bem mais recente

Uma excelente resenha do ótimo jornalista Antonio Carlos Monteiro, que era um dos poucos naquela década, que não estavam inebriados pela estética do pós-punk, e escreviam sem o ranço niilista e odioso, baseado na infame cartilha de Malcolm McLaren.

Sua isenção era total, e de fato, apesar de ser um fã confesso da banda, tinha liberdade para tecer críticas negativas em aspectos que detectava, e assim o fez, conforme está no texto acima.



Continua...

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