domingo, 5 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 30 - Por Luiz Domingues



Os ventos do grunge já se faziam soar pelos lados de cá, e o reflexo se dava nas minhas aulas. 

Fora a febre Guns' n Roses que nada tinha a ver com esse processo, passou a ser comum alunos me pedirem para tirar riffs do Soundgarden e Pearl Jam, principalmente. 

O Nirvana só foi estourar para valer mesmo alguns meses depois já no decorrer de 1991, e consolidar-se em 1992. 

Sorte a minha, pois "tirar" aquelas linhas de baixo medíocres, daquele baixista horroroso do Nirvana, teria sido o supra-sumo da humilhação... 

Entrou enfim o ano de 1991, e esse panorama prosseguiu, com um aumento significativo de alunos divididos entre o grunge daquela atualidade, e o som vintage das décadas de sessenta e setenta.  

O interessante era que diminuía visivelmente o número de alunos ligados no heavy-metal oitentista, denotando um sinal de mudança, com o fim de uma Era.

Concomitantemente, o primeiro semestre de 1991, foi uma fase de diversas propostas de trabalho que tive, e tudo isso já está amplamente contado no capítulo "Trabalhos Avulsos".  

E como venho dizendo, os sinais iniciais de que na década de noventa eu teria uma boa surpresa com a minha safra de alunos, começaram a pipocar.

A aluna Alcione Sana, que já citei anteriormente, era nessa época muito novinha, mas surpreendia nesse aspecto. Costumava chegar na minha aula vinda uniformizada do colégio onde estudava, e apesar da pouquíssima idade, queria tocar músicas dos Kinks; Them; Pretty Things, e Small Faces, entre outras bandas da década de sessenta.

Claro que eu não enxergava isso como uma tendência no primeiro semestre de 1991, mas vendo hoje em dia, com o distanciamento histórico, isso é evidente. 

Outros alunos que apareceram nesse início de 1991, foram Milton Freitas, José Carlos Ferreira, Magá, Wagner Guerra e Lincoln, dos que me lembro pelo nome.

E um garoto que também vinha direto da escola, e impressionava-me pela articulação, e cultura acima da média, chamado Christian Du Voisin.  Esse no entanto, gostava de coisas modernosas, e sua banda de cabeceira era o Red Hot Chili Peppers.



Continua... 

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