sábado, 4 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 25 - Por Luiz Domingues


Virando para o ano de 1990, entramos enfim numa fase de mais esperança em possíveis resgates. 

Dava para sentir no ar uma atmosfera diferente em relação aos anos anteriores. Ainda era, cronologicamente falando, o último ano da década de 1980, mas era nítido o sinal de abrandamento daquelas trevas oitentistas, pintadas de preto e cinza.

Nesse início de ano, lembro-me que arrumei um aluno no Rio de Janeiro, também. E como costumava ir lá quinzenalmente, fazia uma aula dupla por quinzena.

E assim, ajudava-me a custear a despesa da viagem. Era um adolescente fanático pelo Iron Maiden e tinha um baixo Fender Precision azul, só para acompanhar o seu ídolo daquela banda britânica. Ele achava que eu gostava do Steve Harris, e sua Donzela de Ferro, mas isso nunca fez minha cabeça, pelo contrário...

Nessa altura, o meu sábado era o dia mais pesado, pois começava às 8:00 h da manhã e só encerrava às 20:00 h, sem interrupções para almoço, café e lanche. Era "um dia de cão", como diria o Al Pacino...

Foi no início de 1990, que um aluno novo me foi indicado pelo meu amigo José Fazano, chamado José Reis Gonçalves de Oliveira.
Momento de descontração no camarim de um show do Pitbulls on Crack em 1993. José Reis é o rapaz de óculos e nessa ocasião, era roadie da banda

O Zé Reis como passei a chamá-lo, tornou-se um dos meus melhores amigos, sendo testemunha ocular de toda a trajetória do Pitbulls on Crack, a partir de 1992, fora diversas outras jornadas musicais minhas. 

Sua primeira atuação ajudando-me como roadie, foi logo em 1990 mesmo, na banda Electric Funeral, tributo ao Black Sabbath, onde eu faria algumas participações, e logo depois no "Pinha's Band", pois foi ele que me indicou como baixista ao baterista Paolo Girardello (as duas histórias já devidamente narradas nos capítulos "Trabalhos Avulsos").
Nelson Binatti em foto posterior ao momento em que foi meu aluno

Outro dessa época, início de 1990, foi o Nelson Binatti, que logo que o conheci, descobri que era amigo do Osvaldo "Galinha", ex-baixista do Salário Mínimo, e por muitos anos, roadie do Roberto de Carvalho, marido/guitarrista da Rita Lee.
Marcos Martines em foto dos anos 2000, muitos anos depois de frequentar as minhas aulas

Outro que também se tornaria amigo e testemunha de muitas jornadas, foi o Marcos Martines. Ele era um cara extremamente determinado. Nessa fase, acabou ficando pouco.  Ele saiu e voltaria a me procurar em 1992, quando aí engatou uma sequência firme de aulas e se enturmaria fortemente com diversos outros alunos meus. 

E falando sobre resgates, o que eu comecei a vislumbrar muito sutilmente a partir de 1988, quando vi o clip da música "When We Was Fab", do George Harrison na TV, foi crescendo a partir de 1989. 

Via com bons olhos o sucesso meteórico do Guns'n Roses, embora não achasse a banda grande coisa, muito pelo seu vocalista de voz esganiçada e presença de palco espalhafatosa. 

Mas também estava atento à uma certa cena de resgate da Soul Music, onde artistas como Terence Trent D'Arby; Seal, e Simply Red pareciam estar trazendo a velha pegada da Motown em suas respectivas obras, ainda que a produção de estúdio dos três, tivesse ranços do pop oitentista, ainda muito delineados. 

Não demoraria muito e eu conheceria enfim artistas realmente coadunados com essa questão do resgate, tais como The Black Crowes e Lenny Kravitz. Eram sinais alentadores, sem dúvida e nessa altura, 1990, eu já alimentava fortemente essa vontade de querer buscar minhas raízes, processo que só aumentou com o decorrer dos anos noventa, e já detalhado nos capítulos sobre três bandas onde toquei : Pitbulls on Crack; Sidharta, e Patrulha do Espaço.


Continua...

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