segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 21 - Por Luiz Domingues

A frase que ele bordou na sua camiseta, foi : "Tá Revoltado ? Toma Partido ! Achei a ideia genial, pois seria mesmo um bordão de forte apelo sociopolítico, e com conotações culturais implícitas, que confeririam um toque de classe sob o aspecto artístico, de uma banda que propunha-se a dizer algo relevante, em contraste com a mediocridade atroz dos artistas que dominavam o mainstream daquela época. Conjuguei o verbo ser no futuro do pretérito simples, pois eu lamento muito que um trabalho desse nível não tenha reverberado como deveria.

O Rodrigo em outras cenas, acabou usando uma camiseta exótica que a produção ofereceu-lhe (com a estampa do "Wolverine", dos "X-Men"...). E também um paletó de couro verde (este de seu acervo pessoal), que deixou-lhe mais chic, digamos, em cenas pinceladas.
Nessas cenas alternativas, eu também troquei de roupa, mas mantive o espírito setentista de meu visual, meu cabelo estava bem comprido, e ficou bonito o efeito mediante luz e ventilação artificial. Já o Alex Soares, infelizmente, não coadunava-se com essas ideias, e vestiu-se de uma forma destoante, sem nenhuma identidade com uma egrégora de Rock. E obviamente essa quebra de identidade era resultante da nossa falta de diálogo franco sobre esse aspecto. Diante do impasse, ficou uma subliminar mensagem absorvida de que cada um faria o melhor dentro de suas concepções e ponto final.
A ideia do megafone no início foi improvisada. Achamos esse artefato solto no camarim que ocupamos, e alguém sugeriu ao Xocante, que adorou a ideia. Sinceramente, não lembro-me quem foi o autor da iniciativa, só digo que a ideia foi boa e ficou bem legal, pois passou a insinuação de "palavra de ordem", como uma passeata de protesto, sugerida na letra ("Está revoltado ? Tome partido"...)
Arrumando o nosso backline no set de filmagem, bem cedinho, às 8:00 h. da manhã. Foto de Grace Lagôa

Chegamos bem cedo no estúdio e armamos o equipamento como se fosse para tocarmos ao vivo.
Sem o figurino, mas com tudo ligado, e passando o som "de verdade", tocando ao vivo, mas a ideia foi descartada logo a seguir... foto de Grace Lagôa

Tivemos a iniciativa de ligar tudo e tocar de fato, pois foi cogitada a ideia de não dublarmos, mas tocarmos de verdade, embora o áudio evidentemente na edição final seria o de estúdio, com qualidade assegurada. Mas essa ideia foi vetada, pois outros estúdios daquele complexo cinematográfico estavam sendo usados por outras produções, com filmagem de comerciais de TV, e reclamações eclodiram sobre o barulho que atrapalhava-os...
          A fachada do Cine Estúdio na Vila Mariana, em São Paulo


Continua...

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