sábado, 4 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 36 - Por Luiz Domingues

Então, o próximo show seria num evento coletivo, em prol das vítimas da Aids. Esse show estava sendo organizado pela revista "Dynamite", e o local escolhido foi um Teatro no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo, chamado "Brittania". Era na verdade um ex-cinema desses de bairro, com instalações de grande porte e excelente localização, em plena Av. Jabaquara, e com estações do Metrô, próximas. 
Houve uma divulgação boa e cerca de 800 pessoas estiveram presentes. Nessa noite, além do Pitbulls on Crack, também tocaram : "Rip Monsters"; "Yo-Ho-Delic"; "Anjos dos Becos"; "Korzus", e outras. O que ocorreu de excepcional, foi que como o camarim não comportava tantas bandas acomodadas juntas, houve um remanejamento. Enquanto esperavam uma ordem de chamada, muitas aguardavam misturadas ao público. Então, na hora que a vocalista Tibet, uma das organizadoras do evento, foi chamar-nos, fomos todos seguindo-a normalmente pelo saguão lotado de gente e na porta de acesso aos camarins, todo mundo entrou, mas o segurança barrou-me, mesmo vendo que eu estava junto e carregando um case (estojo), de instrumento. Sei lá, cismou que eu não fosse da banda, e barrou-me.

Foi ridículo, pois os colegas passaram e do nada, o energúmeno colocou a mão no meu peito, e ficou irredutível dizendo que eu não estava autorizado a entrar. E em meio àquela zoeira, com uma banda tocando, aquela multidão berrando etc, os amigos nem ouviram meus gritos chamando-os, nem a Tibet. Então, cansado de argumentar com aquele senhor que doravante passou a adotar uma postura de múmia, fiquei bem perto da borda do palco e esperei uma oportunidade de sinalização visual com alguém da produção. E ninguém via-me naquela balbúrdia... a banda anterior terminou sua apresentação (não lembro-me, mas acho que era o "Viper"), e só depois que os três membros do Pitbulls on Crack começaram a ajustar-se, perceberam a minha falta !! Então, a Tibet foi ao microfone e chamou-me. Não deixou de ser ridículo também, pois muita gente deve ter achado a minha postura no mínimo amadorística, por estar desatento e longe do palco...
Continua...

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