terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 43 - Por Luiz Domingues


Nessa mesma época, um empresário que o Chris conhecia de outros trabalhos seus, se aproximou de nós, e nos entusiasmamos, pois naquele crescente de exposição que estávamos tendo na mídia, tudo o que precisávamos era de um empresário que capitalizasse esse bom momento que vivíamos, em oportunidades de shows e outras benesses.

Esse sujeito se chamava Jefferson, e empresariava uma banda indie, chamada "The Pills". Ele tinha vários contatos, e chegou já mostrando serviço, pois agendou shows, logo de cara.

E uma de suas ações como empresário, foi nos acompanhar num show no Rio de Janeiro, contudo não era um show que ele havia marcado. Apenas marcou presença como nosso novo agente. 

O empresário Jefferson, no momento em que viajava ao Rio, conosco, numa das viagens mais malucas que a banda havia realizado até então...


E foi uma experiência rica em histórias bizarras, conforme relatarei.

Para início de conversa, digo que esse show seria realizado numa casa de shows chamada "Garage", que segundo me lembro, não tinha relação com a casa de mesmo nome, de São Paulo.

Mas quando me disseram o endereço, fiquei pasmo...Praça da Bandeira...


Quem conhece o Rio, sabe que aquela área é muito deteriorada, e corresponde ao Glicério, em São Paulo, num ambiente de forte mendicância; sujeira; crime; ausência do poder público etc etc.

Por outro lado, estava também acostumado com esse tipo de situação, pois depois do manifesto punk de 1977, associar o Rock aos escombros desoladores e decadentes, virou mote, e verdade absoluta para essa gente. 


Passei os anos 80 e 90 inteiros convivendo com pessoas dessa mentalidade, infelizmente. E sendo assim, ninguém estranhava ir tocar numa pocilga desse naipe, e pelo contrário, era comum aquela interjeição entre eles : 

-"É ducaraio, véio", para qualificar situações aviltantes dessa estirpe, como algo salutar, na visão deles...

Viajamos em linha comercial comum, na hora do almoço, e chegamos ao Rio no final da tarde, quando então, começou a nossa aventura tragicômica... 


Veio nos buscar na rodoviária, o fotógrafo/produtor holandês, Eric de Haas, figura carimbada no meio Rocker paulistano, mas que estava envolvido nessa produção no Rio.

Já começou pelo veículo que usou para nos buscar... 


Era uma Kombi podre, cujo motorista era completamente louco, querendo correr como num fórmula 1, naquele simulacro de automóvel...

Dava para ver o asfalto da rua, com buracos abertos no piso daquela carcaça putrefata !!


Continua...

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