domingo, 5 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 27 - Por Luiz Domingues


E assim foi, não teve jeito. 

Precisei mudar-me com a família, e a partir de maio de 1990, deixando a Vila Mariana, onde tivera efêmera estadia, e indo para a Aclimação, bairro vizinho. 

O ambiente era o melhor possível, pois fui morar num pedaço do bairro super residencial, arborizado e muito perto do seu famoso parque (Parque da Aclimação). 

Mas era um apartamento menor, e pelo fato de estar localizado cerca de oito quarteirões da estação de metrô mais próxima, poderia desanimar alguns alunos. 

Todavia, para a minha surpresa, não tive prejuízo algum. 

Numa Era pré-Google Maps, fiz mapinha manuscrito, que xeroquei e distribuí à todos os meu alunos, e a vida seguiu na rotina, assim que chegou a primeira terça-feira após a mudança. 

O que eu não poderia prever é que estava iniciando-se uma fase decisiva de minhas aulas, onde estava prestes a conhecer uma série de pessoas que seriam decisivas na minha trajetória musical dali em diante. 

Fiquei pouco nesse apartamento da Aclimação, quando mudei-me a seguir (em 1991), para um sobrado muito próximo dali, e aí sim, muitas mudanças ocorreriam. 

Mas o assunto agora é maio de 1990.

Mesmo contando com meu quadro normal de alunos, aceitei um convite para lecionar num espaço alternativo. Julguei que seria uma oportunidade boa para expandir-me como professor, e calhava com uma época da vida onde estava sem banda autoral no momento, e sendo convidado para diversos trabalhos e projetos. 

Essa história já está toda escrita no tópico, "Trabalhos Avulsos".
                           André Pomba" Cagni, em foto bem mais atual

O espaço onde aceitei ministrar aulas era o Dynamite, a convite de meu amigo André "Pomba" Cagni, que em sociedade com o fotógrafo holandês, Eric De Haas, abrira desde o fim dos anos oitenta, um espaço próximo ao Sesc Vila Nova (na Vila Buarque, próximo ao centro de São Paulo). 

Era um misto de redação da revista; com loja de instrumentos; acessórios e discos, mais espaço de shows e salas de ensaios para bandas.

Diversificando ao máximo o empreendimento, o André quis também colocar aulas de todos os instrumentos. 

Para ministrar aulas de baixo, convidou-me, pois como gerente geral do negócio, não tinha tempo algum para ele mesmo fazê-lo, visto ser baixista e professor, também. 

Aceitei o convite e passei a visitar o espaço uma vez por semana. Em princípio, só havia uma aluna matriculada. Era uma adolescente chamada Gisele. Menina muito novinha, mas aplicada aluna.

Como o tempo foi passando e não apareceram outros candidatos, ficou inviável para mim continuar, pois perdia tempo me deslocando para ir e voltar ao centro da cidade para dar uma única aula, e se ficasse em casa, poderia ter mais três alunos tranquilamente com esse tempo gasto, e sem precisar pagar uma taxa à escola. 

O André entendeu tranquilamente e sendo gentil, falou para a minha aluna ficar à vontade para me acompanhar, deixando a escola da Dynamite, pois ele mesmo sentiu que o negócio das aulas não estava indo do jeito que ele gostaria, e as outras atividades da casa iam muito melhor.

Mas a garota morava lá para os lados da Vila Leopoldina, extremo da Zona Oeste de São Paulo, e ir à Aclimação ficaria inviável para ela, também.

Dessa forma, deixei o espaço e foi a minha única incursão como professor, num espaço alternativo, fora de meu esquema normal. 

Claro, o fato de ter usado a casa do Beto por quase dois anos e eventuais aulas ministradas em domicílio, não caracterizavam algo fora do meu esquema. 

Continua...

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