quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 45 - Por Luiz Domingues


Mesmo não sendo um show fechado ou produzido pelo empresário Jefferson, ele segurou essa primeira bucha, estando junto conosco nessa aventura maluca no Rio. 

E sua primeira ação concreta para a banda foi fechar um show numa casa noturna que na verdade pertencia ao pessoal da banda que ele empresariava. 

O local se chamava "Pill 100 Bar" e a tal banda, "The Pills". 
 O The Pills, em foto de seu disco, de 1995. Click de Marcia Zoet

Os caras eram conhecidos do Chris Skepis desde 1988, mais ou menos, pois o Jefferson tentou empresariar a banda que o Chris tentou formar no Brasil, assim que voltou da Inglaterra em definitivo, e que seria uma espécie de franquia do Cock Sparrer, sua banda lá na terra da Rainha. 

Dessa banda, saiu o baixista Kuky, que é muito gente boa, e anos depois faria sucesso com a banda pop "Pedra Letícia".

Mas antes de seguir em frente, preciso retroceder um pouco na narrativa, pois acabei me empolgando para falar do show que não houve no Rio (no capítulo anterior), e esqueci de mencionar algumas apresentações que fizemos nesse ínterim. 

Então, logo após o show beneficente no Ginásio do Ibirapuera, patrocinado pelo Governo do Estado, tivemos um choque térmico e tanto. 


Em pouco mais de sete dias, tocamos para um reduzidíssimo público em detrimento das 12 mil pessoas do Ibirapuera. 

Foi um show realizado na casa de shows "Brittania" e com a presença das bandas "Mantra" e Yo-Ho-Delic.

O som do Mantra era um Heavy-Metal modernoso, cara de anos noventa, e a despeito de serem bons músicos, não empolgava ninguém, pela sua insipidez.

Mas o grande revés desse domingo, dia 1° de maio de 1994, foi que o Ayrton Senna faleceu nesse dia, pela manhã, disputando um GP na Itália, e o país caiu numa comoção total. 

Já o Yo-Ho-Delic cancelou participação em cima da hora e nem apareceu no local.

Dessa forma, 50 testemunhas foram ao Brittania para ver Pitbulls on Crack e Mantra, e pareciam mesmo mais interessadas em ver a cobertura do falecimento do piloto, pelos telões espalhados pela casa.

No dia 18 de maio de 1994, uma apresentação numa pequena casa noturna chamada "Noni-Noni", no bairro do Bexiga, também com um público de 50 pessoas. 

Era uma rara oportunidade em que uma banda autoral ali se apresentava, pois tratava-se de um reduto tradicional de bandas cover.

E finalmente no final de maio, dois shows mais agitados, com a participação das bandas Paty up e Velhas Virgens, num show triplo no Garage Rock, de Pinheiros. 

250 pessoas estiveram ali presentes no dia 27 de maio, e no dia seguinte, dia 28, melhor ainda com 360 pessoas.

No início de junho (dia 4), tocamos no Centro Cultural Vergueiro, participando do projeto "Sintonia do Rock".

Dividimos a noite com uma banda chamada "High-Low", da ex-vocalista da "Volkana", Marielle.

200 pessoas assistiram os dois shows. Nesse dia, recordo-me  de ter cometido um ato falho, pois no Centro Cultural era praxe usar o equipamento de palco cedido pelo evento, para todos os artistas e quando fui plugar meu baixo no amplificador, a baixista do High-Low advertiu-me rispidamente que aquele era o seu amplificador pessoal, e não admitia que eu o usasse.

Claro que era seu absoluto direito de não emprestar-me, mas eu não sabia que era dela, e nada justifica a truculência com a qual me tratou (ou destratou, no caso), não considerando que eu não estava agindo de má fé, mas também por falta de educação de sua parte, denotando arrogância e prepotência.

Isso sem contar que de minha parte, perdi as contas de quantas vezes emprestei meu equipamento até para músicos estranhos e portanto, tal demonstração de pedantismo me causa espécie.

Pedi desculpas, naturalmente, ela tirou o cabeçote de marca Gallien-Kruger do palco, e o assistente de produção do Centro Cultural trouxe o cabeçote comunitário para eu usar...era um Gallien-Kruger igualzinho, e portanto, mesmo estando no seu direito de não querer emprestar, como ela poderia supor que eu adivinhasse que aquele amplificador, de marca e modelo idêntico, era particular ?

Digno de nota, o fato de que na música "Under the Light of the Moon", o nosso roadie e presidente do Fã Clube, Jason Machado, foi quem a executou à bateria.

Segundo nos contou, foi de súbito que o baterista da banda, Juan Pastor, percebendo que sua namorada, Carol, se aproximava do palco, levantou-se e sem cerimônias entregou as baquetas para ele lhe disse -"Se vira, entra aí e toca"...

Mesmo estupefato pela loucura de improviso, ele tocou direitinho, sem comprometer a performance da banda, e pelo contrário, mantendo um bom nível.


E finalmente, preciso de um espaço maior para relatar um show de grande proporção que realizamos no início de julho de 1994, e depois de me ater aos detalhes dele, volto à cronologia correta, falando do show no "Pill 100 Bar".

E esse evento tem uma história de arrogância, petulância e prepotência forte nesse relato do show de julho, envolvendo uma banda que estava estourando no mainstream, e era / é queridinha de muitos jornalistazinhos, e seu maldito rabo preso, e além de ser uma excrescência musical, pisou no meu calo, diretamente. 

Aguarde !

Continua...

3 comentários:

  1. No show do centro cultural foi a primeira vez em que eu toquei com vcs.
    No momento em que o Chris apresentava a banda, a Carol, namorada do Pastor na época chegava ao local, ele saiu da bateria para recepciona-lá e me entregou as baquetas.
    O Chris anunciou a música, Under the light...e quando estava apresentando a banda, fui entregar as baquetas e o Pastor me disse "se vira, senta e toca" e começou a dar risadas.
    Eu achando que era brincadeira, fiquei de pé ao lado da bateria com cara de "paisagem" até que realmente me toquei que a coisa era séria e fiz minha "primeira" apresentação junto aos meu "ídolos", posteriormente fiz uma apresentação inteira na cidade de Sorocaba, Interior de SP, num moto clube, ao qual por razões de contatos do Pastor não poderia ser desmarcado e ele com o "pé danificado" não poderia tocar, aí eu fui convocado como substituto. rsrs

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  2. No show do centro cultural foi a primeira vez em que eu toquei com vcs.
    No momento em que o Chris apresentava a banda, a Carol, namorada do Pastor na época chegava ao local, ele saiu da bateria para recepciona-lá e me entregou as baquetas.
    O Chris anunciou a música, Under the light...e quando estava apresentando a banda, fui entregar as baquetas e o Pastor me disse "se vira, senta e toca" e começou a dar risadas.
    Eu achando que era brincadeira, fiquei de pé ao lado da bateria com cara de "paisagem" até que realmente me toquei que a coisa era séria e fiz minha "primeira" apresentação junto aos meu "ídolos", posteriormente fiz uma apresentação inteira na cidade de Sorocaba, Interior de SP, num moto clube, ao qual por razões de contatos do Pastor não poderia ser desmarcado e ele com o "pé danificado" não poderia tocar, aí eu fui convocado como substituto. rsrs

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  3. Ótima lembrança, Jason !

    Vou acrescentar tal particularidade no relato.

    Grato !!

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