sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 1º/2/2015 - Domingo / 17:00 Horas - Gambalaia - Santo André / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

1º de fevereiro de 2015

Domingo - 17:00 Horas

Gambalaia
(Espaço de Artes e Convivência)

Rua das Monções, 1018

Bairro Jardim

São Paulo - SP

Banda de abertura - O Livro Ata

KK & K :

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz

Luiz Domingues - Baixo

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 45 - Por Luiz Domingues


Mesmo não sendo um show fechado ou produzido pelo empresário Jefferson, ele segurou essa primeira bucha, estando junto conosco nessa aventura maluca no Rio. 

E sua primeira ação concreta para a banda foi fechar um show numa casa noturna que na verdade pertencia ao pessoal da banda que ele empresariava. 

O local se chamava "Pill 100 Bar" e a tal banda, "The Pills". 
 O The Pills, em foto de seu disco, de 1995. Click de Marcia Zoet

Os caras eram conhecidos do Chris Skepis desde 1988, mais ou menos, pois o Jefferson tentou empresariar a banda que o Chris tentou formar no Brasil, assim que voltou da Inglaterra em definitivo, e que seria uma espécie de franquia do Cock Sparrer, sua banda lá na terra da Rainha. 

Dessa banda, saiu o baixista Kuky, que é muito gente boa, e anos depois faria sucesso com a banda pop "Pedra Letícia".

Mas antes de seguir em frente, preciso retroceder um pouco na narrativa, pois acabei me empolgando para falar do show que não houve no Rio (no capítulo anterior), e esqueci de mencionar algumas apresentações que fizemos nesse ínterim. 

Então, logo após o show beneficente no Ginásio do Ibirapuera, patrocinado pelo Governo do Estado, tivemos um choque térmico e tanto. 


Em pouco mais de sete dias, tocamos para um reduzidíssimo público em detrimento das 12 mil pessoas do Ibirapuera. 

Foi um show realizado na casa de shows "Brittania" e com a presença das bandas "Mantra" e Yo-Ho-Delic.

O som do Mantra era um Heavy-Metal modernoso, cara de anos noventa, e a despeito de serem bons músicos, não empolgava ninguém, pela sua insipidez.

Mas o grande revés desse domingo, dia 1° de maio de 1994, foi que o Ayrton Senna faleceu nesse dia, pela manhã, disputando um GP na Itália, e o país caiu numa comoção total. 

Já o Yo-Ho-Delic cancelou participação em cima da hora e nem apareceu no local.

Dessa forma, 50 testemunhas foram ao Brittania para ver Pitbulls on Crack e Mantra, e pareciam mesmo mais interessadas em ver a cobertura do falecimento do piloto, pelos telões espalhados pela casa.

No dia 18 de maio de 1994, uma apresentação numa pequena casa noturna chamada "Noni-Noni", no bairro do Bexiga, também com um público de 50 pessoas. 

Era uma rara oportunidade em que uma banda autoral ali se apresentava, pois tratava-se de um reduto tradicional de bandas cover.

E finalmente no final de maio, dois shows mais agitados, com a participação das bandas Paty up e Velhas Virgens, num show triplo no Garage Rock, de Pinheiros. 

250 pessoas estiveram ali presentes no dia 27 de maio, e no dia seguinte, dia 28, melhor ainda com 360 pessoas.

No início de junho (dia 4), tocamos no Centro Cultural Vergueiro, participando do projeto "Sintonia do Rock".

Dividimos a noite com uma banda chamada "High-Low", da ex-vocalista da "Volkana", Marielle.

200 pessoas assistiram os dois shows. Nesse dia, recordo-me  de ter cometido um ato falho, pois no Centro Cultural era praxe usar o equipamento de palco cedido pelo evento, para todos os artistas e quando fui plugar meu baixo no amplificador, a baixista do High-Low advertiu-me rispidamente que aquele era o seu amplificador pessoal, e não admitia que eu o usasse.

Claro que era seu absoluto direito de não emprestar-me, mas eu não sabia que era dela, e nada justifica a truculência com a qual me tratou (ou destratou, no caso), não considerando que eu não estava agindo de má fé, mas também por falta de educação de sua parte, denotando arrogância e prepotência.

Isso sem contar que de minha parte, perdi as contas de quantas vezes emprestei meu equipamento até para músicos estranhos e portanto, tal demonstração de pedantismo me causa espécie.

Pedi desculpas, naturalmente, ela tirou o cabeçote de marca Gallien-Kruger do palco, e o assistente de produção do Centro Cultural trouxe o cabeçote comunitário para eu usar...era um Gallien-Kruger igualzinho, e portanto, mesmo estando no seu direito de não querer emprestar, como ela poderia supor que eu adivinhasse que aquele amplificador, de marca e modelo idêntico, era particular ?

Digno de nota, o fato de que na música "Under the Light of the Moon", o nosso roadie e presidente do Fã Clube, Jason Machado, foi quem a executou à bateria.

Segundo nos contou, foi de súbito que o baterista da banda, Juan Pastor, percebendo que sua namorada, Carol, se aproximava do palco, levantou-se e sem cerimônias entregou as baquetas para ele lhe disse -"Se vira, entra aí e toca"...

Mesmo estupefato pela loucura de improviso, ele tocou direitinho, sem comprometer a performance da banda, e pelo contrário, mantendo um bom nível.


E finalmente, preciso de um espaço maior para relatar um show de grande proporção que realizamos no início de julho de 1994, e depois de me ater aos detalhes dele, volto à cronologia correta, falando do show no "Pill 100 Bar".

E esse evento tem uma história de arrogância, petulância e prepotência forte nesse relato do show de julho, envolvendo uma banda que estava estourando no mainstream, e era / é queridinha de muitos jornalistazinhos, e seu maldito rabo preso, e além de ser uma excrescência musical, pisou no meu calo, diretamente. 

Aguarde !

Continua...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 44 - Por Luiz Domingues


Após essa aventura maluca na Kombi, que mais parecia o veículo da família Flintstone, chegamos no local, e o clima era pesado na rua, e imediações. 

Não eram nem 19:00 h ainda, e o mundo cão pegava pesado na rua.
Uma matéria e uma resenha, na mesma edição da Revista Rock Brigade, em maio de 1994

A casa era bonita, por se tratar de um casarão amplo, e muito antigo. Contudo, estava em péssimo estado de conservação. 

Naquela noite, tocaríamos com outra banda paulistana, o "Ajna", da vocalista Tibet, e uma banda indie carioca, Scar Soul.
                    A vocalista Tibet, e sua banda, Ajna 

O som da casa era razoável para os padrões do mundo underground, e havia uma iluminação nesse mesmo padrão. O palco era até que amplo e alto, e o enorme salão comportava um público de pelo menos 300 pessoas, acredito. 

O Eric estava hospedado na casa do inglês Ronald Biggs, famoso foragido da justiça britânica, por ter escapado da prisão onde cumpria pena pelo assalto do trem pagador em 1963, um crime escandaloso na Inglaterra.

O Chris aventou a possibilidade de ir à casa dele para tirar fotos da banda com o Biggs, mas não haveria tempo e além do mais, o Eric nos disse que ele, Biggs, costumava cobrar U$ 200 por cada foto, o que o fez desanimar na hora... 

Fizemos o soundcheck, e o som estava razoável para o show.
O soundcheck da banda carioca Scar Soul, nessa noite no Rio.

Então, enquanto o Ajna, e a outra banda realizavam seus respectivos soundcheck, fomos comer, e eu me lembro que assistimos um pedaço do jogo do São Paulo FC na TV, pela Taça Libertadores da América, com o nosso baterista, fanático sãopaulino, roendo as unhas.

Mas aí começou a bizarra noite de terror no Rio. 

De súbito, o corpo de bombeiros apareceu e mediante uma inspeção, resolveu lacrar a casa por absoluta falta de segurança nas instalações elétricas. 

De fato, era visível até para leigos, não precisando ser bombeiro, que o estado da instalação elétrica da casa era péssimo.

Com a interdição, o dono do estabelecimento ficou bem nervoso e houve bate-boca com os bombeiros. 

Com o clima tenso, a casa foi lacrada, e todo mundo convidado a se retirar !! 

Não fazer o show não nos incomodou exatamente, pois a perspectiva não era das melhores. Mas quando o novo empresário da nossa banda foi falar de apoio para bancar a nossa viagem de volta (pelo menos), o proprietário da pocilga soltou-lhe os cachorros...

Na rua, com guitarras; baixo; peças da bateria; mais bagagens, ficamos esperando uma solução atenuadora, mas à essa altura, o clima estava tenso no submundo da rua, com tráfico de drogas comendo solto em cima dos capôs dos carros; brigas (saiu tiroteio, sem cerimônias, algumas vezes naquela noite), e prostituição de baixíssimo nível. 

Nervoso, e perdendo a paciência conosco, o responsável pela casa ficou irredutível. Mediante alguns palavrões, mandou-nos sair da frente dele, e ponto final.  

Foi aí que um dos nossos roadies (Jason Machado estava conosco, também), que era um aluno meu (Marcos Martinez), resolveu intervir, e com a guitarra do Deca na mão, chegou falando para o cara, algo do tipo : -"Você sabe quanto custa uma guitarra Fender Stratocaster ?  

O indivíduo não se fez de rogado e levantando a barra da camisa, deixou à mostra o revólver "38" e respondeu : -"E você, sabe quanto custa uma azeitona no meio da testa" ?

Ha ha ha...o Marcão com quase dois metros de altura, e cheio de vontade de intervir, teve que se conformar em voltarmos por nossa conta à São Paulo. 

Chamamos dois táxis, que percebendo a nossa situação, queriam fazer um preço combinado, sem taxímetro. 
Juan Pastor e Marcos Martinez, voltando para São Paulo, depois daquela noite bizarra...

Após cansativa argumentação, enfim conseguimos seguir para a rodoviária com um carro apenas e uma parte da comitiva, arriscou-se a pé, em plena Praça da Bandeira, um lugar insalubre. 

Certamente, em condições normais, o percurso não durava nem cinco minutos dali até a rodoviária e o preço seria mínimo, pouco além da bandeirada inicial, normal. 

Chegamos em São Paulo no início da manhã, muito cansados, mas com mais uma história bizarra para contar... 

E o início do novo empresário, não podia ter sido pior; com um show não ocorrido; 12 horas de estrada, entre ida e volta, e uma situação desagradável vivida, com perigos iminentes. 

O que não sabíamos, é que mais histórias engraçadas ocorreriam perpetradas por esse empresário.


Continua...  

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 43 - Por Luiz Domingues


Nessa mesma época, um empresário que o Chris conhecia de outros trabalhos seus, se aproximou de nós, e nos entusiasmamos, pois naquele crescente de exposição que estávamos tendo na mídia, tudo o que precisávamos era de um empresário que capitalizasse esse bom momento que vivíamos, em oportunidades de shows e outras benesses.

Esse sujeito se chamava Jefferson, e empresariava uma banda indie, chamada "The Pills". Ele tinha vários contatos, e chegou já mostrando serviço, pois agendou shows, logo de cara.

E uma de suas ações como empresário, foi nos acompanhar num show no Rio de Janeiro, contudo não era um show que ele havia marcado. Apenas marcou presença como nosso novo agente. 

O empresário Jefferson, no momento em que viajava ao Rio, conosco, numa das viagens mais malucas que a banda havia realizado até então...


E foi uma experiência rica em histórias bizarras, conforme relatarei.

Para início de conversa, digo que esse show seria realizado numa casa de shows chamada "Garage", que segundo me lembro, não tinha relação com a casa de mesmo nome, de São Paulo.

Mas quando me disseram o endereço, fiquei pasmo...Praça da Bandeira...


Quem conhece o Rio, sabe que aquela área é muito deteriorada, e corresponde ao Glicério, em São Paulo, num ambiente de forte mendicância; sujeira; crime; ausência do poder público etc etc.

Por outro lado, estava também acostumado com esse tipo de situação, pois depois do manifesto punk de 1977, associar o Rock aos escombros desoladores e decadentes, virou mote, e verdade absoluta para essa gente. 


Passei os anos 80 e 90 inteiros convivendo com pessoas dessa mentalidade, infelizmente. E sendo assim, ninguém estranhava ir tocar numa pocilga desse naipe, e pelo contrário, era comum aquela interjeição entre eles : 

-"É ducaraio, véio", para qualificar situações aviltantes dessa estirpe, como algo salutar, na visão deles...

Viajamos em linha comercial comum, na hora do almoço, e chegamos ao Rio no final da tarde, quando então, começou a nossa aventura tragicômica... 


Veio nos buscar na rodoviária, o fotógrafo/produtor holandês, Eric de Haas, figura carimbada no meio Rocker paulistano, mas que estava envolvido nessa produção no Rio.

Já começou pelo veículo que usou para nos buscar... 


Era uma Kombi podre, cujo motorista era completamente louco, querendo correr como num fórmula 1, naquele simulacro de automóvel...

Dava para ver o asfalto da rua, com buracos abertos no piso daquela carcaça putrefata !!


Continua...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - capítulo 42 - Por Luiz Domingues


A história desse patrocínio foi mais um contato aberto pelo nosso baterista, Juan Pastor. 

A verdade é que paralelo ao crescimento da banda, ele também ascendia na sua carreira como radialista.

Quando o Pitbulls começou em janeiro de 1992, ele era estagiário na emissora, e ainda concluía seu curso na Faculdade. 


Mas nesta altura de 1994, havia crescido na empresa, e já era figura-chave na engrenagem da rádio, com colaboração nos textos; programação, e locução. 

Dessa forma, tornou-se também muito assediado por artistas e aspirantes a; mais produtores; jornalistas, divulgadores de gravadoras etc etc. 

E num desses contatos, conheceu um rapaz que tinha uma confecção de surf/streetwear, e que lhe ofereceu patrocínio para o Pitbulls on Crack.

Era uma quantidade razoável de camisetas por mês, em troca de ações de merchandising simples de nossa parte, tais como : o nome deles exposto em cartazes e filipetas, e que usássemos nos shows, suas camisetas e/ou bonés exibindo a logomarca deles. 


Simples, sem sacrifícios maiores.

Evidentemente que topamos.

Nessas fotos informais, clicadas pelo presidente do fã-clube, Jason Machado, por ocasião de um ensaio da banda no estúdio Spectrum, em 1994, dá para ver o Chris Skepis usando uma camiseta que o patrocinador fez para nós, e eu, Luiz Domingues, usando outra, de cor preta, com sua espalhafatosa logomarca...
  
Não havia contrato, apenas um acordo verbal. Então recebemos o primeiro lote de camisetas. Eram simples, com o logo do Pitbulls, mais a mesma figura do cão pitbull que usávamos no cenário, e na parte de trás, a logomarca da empresa.

O grande problema, é que na "hora H" de usar as camisetas com a marca deles, mais gritante nos shows, ninguém quis usar, pois era espalhafatosa demais !!

Como resultado, só eu passei a usá-la regularmente para honrar o compromisso. Era uma camiseta preta, com letras garrafais em laranja. Quem me conhece, sabe que raramente, para não dizer nunca, uso camisetas.  


E se tiver que usar, jamais seria preta, e ainda mais com aquela logomarca gritante e evocando streetwear, algo que abomino.

Foram poucos shows nesse sacrifício, contudo, pois logo o patrocínio foi rompido, porque a confecção entrou numa crise interna e ficou impossibilitada de nos fornecer mais camisetas...


E nesse caso, não sabia se ria ou chorava...

Continua...

domingo, 25 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 41 - Por Luiz Domingues


Inacreditável, mas eu consegui olhar na multidão, e identificar o agressor. 

Era um garotão de longos cabelos Dreadlock; bermuda; cheio das tatuagens, e piercings. 

Quando percebeu que o mirei e olhei feio, ele enlouqueceu, e passou a gritar a plenos pulmões que era ele mesmo que havia atirado, e que pretendia me matar... claro que não ouvia a sua voz, mas compreendi sua intenção pelo gestual, principalmente pelo típico sinal de que gostaria de cortar a minha garganta, mediante uma faca...

Fiquei muito chateado, pois estava no meio da mais conhecida música da banda, não tendo a reação que eu esperava, e um babaca daqueles me agredindo gratuitamente... 


Tentei voltar ao foco da música, mas aquilo me chateou por vários motivos. 

Primeiro pelo óbvio, que foi ser agredido gratuitamente. 

Em segundo lugar, por me desconcentrar num momento crucial para a banda no show, e por me surpreender num momento onde eu divagava mentalmente enquanto tocava, sobre o motivo da nossa performance não ter comovido a plateia, mesmo com a música que executávamos estando no topo da parada, de uma emissora de rádio que tinha picos de audiência de um milhão de pessoas...isso sem contar o também maciço apoio da MTV, veiculando o respectivo vídeo-clip da referida canção...

Ainda tocamos mais duas músicas, e saímos do palco com a missão cumprida em termos.


No camarim, só eu estava com essa percepção de que havíamos perdido uma oportunidade para deslanchar, pois os outros três, estavam contentes com a performance.

Aquilo me deixou confuso à época, pois cheguei a raciocinar que talvez estivesse sendo excessivamente exigente conosco. Mas com o passar do tempo e distanciamento histórico, hoje tenho a certeza de que esse show foi decisivo para mostrar que o Pitbulls, apesar das enormes chances que estava tendo, jamais alcançaria o mainstream. 


Mas a vida seguiu, e outras chances grandes o Pitbulls ainda teria...

A seguir, falarei sobre o patrocínio de merchandising que nos foi oferecido, e como só eu tive o propósito de colaborar com o patrocinador, sacrificando-me em alguns shows para honrar o compromisso firmado...

E não passou muito tempo, encontrei o agressor do Ibirapuera numa situação bizarra, mas ele não me matou, como havia prometido...



Todas as fotos ao vivo desse show do Ibirapuera, são clicks de Marcelo Rossi


Continua...

sábado, 24 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 40 - Por Luiz Domingues


O nome oficial do evento era : "Rock For Help ! O Rock Contra o Frio". 

Foi realizado no dia 23 de abril de 1994, e no cast constavam : Fickle Pickle; Neanderthal; Raimundos; Rip Monsters; Golpe de Estado; Anjos dos Becos; Não Religião; Doctor Sin; Ratos do Porão; Yo-Ho-Delic; Inocentes; Ira, e Pitbulls on Crack.

Quando chegamos ao Ginásio do Ibirapuera, ele já estava inteiramente tomado. Acredito que com a soma da pista, deviam ter ali cerca de 12 mil pessoas. 


Os locutores da 89 FM faziam o trabalho de apresentadores do evento, e parecia tudo animado e organizado.

Chegamos ao camarim, e havia uma confraternização de músicos de todas as bandas que citei. De minha parte, conhecia todos, praticamente.

A ideia era tocar entre quatro e cinco músicas cada um, para evidentemente ficar razoável para a continuidade do evento.

Na nossa vez de entrar, quem estava apresentando era o locutor Edgard, que hoje ficou famoso após fases na MTV, e Canal Multishow. 


O meu amigo/Roadie José Reis, foi montar o meu transmissor Nady, mas ele pifou segundos antes de sermos chamados no palco. Às pressas, ele substituiu-o por um tradicional cabo de conexão P10.

O Edgard fez a nossa apresentação e nos chamou. Fomos recebidos com aplausos, mas nada triunfal. 


Começamos a tocar e apesar do equipamento bom, com monitoração bacana, sentimos que não estávamos empolgando a audiência. Tudo bem, veio a segunda música, e um grupo "ali e aqui" aplaudia, mas sem ser nada efusivo.

Quando o Chris executou os primeiros acordes de "Under the Light of the Moon", à guitarra, pensei comigo :  -"agora vai ter uma reação", pois era justamente a música de trabalho, que estava bombando na rádio, e na MTV.

Após os acentos de peso do baixo e bateria juntos, a tendência seria causar um frisson na plateia, mas só vias grupos esparsos dançando e curtindo.

Foi quando um violento impacto no corpo do meu baixo, tirou-me a concentração. Alguém havia atirado um rolo de papéis amassados para me afrontar.

Parece incrível, mas em meio à 12 mil pessoas...

Foto de Marcelo Rossi

Continua...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 24/1/2015 - Sábado / 21 h. - Santa Sede Rock Bar - Santana - São Paulo / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

24 de janeiro de 2015

Sábado  -  21:00 Horas

Santa Sede Rock Bar

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Santana

Estação Parada Inglesa do Metrô

São Paulo - SP

KK & K :

Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues -Baixo

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Carta à Amiga - Por Marcelino Rodriguez



Verdade, Tany, que ainda que o domingo estivesse nublado, ameaçando cair chuva sobre a minha solidão civil, eu gostaria de estar contigo talvez, falando coisas sobre a maneira como as gaivotas pousam de leve na superfície das ondas do mar...
 

Como andam, aliás, suas esperanças ?  

Aqui eu tenho trabalhado com as duas mãos para manter-me, impávido, dispondo somente de um rádio relógio que conta meus dias, a cama para dormir e as vozes que chegam-me do deserto dos computadores, entre as quais a sua, amiga.
 

Te contei que Mariana Brazil mandou-me seu excelente livro "Entre Fronteiras", que fala do sofrimento e da luta de meninas latino-americanas no mundo da prostituição, da Itália ? 

Ou que tem sido boa para mim a amizade do autor do blog cosmopolita ? 

E que a viúva do Taiguara, escritora e índia, mandou-me um cheiro da mata ? 

Que fiquei alheio a política, porque acredito que sem educação nada é viável ? 

Que dedicar-me ao espírito e a arte é toda crença que me resta, depois de Bagdá destruída ?  

Sim, amiga. Te digo que sou grato pelos poemas de Neruda que vez ou outra descubro contigo...
 

Não sei como passa contigo a inspiração, mas te queria falar desde ontem, essas coisa borbulhando dentro de mim ! Meu quarto tem sido todo meu universo solitário dentro da literatura.
 

A sorte são que as asas, o sangue e a mitologia, que te digo pois que Deus misturou minha vida com a dos anjos.
 

No mais, espero em breve tomar um café expresso numa livraria qualquer contigo para falarmos, entre outras coisas, desses nossos tempos virtuais. 



Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2.
Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica curta, leve e saborosa, extraída de seu livro, "Bom Dia Espanha".