sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 1º/11/2014 - Sábado / 21 H. - Bierboxx - Pinheiros - São Paulo / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

1º de novembro de 2014

Sábado  -  21:00 Horas

Bierboxx

Rua Fradique Coutinho, 842

Pinheiros

São Paulo  -  SP

KK & K :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 183 - Por Luiz Domingues


Mesmo em cima da hora, os shows aconteceram com um nível de produção bem satisfatória, bom apoio da mídia escrita, e a presença legal de público.

Nós tocamos duas vezes, pois houve um cancelamento de última hora de uma das bandas (Antro), e o Mário Ronco pediu que ocupássemos essa lacuna extra. 


Não foi nenhuma armação de nossa parte para tirar proveito, e tocar mais uma noite que o combinado. Jamais faríamos uma armação política e antiética desse nível, dentro da cooperativa, mas infelizmente, o fato da Chave ter tido essa suposta vantagem, suscitou comentários de desagravo por parte de alguns membros da recém criada organização, gerando "ciumeiras".

Atesto, que de fato, foi o Mário Ronco, quem nos solicitou tal ação, e claro que topamos e assumimos o fato de que estávamos levando um vantagem diante disso, mas isentos de qualquer culpa por premeditação. 


O evento ocorreu entre os dias, 7 e 10 de março de 1985.

Nós tocamos nos dias 7 e 8 de março de 1985.

No dia 7, uma quinta-feira, dividimos a noite com o Gozo Metal, do baixista Orlando Lui (Ex-Rock da Mortalha). 


Por sorteio, ficou acertado que o primeiro show da noite, seria do Gozo Metal, e nós faríamos o segundo.

Com uma estrutura de cenografia legal, nos demos ao luxo de começar o show com as cortinas fechadas, causando um frisson na plateia, com tal tipo de recurso cênico. 


Com o abrir suave das cortinas, a banda já estava  a mil por hora, com o Fran tendo grande atuação cênica, inclusive.

Mas, como era uma quinta-feira, o público não lotou as dependências do ótimo teatro Arthur Azevedo. Todavia, em se considerando ser um dia útil, e o fato de termos tido pouco tempo de divulgação, acredito que as 120 pessoas presentes, pode ser considerado um bom público.

E de fato, minha lembrança foi de termos ficado satisfeitos com esse número, na época.


No dia seguinte, cumprimos então a data que era de outra banda. E por ser sexta, claro que o público foi muito melhor.

300 pessoas ocuparam o teatro, e a vibração estava bem quente nesse dia.

O Mário Ronco dispensou o uso de sorteio nesse dia, considerando que tocáramos na noite anterior como "headliner". Portanto, o "Centúrias", do amigo Paulo Thomaz, ocupou tal posição, e nós tocamos na preliminar. 


Lembro-me que tocamos todas as músicas novas, e que fariam parte do próximo disco que lançaríamos, e cujas gravações começariam ainda naquele mês de março de 1985.

Era legal tocar ao vivo esse material, e sentir a temperatura do público. E mesmo chocando alguns, que ainda não tinham computado a ideia de que as novas canções tinham um peso extra, além do normal do Hard-Rock.

Todavia, ficávamos muito contentes por ver que "Um Minuto Além", nossa aposta de balada pesada, e com "clima de Rock in Rio", agradava em cheio o público. De fato, a interpretação do Fran era de arrepiar... 


Aquele vozeirão não era só potente e exoticamente rouco, mas a interpretação dramática que ele impunha, impressionava, certamente.

Claro, a harmonia da canção, aliada à um solo épico que o Rubens criou, tornaram-na um clássico imediato da nossa banda.

Uma curiosidade quase prosaica e inventada pelo Mário Ronco : em cada show, ele solicitou a presença de dois músicos de bandas da cooperativa que não tocariam naquela noite, para atuarem como apresentadores do evento.

Portanto, tocamos na quinta e na sexta, e sendo assim, eu acabei sendo escalado para apresentar os shows do domingo, junto com o baixista do Eclipse. Tocaram Harppia e Salário Mínimo, e me senti um apresentador do Oscar, enfrentando o público, e tendo que falar algo minimamente inteligente, e sem cair em pieguices, para não fazer feio...

Nesse domingo, um personagem muito gente boa, e que estava usufruindo a fama mainstream, estourando com uma banda bem calcada na onda do Pós-Punk, apareceu para assistir o show, e foi mega simpático com todos. Era o baterista dos Titãs, Charles Gavin, que mostrava-se muito solícito e apesar de ser um métier avesso ao que ele transitava, mostrava-se bastante interessado em conhecer o som das bandas, e dentro das possibilidades, ajudar ao máximo. 


Esse foi o meu primeiro contato com ele, mas num futuro não muito distante, Gavin seria um amigo muito próximo da Chave, e um cara do bem, que tentou nos levar para o patamar de cima, no mainstream. Conto no momento oportuno da cronologia dos fatos.

Encerrando esta etapa, claro que comemoramos o sucesso súbito dessa empreitada da cooperativa, no Teatro Arthur Azevedo !! 


Fora aquela ciumeira descabida pela Chave do Sol ter sido escalada para tocar uma vez a mais, substituindo a banda "Antro", que teve de cancelar a apresentação por motivos pessoais de seus membros, todo mundo se ajudou, num espírito de mutirão, e o público foi ótimo.

Estávamos animados com essa empreitada do Mário Ronco, mostrando poder de fogo, instantaneamente.

Ainda falando da ciumeira, não posso deixar de contar um fato engraçado ocorrido no soundcheck do dia em que substituímos o Antro. O pessoal da banda que sentiu-se ofendido, pela escolha do Mário Ronco a nosso favor, apareceu em peso e sentados na primeira fileira, com o teatro vazio, assistiram toda a passagem de som, em silêncio, mas nos encarando de uma forma muito feia, como se fosse óbvia a nossa "culpa". Não falaram nada, mas tal atitude falava por si só...

Claro, o tempo passou e essa bronca dissipou-se, mesmo porque, não havia razão de existir. Tenho uma relação de respeito e amizade com o líder dessa banda, até hoje, que inclusive, é muito gente boa...

Independente desse momento de animação com a cooperativa, e as ações de Mário Ronco, tínhamos outros convites aparecendo. 


Na semana posterior, por exemplo, tínhamos dois shows no Teatro Lira Paulistana, num outro micro-festival organizado pelo produtor Antonio Celso Barbieri.

Mas antes de falar disso, no próximo capítulo quero registrar um fato ocorrido alguns dias depois dos shows do Teatro Arthur Azevedo, que na época, chateou-me, mas vendo algum tempo depois, é digno do anedotário da banda, e quiçá da minha carreira inteira.

Falo a seguir...




Continua...  

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 182 - Por Luiz Domingues


O fato, é que já sabíamos por intermédio do guitarrista e amigo, Hélcio Aguirra, que um empresário estava interessado em trabalhar com bandas da cena pesada de São Paulo.

Segundo o Hélcio, o senhor em questão, tinha experiência no ramo desde os anos setenta, tendo trabalhado com bandas de bailes, principalmente, mas em algumas vezes, também com artistas de som autoral.

Ora, não custava nada conhecê-lo, e ouvir suas propostas, evidentemente. 


Portanto, a primeira vez que o vimos, na reunião de organização da segunda edição da Praça do Rock, da qual participamos, não foi possível conversar detalhadamente sobre seu interesse pelas bandas, pois estava ali como um ouvinte, colocando-se como voluntário do evento "Praça do Rock", tão somente.

Contudo, uma reunião foi marcada para alguns dias depois, no seu escritório, e com a participação de diversas bandas da cena pesada de São Paulo, onde a ideia principal seria criar uma espécie de cooperativa de bandas, com esse senhor dando diretrizes, segundo sua suposta experiência.

O nome dele era Mário Ronco, e tal reunião ocorreu ainda no fim de fevereiro de 1985, quando ele expôs suas ideias para os representantes de cada banda convidada.

Nessa reunião, lembro-me de estarem presentes componentes de bandas como "Centúrias"; "Salário Mínimo"; "Eclipse"; "Harppia"; "Gozo Metal"; "Abutre"; e "Antro", além da Chave do Sol, naturalmente.


A ideia parecia nobre, e simples de se colocar em prática : Todos cooperariam mutuamente, fornecendo contatos; ideias, apoio logístico etc.

E para alinhavar a parte gerencial, entraria enfim, o trabalho de Mário Ronco e seu assistente, cujo nome não me recordo mais.

De fato, a parte de ajuda mútua era válida e fácil de ser executada, pois todo mundo imbuiu-se de boa vontade, e não haveria nenhuma restrição nesse sentido.

E o projeto começou alvissareiro, pois o Mário Ronco tinha cartas na manga para impressionar os representantes das bandas, logo na primeira reunião. 


A primeira proposta era ótima : ele tinha na mão, datas para organizar um micro-festival, no Teatro Arthur Azevedo, que é um ótimo e tradicional teatro localizado num ponto nobre do bairro da Mooca, zona leste de São Paulo.

Pertencente à Prefeitura de São Paulo, esse ótimo teatro, era a oportunidade de nos apresentarmos com uma estrutura de som e luz, de qualidade. Particularmente, nunca me canso de dizer, que se dependesse de mim, só tocaria em teatros, evitando apresentações em casas noturnas...

Claro que deu uma animada geral essa proposta do Mário Ronco, e dessa forma, tornou-se a primeira ação da nascente "Cooperativa Paulista de Rock", esse micro-festival, e como ação direta de cooperação, o apoio de todos, no tocante ao equipamento dos shows, na base do compartilhamento total nesse sentido, e também no esforço de divulgação.

O lado mau disso, era que o tempo urgia, sendo muito escasso para uma divulgação bacana. Mas mesmo assim, na base da correria, e do improviso, conseguimos atrair um ótimo público.

Falo especificamente sobre os shows, a seguir...



Continua...

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 181 - Por Luiz Domingues


Com os agitos da pré-produção em curso, estávamos animados com a perspectiva de gravar um novo álbum, e certamente que estávamos apostando muito nesse segundo trabalho, por todos os motivos que já expus nesta fase da cronologia dos fatos.

Mas paralelamente, ainda vivíamos os ecos da boa onda de expansão proporcionada pelo primeiro disco, e claro que aproveitávamos cada gota que pudéssemos.

Nesses termos, o próximo compromisso que tínhamos agendado, era uma nova participação no evento "Praça do Rock", que por sua vez, crescia, e a cada nova edição, atraía mais público e infraestrutura.

Foto do Zé Luis em ação na nossa primeira participação no evento "Praça do Rock", em agosto de 1984

E por estar crescendo, atraía também pessoas interessadas em capitalizar o sucesso do evento, seja economicamente, seja pelo viés político.

Lembro-me de ter participado, por exemplo, de uma reunião na sede do Jornal do Cambuci & Aclimação, o simpático jornal desses dois bairros vizinhos, que apoiava o evento, visando tomar ciência das questões envolvendo a nossa participação. 

Essa foto minha também é da nossa primeira participação na Praça do Rock em agosto de 1984. Infelizmente, não tenho em meu acervo, fotos da segunda participação da Chave do Sol, em fevereiro de 1985.

Mas apesar da boa vontade das pessoas envolvidas, alguns deslizes eram inevitáveis, e nesse dia em específico, apareceu um deputado na reunião, que quis capitalizar politicamente o movimento, e o evento.

Chegou até a protagonizar um momento patético na reunião, ao subir, literalmente, na mesa, e improvisar um discurso inflamado, onde falava que as bandas de Heavy-Metal precisavam se unir para pleitear melhores oportunidades do poder público etc etc.

Foi muito constrangedor, primeiro porque eu me sentia um estranho no ninho nessa história de bandas de "Heavy-metal", e segundo, por estar vendo a manipulação política infiltrar-se num evento que crescia, minando-o. 


Então, participamos do evento, no dia 24 de fevereiro de 1985. A estimativa da Polícia Militar, contabilizou cerca de 3000 pessoas naquela tarde/noite.

Participaram também : "Centúrias", "Abutre" e "Gozo Metal", como outras atrações daquela edição.

Nosso show foi energético e arrancou muitos aplausos da plateia, em sua maioria, garotos e fãs de Heavy-Metal. Nesse aspecto, o Fran agradou em cheio a esse tipo de público, onde uma grande parcela o conhecia por sua atuação com sua banda anterior, o "Ano Luz".

O "Gozo Metal" era na verdade o "Côco Loco" com outro nome, banda liderada pelo baixista Orlando Lui (ex-Rock da Mortalha, nos anos 70), e apesar do nome muito infeliz (aliás, ambos os nomes eram horríveis), para uma banda de Rock, tinha em seu líder, um grande batalhador.

Ligando-se pessoalmente ao organizador oficial do evento, o baixista Dalam Junior, tornou-se um co-produtor associado, e daí em diante, trabalhou forte para tornar o evento, cada vez maior. Falo disso mais para frente, quando de uma terceira participação da Chave do Sol no evento.

E nem só em constrangimentos a reunião na sede do jornal foi pródiga. Pelo contrário, nesse mesmo dia, conhecemos outro personagem que prometia ser importante para o métier do Rock pesado paulistano.


Continua...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 180 - Por Luiz Domingues


Bem, no caso da letra de "Anjo Rebelde", a música houvera sido composta e fechada com essa letra em 1984, e já fazia parte do repertório da banda ao vivo, desde então, inclusive com direito à execução em programa de TV, conforme já contei e publiquei o link dessa aparição, disponível no You Tube.

Era uma letra escrita pelo Edgard Pucinelli Filho, que era um seguidor da banda, e que ao longo dos tempos, tornou-se roadie e membro do staff de produção. 


Havíamos curtido essa letra, pelo seu teor em forma de ode ao Rock, inclusive relevando seus exageros nítidos. Hoje em dia, acho-a piegas, e não a usaria para musicar uma canção, mas naquela época, achei (com a aprovação de todos), que encaixava-se na música, dando-lhe um tom épico, e que certamente viria de encontro à necessidade de mudanças estéticas que precisávamos promover, buscando um lugar ao sol no mercado.

O Edgard ficou encantado com o convite para ter seu poema musicado, e não pensamos que isso nos traria um aborrecimento posterior... 

Enfim, quando as negociações para a gravação do segundo disco avançaram com o Luiz Calanca, escolhemos "Anjo Rebelde" para estar no repertório do novo álbum.

Mas aí, fomos surpreendidos, quando abordamos o Edgard, visando buscar sua assinatura, e dados pessoais para a papelada burocrática do disco, as famigeradas fichas do "GRA".


Ele agora estava com o discurso de que o poema não era só seu, mas tinha uma coautoria. Insistia que tínhamos de incluir o nome de uma garota chamada Miriam, que supostamente o ajudara a compor o poema.

Essa argumentação dele era obviamente uma forçação de barra de última hora. Nunca soubemos o real motivo, mas a desconfiança era evidente por tratar-se de uma intenção dele de impressionar a tal garota em questão, caracterizando o seu desejo de namorá-la ou coisa que o valha.

Mas irredutível, não abriu mão de incluir a citada garota na parceria, recusando-se a assinar a papelada se seu desejo não se cumprisse. 


Sem saída, acabamos cedendo à pressão, e lá foi a documentação para o ECAD, com o nome da tal Miriam incluso, como "compositora" de Anjo Rebelde, em parceria com Rubens; eu, Luiz Domingues, e Edgard.

Muito provavelmente, essa moça nunca se interessou pela canção, e jamais deve ter recebido um centavo de direitos autorais, porque nem devia saber como proceder para reivindicar seus "direitos".

Nesse aspecto, o novo álbum já começava mal, com uma intromissão desse nível, sem nenhum propósito...


Continua...

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 179 - Por Luiz Domingues


Após esse show no Lira Paulistana, as conversas evoluíram para que voltássemos ao estúdio, e gravássemos então o segundo disco.

Com a troca de vocalistas, e os planos malogrados para gravar uma demo de qualidade, com o objetivo de levarmos tal material às gravadoras Majors, claro que a oferta vinda de Luiz Calanca, do selo Baratos Afins, foi muito bem recebida por nós. 

O produtor e dono da famosa loja Baratos Afins, Luiz Calanca

Se no primeiro trabalho, o compacto, trabalhamos num regime de cooperação, 50/50, desta feita, ele queria bancar o trabalho sozinho, num regime semelhante ao de uma gravadora tradicional.

Lógico que na situação financeira que tínhamos naquele instante, somada à necessidade premente de um novo registro fonográfico, aceitamos a proposta de pronto, e aceleramos os ensaios para fechar o material. 


Músicas como "Ufos" e "Segredos", muito pesadas, e no nosso entender, capazes de atender a demanda de um nicho diferente de público que procurávamos, já estavam compostas e praticamente arranjadas.

Decidimos incluir apenas uma música do repertório antigo da banda, chamada "Crisis (Maya)", que era um tema instrumental e que havia sido exibida três vezes no programa "A Fábrica do Som". 


Apesar das mudanças significativas que pretendíamos executar, achamos importante ter um tema instrumental no disco, para manter um pequeno elo com o som antigo da banda, e essa música era sempre bem aplaudida nos shows.

"Anjo Rebelde", era outra que estava pronta (já a tocávamos ao vivo, desde a metade de 1984), e a considerávamos, um "Hard-Rock" estilo setentista, mas com o Fran assumindo os vocais, ela ganhou um punch extra, e adequou-se ao que buscávamos, também. 

Uma balada surgiu de última hora, graças à uma inspiração que o Rubens teve, criando um riff na guitarra. 

Mas não fora tão fortuito assim, pois estávamos impressionados com a possibilidade de ter uma balada pesada, que tivesse a capacidade de atender a demanda desse público, mas que fosse ao mesmo tempo, palatável aos ouvidos de gente não aficionada do Rock, e do Heavy-Metal, principalmente.

E essa impressão era bem óbvia, com o sucesso estrondoso de uma balada da banda germânica Scorpions, chamada "Still Loving You", que tocou nas rádios ad nauseum, por conta do Rock in Rio, e também por alimentar tema de novela da Globo, simultaneamente.

Nesses termos, trabalhamos nessa ideia de riff criado pelo Rubens, com a intenção deliberada de buscar um resultado semelhante.

Com a presença do Fran, e sua voz potente, além do poder de interpretação dramático que ele imprimia, tinha tudo para dar certo. 


A letra da canção foi desenvolvida pelo Fran. 

Falando em sua estupefação pelas diferenças sociais, nos poupou de uma letra romântica, evocando o amor homem-mulher, o que seria esperado numa balada tradicional. Claro que curtimos a letra que ele escreveu, muito mais interessante e forte, ainda que pudesse descambar para a pieguice, se não tivéssemos cuidado.

Foi dessa forma que surgiu "Um Minuto Além", música que nos trouxe alegrias, tornando-se certamente, a melhor em termos de visibilidade que esse novo disco, nos daria.

Nos últimos ensaios, estávamos fechando a derradeira canção surgida para o novo trabalho : tratou-se de mais uma música pesada, chamada "Ímpeto", com outra letra escrita pelo Fran. 


No caso de "Segredos" e "Ufos", usamos dois poemas do poeta Julio Revoredo. Gosto bastante dessas letras, e acho que tem versos muito fortes, com poder filosófico de aforismos, até, e apesar da tradicional condição hermética com a qual o trabalho dele se desenvolve, existe um componente pop nelas, por incrível que pareça.

No caso de "Anjo Rebelde", a história dessa letra eu já comentei en passant em capítulos anteriores, mas vale a pena esmiuçar um pouco mais, neste ponto da cronologia.


Continua...

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 178 - Por Luiz Domingues


O que ocorreu, foi que naquele específico dia, por alguma falha técnica, algumas "sonoras" falharam. 

"Sonora", para quem não conhece o jargão do jornalismo radiofônico, são reportagens pré-gravadas, que são disparadas, geralmente entrevistas e/ou boletins do cotidiano dos clubes de futebol.

Como essas "sonoras", alimentavam o programa, ocupando grande parte de sua duração, a produção ficou sem o que fazer para ocupar o espaço, e dessa forma, decidiram "esticar" a nossa participação, fazendo perguntas improvisadas. 

Mas o tempo foi passando, e as "sonoras" de futebol não foram executadas por problemas técnicos, então, o Faustão, naquele seu jeito despachado, e na base do improviso total, resolveu que tocaríamos uma segunda música, para "encher linguiça", como se diz no linguajar popular.

Até aí, tudo bem, pois estávamos lucrando com essa esticada, ganhando quase meia hora de audiência, quando o normal teria sido de oito a dez minutos, com uma música e um bate-papo rápido.

Mas, o sonoplasta "Johnny Black", teve a brilhante ideia de sugerir ao Fausto, que tocássemos ao vivo, bem naquela onda de "quem sabe faz ao vivo".

Uma foto de uma guitarra "Chiquita" que achei na internet. A do Rubens, era azul claro.

Como músicos "de verdade", e não fabricados em escritórios de marqueteiros, preferíamos sempre tocar ao vivo, logicamente, contudo, sem noção alguma, ambos, Faustão e Johnny Black, ficaram cegos pela ideia, sem mensurar como seria possível tocar uma música como "18 Horas", com uma guitarra apenas ??

Pior, eu nem era o guitarrista da banda, mas não adiantaria nada dizer isso aos caras, porque estávamos ao vivo, e isso seria ridículo para a imagem da banda.

Mesmo que fosse o Rubens ali presente, o que poderia fazer, sem um amplificador, e com uma "Chiquita" em mãos ? E outra, faria um solo, ou ficaria tocando apenas o riff principal da música ?? 


Naqueles segundos em que a proposta surgiu, tive uma ideia salvadora : falei para o Johhny Black, que como estava preparado para fazer dublagem, nem levara um cabo. Ele ficou, contudo, ainda mais "pilhado", e passou a vasculhar a cabine de som do teatro onde o programa era realizado, à procura de um cabo P10. Era quase certeza de que arrumaria um, e de fato, arrumou...

Nesse ínterim, o Faustão cravava-nos de perguntas, e para piorar as coisas, chegou um reforço de peso, na figura do locutor esportivo Osmar Santos, para também fazer perguntas, e ajudar a enrolar a audiência.

Uma das perguntas que não me esqueço, e até achei legal, pois pude expressar uma opinião forte, ainda que ninguém que ouvia aquele programa deva ter entendido, foi quando perguntando o que estávamos achando do Festival Rock in Rio, quis saber o que eu pensava das atrações Go-Go's e Yes...

Ora, ora...justo para mim... 


Disse que a diferença era simples : Uma banda era para crianças, e a outra de músicos de alto nível...falei alguma mentira ??

Então, o Johnny Black chegou com um cabo P10 velho, cheio de emendas de fita isolante... sem saída, tive que plugar e estava decidido a tocar o riff de "18 Horas" e fazer ruídos com microfonias (aliás, como isso seria possível com a guitarra plugada em linha, e sem um amplificador para provocar o feedback ?), simulando um solo performático. O que mais poderia fazer ? 


Mas o cabo P10 que o Johnny Black providenciou, estava "podre", e falhou miseravelmente. 

Só me lembro do Faustão falando coisas como : -"ô louco, problemas técnicos estão nos minando, meu"...fazendo alusão ao fato das "sonoras" terem falhado também.

E o mais engraçado, foi que o Johnny Black não desistiu e correndo para a cabine, eu o vi com uma solda, tentando consertar aquele P10 putrefado...ha ha ha !!

Ainda bem, não deu tempo para traze-lo de volta, e o programa acabou... 

O humorista Tatá, que fazia parte do staff do Balancê, também

Bem, foi com certeza a nossa maior participação, em termos de tempo, no programa "Balancê"...

Mas não ficou clima algum. Pelo contrário, os três, Faustão, Johnny Black e Osmar Santos, agradeceram o nosso esforço em esticar a nossa entrevista, e sabendo que teríamos show em dois dias, nos convidaram a voltar no programa, dois dias depois, para nova entrevista, e reforçar assim a divulgação do show.

Claro que topamos e dessa forma, voltamos no dia 31 de janeiro de 1985. Desta vez, resolvemos ir em trio, levando o Fran, junto, para ele ir se acostumando com tal dinâmica de entrevistas.

Mas nessa segunda ocasião naquela semana, tudo ocorreu normalmente, com as sonoras de futebol funcionando sem falhas, e nossa entrevista se resumindo a um bate-papo curto, reforçando o convite do show, e uma dublagem com o Rubens pilotando a "Chiquita"; eu fingindo tocar bateria com um par de baquetas em mãos, e o Fran dublando a voz do Rubens.



Continua...

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 177 - Por Luiz Domingues


Ainda falando da estreia oficial do Fran, além da divulgação tradicional, tivemos também apoio de dois programas de TV. 

No mesmo dia do show, 31 de janeiro de 1985, havíamos ido novamente ao programa feminino e vespertino, "A Mulher dá o Recado", da TV Record de São Paulo. 

No período da tarde, no dia do show, gravamos o Realce Baby, da TV Gazeta, que foi ao ar às 18:00 h., e que sempre dava um bom apoio.

No programa da TV Record, apesar de ser ao vivo, não esperávamos tanto retorno assim, visto que sua audiência básica não era de rockers, mas muito pelo contrário, de donas de casa, e certamente idosos.

Contudo, achávamos muito válido aparecer em tais programas, pois mesmo nos posicionando como uma banda de Rock, queríamos angariar um público maior. Claro que um programa dessas características não era o mais adequado para nós, mas eu ficava muito contente quando abria a caixa postal da banda, na agência do correio, e via cartas de pessoas que estavam nos elogiando por terem nos visto em programas assim, e neste em específico, rendeu frutos nesse sentido. 

Vivíamos o mesmo problema de quando fizemos programas de TV com a presença do vocalista anterior, Chico Dias, ou seja, lá estávamos nós novamente, para enfrentar uma dublagem, onde um novo vocalista iria se apresentar fingindo cantar, com o áudio da voz do Rubens em "Luz".

Nesse sentido, o fato de termos só um compacto simples, e com uma música cantada apenas, e a outra, sendo instrumental, nos limitava naquele instante. 


A necessidade de um novo álbum, e com a voz do Fran no comando, tornara-se urgente, também por esse aspecto televisivo.

Nesse programa da TV Record, como de costume, tínhamos o compromisso de estar no estúdio às 8:00 h. da manhã. Não era fácil portanto, estar de cara limpa e bom humor, prontinho para entrar no ar, sendo músicos, e naturalmente notívagos, mas todo sacrifício era válido.



Desta feita, optamos portanto pela não participação do Fran na apresentação, para não cometermos o mesmo erro já citado, que cometêramos com o antigo vocalista, Chico Dias.


Eis acima, essa aparição no programa "A Mulher dá o Recado", da TV Record de São Paulo, no 31 de janeiro de 1985.
https://www.youtube.com/watch?v=_xSsxMCtIbE
 

E na TV Gazeta, no dia seguinte, a tradicional "Sbornia" do apresentador Mister Sam, proporcionou-nos mais uma divertida aparição.

Desta vez, tivemos a oportunidade de executarmos as duas músicas do compacto, e pelo fato de "18 Horas" ser instrumental, o Fran não participou, mas aconteceu algo hilário.


Como haveria o solo de bateria, e o Zé Luis faria a dublagem usando uma caixa e um prato, naquela tradicional palhaçada que essas situações de TV proporcionavam às bandas nessas circunstâncias, principalmente nos anos 80, o Zé Luis criou uma loucura de improviso.

Na hora que fomos gravar o bloco do programa onde dublaríamos "18 Horas", o Zé teve a ideia de dispensar aquelas peças avulsas de bateria e pegou um cesto de lixo do estúdio da TV Gazeta, para "tocar".

Claro que o Sam adorou a iniciativa, e ali emendou uma série de brincadeiras hilárias, falando em "bateria invisível" e outras bobagens.

E na hora do solo, que o Zé Luis sabia de cor, sua gesticulação foi perfeita, como se estivesse tocando de fato, e tornou tudo mais engraçado. 


Nos divertimos muito, como sempre era assim no programa Realce Baby, da TV Gazeta. E certamente que esse programa nos ajudava bastante na divulgação do trabalho.

E também fizemos dois programas de Rádio, como apoio ao show. Na verdade, foram duas entrevistas concedidas ao programa "Balancê", da Rádio Globo de São Paulo, onde o comandante era o Fausto Silva. 


Já havíamos estado nesse programa algumas vezes antes, e nesse dia 28 de janeiro de 1985, especificamente, a banda foi representada por Zé Luis e eu, dentro daquele revezamento que havíamos combinado internamente, visando dar entrevistas em duplas, sempre que possível, para render mais nos programas radiofônicos, que tendem a ser confusos, quando mais de duas pessoas vão ser entrevistadas.

Mas como o programa tinha um público, apesar de ser radiofônico, uma bizarra condição se instaurara : Pediam aos artistas musicais que dublassem, mesmo não fazendo nenhuma diferença para quem assistia in loco.

Então, eu, Rubens e Zé Luis, geralmente levávamos um par de baquetas, e uma mini guitarra chamada "Chiquita", que mais parecia uma guitarrinha baiana, dessas de trios elétricos, simplesmente para facilitar as coisas.

Então, combinamos de eu usar a guitarrinha na dublagem, e o Zé Luis, fazer malabarismos com as baquetas, e ambos dublando a voz do Rubens. Ou seja, bizarrice total...

Mas demos um azar nessa manhã de 28 de janeiro de 1985...



Continua...