domingo, 5 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 28 - Por Luiz Domingues


Firmando meu novo apartamento como local de aulas, iniciei então uma fase próspera, com a manutenção de uma média alta de alunos.

Nessa época, segundo semestre de 1990, entraram diversos alunos novos. 

Uma nova safra com objetivos já diferenciando-se do perfil do meu início como professor. Era cada vez mais rara a presença de aficionados do Heavy-Metal oitentista, e começaram a surgir, ainda que timidamente em princípio, garotos interessados espontaneamente em Rock retrô, 60/70.
Muitos anos depois, numa coincidência incrível, minha aluna, Alcione Sana, se formaria radialista e seria um membro fixo da Rádio Matraca de meus amigos Laert Sarrumor e Ayrton Mugnaini Jr. Nessa foto promocional do programa, "devora" um LP de vinil, com ambos.

Lembro-me da entrada de alunos como Alcione Sana, que anos depois se formaria radialista, e seria parceira de Laert Sarrumor & Ayrton Mugnaini Jr., no programa radiofônico, "Rádio Matraca". 



Carlos Antonio Keller Rodrigues, popular "Cali", que se tornaria um grande amigo, e por ser dono de um posto de gasolina, eu passaria a ser cliente dele sistematicamente também, vindo a conhecer toda a sua família. Sua irmã, Claudia Keller, namorava o baterista Paulo Zinner (Golpe de Estado, Rita Lee), nessa época, o que nos unia ainda mais com conexões sociais amigas, no métier do Rock paulistano.

Lembro-me também de Simone Zerbinato, que era também muito amiga dos membros do Golpe de Estado, e trabalhava como assessora de uma vereadora na câmara municipal de São Paulo. Bem politizada, acabou enveredando na política, e hoje vive em Brasília.

Outro caso que tinha grande admiração, era o de um garoto chamado Marcelo, cujo sobrenome fugiu-me completamente, só me lembro que era italiano, embora ele fosse corintiano...(para compensar, nessa mesma época, havia outro aluno cujo sobrenome era "Sanches", típico espanhol, e vinha com a camiseta do Palmeiras por baixo da camisa, em todas as aulas...).

Futebol e colônias à parte, digo que eu admirava a força de vontade desse Marcelo, porque ele vinha de muito longe. Ele morava em Embu das Artes, um município na Grande São Paulo, mas longe da capital. E para agravar, ele não morava na cidade em si, mas sim na zona rural, num sitio distante do perímetro urbano. 

Sua saga para estar na minha casa às 11:00 horas da manhã dos sábados, começava ainda sem a presença do sol, onde encarava uma caminhada no escuro, indo até o centro de sua cidade, para tomar um ônibus até São Paulo, que o deixava no bairro de Pinheiros, e depois, mais um dali até à Aclimação. 

Sua tenacidade era admirável, pois nunca faltou e não foram poucas as ocasiões onde a falta seria amplamente justificável. Muitas vezes gripado, ou ensopado por ter vindo debaixo de chuva torrencial e até mesmo num dia de greve de motoristas de ônibus, onde sob sacrifício total, apareceu na minha casa, deixando-me orgulhoso.

Em 1992, dei-lhe carona até a sua casa após um show do Pitbulls on Crack que ele foi ver, e essa admiração só aumentou. 

Quando deixamos o perímetro urbano da cidade de Embu das Artes, rumo ao sitio, pude ver o quanto era longe o percurso a pé. E a entrada do sítio era afastada, ou seja, ele andava bastante até alcançar a estradinha de terra que o levava até a cidade. 

O percurso do ônibus de Embu até o bairro de Pinheiros em São Paulo, demorava mais 1 hora e meia, fora a espera, e dali até a Aclimação, pelo menos mais 45 minutos, se o trânsito estivesse bom. 

Exemplos assim me comoviam, certamente.


Continua...

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