quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 44 - Por Luiz Domingues


Após essa aventura maluca na Kombi, que mais parecia o veículo da família Flintstone, chegamos no local, e o clima era pesado na rua, e imediações. 

Não eram nem 19:00 h ainda, e o mundo cão pegava pesado na rua.
Uma matéria e uma resenha, na mesma edição da Revista Rock Brigade, em maio de 1994

A casa era bonita, por se tratar de um casarão amplo, e muito antigo. Contudo, estava em péssimo estado de conservação. 

Naquela noite, tocaríamos com outra banda paulistana, o "Ajna", da vocalista Tibet, e uma banda indie carioca, Scar Soul.
                    A vocalista Tibet, e sua banda, Ajna 

O som da casa era razoável para os padrões do mundo underground, e havia uma iluminação nesse mesmo padrão. O palco era até que amplo e alto, e o enorme salão comportava um público de pelo menos 300 pessoas, acredito. 

O Eric estava hospedado na casa do inglês Ronald Biggs, famoso foragido da justiça britânica, por ter escapado da prisão onde cumpria pena pelo assalto do trem pagador em 1963, um crime escandaloso na Inglaterra.

O Chris aventou a possibilidade de ir à casa dele para tirar fotos da banda com o Biggs, mas não haveria tempo e além do mais, o Eric nos disse que ele, Biggs, costumava cobrar U$ 200 por cada foto, o que o fez desanimar na hora... 

Fizemos o soundcheck, e o som estava razoável para o show.
O soundcheck da banda carioca Scar Soul, nessa noite no Rio.

Então, enquanto o Ajna, e a outra banda realizavam seus respectivos soundcheck, fomos comer, e eu me lembro que assistimos um pedaço do jogo do São Paulo FC na TV, pela Taça Libertadores da América, com o nosso baterista, fanático sãopaulino, roendo as unhas.

Mas aí começou a bizarra noite de terror no Rio. 

De súbito, o corpo de bombeiros apareceu e mediante uma inspeção, resolveu lacrar a casa por absoluta falta de segurança nas instalações elétricas. 

De fato, era visível até para leigos, não precisando ser bombeiro, que o estado da instalação elétrica da casa era péssimo.

Com a interdição, o dono do estabelecimento ficou bem nervoso e houve bate-boca com os bombeiros. 

Com o clima tenso, a casa foi lacrada, e todo mundo convidado a se retirar !! 

Não fazer o show não nos incomodou exatamente, pois a perspectiva não era das melhores. Mas quando o novo empresário da nossa banda foi falar de apoio para bancar a nossa viagem de volta (pelo menos), o proprietário da pocilga soltou-lhe os cachorros...

Na rua, com guitarras; baixo; peças da bateria; mais bagagens, ficamos esperando uma solução atenuadora, mas à essa altura, o clima estava tenso no submundo da rua, com tráfico de drogas comendo solto em cima dos capôs dos carros; brigas (saiu tiroteio, sem cerimônias, algumas vezes naquela noite), e prostituição de baixíssimo nível. 

Nervoso, e perdendo a paciência conosco, o responsável pela casa ficou irredutível. Mediante alguns palavrões, mandou-nos sair da frente dele, e ponto final.  

Foi aí que um dos nossos roadies (Jason Machado estava conosco, também), que era um aluno meu (Marcos Martinez), resolveu intervir, e com a guitarra do Deca na mão, chegou falando para o cara, algo do tipo : -"Você sabe quanto custa uma guitarra Fender Stratocaster ?  

O indivíduo não se fez de rogado e levantando a barra da camisa, deixou à mostra o revólver "38" e respondeu : -"E você, sabe quanto custa uma azeitona no meio da testa" ?

Ha ha ha...o Marcão com quase dois metros de altura, e cheio de vontade de intervir, teve que se conformar em voltarmos por nossa conta à São Paulo. 

Chamamos dois táxis, que percebendo a nossa situação, queriam fazer um preço combinado, sem taxímetro. 
Juan Pastor e Marcos Martinez, voltando para São Paulo, depois daquela noite bizarra...

Após cansativa argumentação, enfim conseguimos seguir para a rodoviária com um carro apenas e uma parte da comitiva, arriscou-se a pé, em plena Praça da Bandeira, um lugar insalubre. 

Certamente, em condições normais, o percurso não durava nem cinco minutos dali até a rodoviária e o preço seria mínimo, pouco além da bandeirada inicial, normal. 

Chegamos em São Paulo no início da manhã, muito cansados, mas com mais uma história bizarra para contar... 

E o início do novo empresário, não podia ter sido pior; com um show não ocorrido; 12 horas de estrada, entre ida e volta, e uma situação desagradável vivida, com perigos iminentes. 

O que não sabíamos, é que mais histórias engraçadas ocorreriam perpetradas por esse empresário.


Continua...  

2 comentários:

  1. Tigueis, vc esqueceu de vários outros acontecimentos...

    1º o tiroteio que presenciamos foi uma tentativa de sequestro, um senhor com um carro "do ano" entrou na rua errada e o pessoal tentou "pegar" ele, porém a policia ali por perto evitou o crime, com o "bang bang".

    2º após eu tirar uma foto da bateria que supostamente havia sido usada pelo METALLICA no Brasil (bateria Luthier), o Jéferson pegou o flash da minha máquina e foi para fora da casa pisca-lo na cara de vcs, atitude idiota pois estávamos como vc citou em frente a uma boca de trafico, e bem no momento em que eu fui para fora com a máquina e estava instalando o mesmo para tirar mais fotos, chegou a casa um traficante que nos ameaçou devido as supostas fotos tiradas do local. o mesmo meliante entrou no bar do "garage rock" que em cima era bar e na parte inferior era uma oficina de motos e pegou sua "12" que estava escondida e enrolada a um jornal.

    3º nos taxis foram se não me engano vc e instrumentos e o Chris em outro, o que me lembro é que eu, Pastor, Deca, Jeferson e Marcão fomos a pé para rodoviária.

    4º na chegada a rodoviária do Tiete, ninguém tinha dinheiro, o que mais tinha era eu com um bilhete "múltiplo de 10" que garantiu minha chegada, junto com o jeferson e mais uma pessoa que estava com ele até o Jabaquara e vc na estação Vergueiro.

    O Chris, Deca, Pastor e Marcao, pegaram um taxi se não me engano para casa do Chris ou do Marcão, para ai sim pegarem um carro e fazer as devidas "entregas".

    Ao chegarmos no Jabaquara, esperamos por mais uma hora até a chegada de uma parente do Jeferson com uma Caravam, que me deixou em casa e depois seguiram para residencia deles próximo ao jardim Marajoara, zona sul de SP.

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  2. Maravilha de adendo, Jason !!

    Tudo o que você contou é verdade e eu me lembrava, mas não quis carregar tanto numa abordagem estilo "Datena" para a minha autobio...ha ha ha...

    Mas já que você acrescentou tudo no comentário, é válido. Está registrado com mais detalhes a nossa noite de horror no Rio...

    Abração !!

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