segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 16 - Por Luiz Domingues


E chegou a minha vez de gravar o baixo... 
Gravando o primeiro disco do Pedra, no início de 2005...

Digo sem medo de errar, que foram os melhores timbres de toda a minha carreira. O Renato Carneiro soube extrair o melhor de meus instrumentos, amplificador e caixas.

Sua experiência de operar P.A. gigantescos ao vivo, lhe deram um talento ímpar para detectar frequências, como um professor de química que conhece a tabela periódica de cor e salteada. 


 

Os timbres de Fender, tanto Jazz Bass quanto Precision, ficaram magníficos. 

Tenho muito orgulho desse disco, por vários motivos, entre os quais, o resultado "timbrístico" dos baixos nele gravados.


O Rickenbacker também ficou bom, mas um pouco aquém de sua potencialidade natural. Nesse caso, eu sei que o Renato teve de conter na mixagem, e na masterização, certas frequências excessivas e naturais dele, que se chocavam sobretudo com o piano de faixas como "Madalena do Rock'n Roll" e "Reflexo Inverso". 

Mas em músicas como "Me Chama na Hora"; "Vai Escutando", e "O Dito Popular", o timbre do Fender Precision ficou simplesmente espetacular.

O estalo típico do instrumento realçou-se de uma forma a evocar o som de baixo do Roger Waters; Glenn Hughes na época do Trapeze; John Wetton no Family; King Crimson, e Uriah Heep, e Phil Linnot do Thin Lizzy. 

E o Jazz Bass ficou um "veludo" de tão "macio", e absurdamente "gordo" em músicas como "Sou Mais Feliz" e "Amanhã de Sonho", evocando as maiores tradições da Black Music, em gravações da Motown, pilotadas por músicos como James Jamerson, e Donald "Duck"Dunn.  

A minha decisão pessoal em escolher o baixo para cada música, se baseia desde que a música nasce nos seus primeiros ensaios de composição. Vou imaginando a vibração da música e daí, escolho uma influência que se coadune com ela, e na minha cabeça, defino qual instrumento usar, baseado nesse sentimento que a música me passa.

Portanto, com essa metodologia, raramente erro na escolha e no caso do Pedra, tive a sorte de trabalhar com um técnico sensacional que é o Renato Carneiro, e num aconchegante estúdio que é o Overdrive. 


Já gravei discos em estúdios monstruosos, mas no Overdrive, o resultado foi o melhor, graças à essa conjunção de fatores.

Terminado o baixo, as próximas sessões foram as do Xando. 

Todas as fotos deste capítulo, são clicks de Grace Lagôa


Continua...

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