terça-feira, 30 de setembro de 2014

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 67 - Por Luiz Domingues


O próximo show foi também no interior de São Paulo. 

Desta vez o destino foi Campinas, que pelo porte de metrópole, com mais de um milhão de habitantes, nada tem de pacata como se supõe serem as cidades interioranas.

A casa em que nos apresentaríamos seria o "Delta Blues", uma tradicional casa em Campinas, e muito famosa no circuito de artistas do Blues, inclusive internacionais, que vem ao Brasil.

Não era exatamente a nossa praia, mas a casa também passava por modificações, e há tempos deixara de ter essa característica fixa de "Templo do Blues", e vinha abrindo as portas regularmente para bandas de Rock, e até bandas cover naqueles tempos.
              O grande artista plástico e web designer, Johnny Adriani


Sua decoração era impecável, lembrando casas de blues do sul dos Estados Unidos, e pelas paredes, a decoração era fantástica com pinturas assinadas pelo artista plástico Johnny Adriani, com motivos sulistas americanos, passeando entre as tradições dos Blues e também indígenas norte-americanas.

Cabe explicar que o Johnny foi o fundador da casa e responsável direto por toda a sua decoração e ambientação. Infelizmente, ele já não era mais o dono da casa nessa época, e se por um lado ainda era admirável a estrutura, era também visível a sua decadência, sob nova direção, não tão, digamos, preocupada em fazer manutenção.

Isso se refletia também na parte sonora. O P.A. da casa era adequado às suas dimensões, mas estava bem machucado pela ação do tempo, e deixava muito a desejar nesse sentido.

Mesmo assim, na base da boa vontade e do improviso, deixamos tudo arrumado o melhor possível, e sabedores de que o volume do palco tinha de ser controlado para adequar-se à realidade do "baleado" P.A. da casa.

Fomos jantar, e quando voltamos, a casa já estava aberta. Por ser uma quinta-feira, estávamos um pouco céticos quanto à presença de um público numeroso. Contudo, na medida que os ponteiros do relógio avançavam, víamos que a casa estava lotando e por uma questão promocional : a quantidade de mulheres era muito maior do a que de homens, devido ao preço reduzido para o sexo feminino.

Era óbvio que se a casa estava enchendo de gatinhas, naturalmente os rapazes seriam atraídos como ursos atrás do mel e sendo assim, quando fomos convocados a subir no palco, a casa estava bem cheia.

Mesmo sabendo que faríamos um show autoral, o gerente da casa pediu para o dividirmos em duas partes, nos moldando no padrão das exibições de bandas cover. Isso não era a melhor medida, mas também não nos ofenderia, portanto assim procedemos.

A primeira parte do show foi excelente. O grosso do público respondeu bem, aplaudindo e berrando ao final das músicas, embora fosse nítido se tratar de uma mera empolgação de balada. 

Claro, haviam vários fãs da banda também. Gente de Campinas e cidades próximas que apareceram com discos antigos da Patrulha em mãos para caçar autógrafos no pós-show, certamente.

Só no final da primeira parte do show aconteceu um anti-clímax para quebrar o bom astral que estávamos tendo. Enquanto tocávamos, uma briga estourou, e um tumulto generalizado se instaurou.

Não tinha nada a ver com a banda, mas sim uma briga entre dois moleques e os seguranças da casa por causa da entrada forçada de ambos, recusando-se a pagar a entrada. Teve socos para todos os lados; copos e garrafas estilhaçando-se pelo chão; meninas gritando, em suma...se aquilo era um bar americano ao estilo sulista de blues, realmente honrou as suas tradições...

Os seguranças foram ágeis e expulsaram os brigões, mas o clima estava quebrado, naturalmente. Quando voltamos para a segunda entrada, a reação estava muito mais fria, infelizmente.

Tudo isso aconteceu no dia 30 de novembro de 2000, e o público no Delta Blues foi de 200 pessoas, muito bom para o tamanho da casa.

Para piorar, tivemos um problema de ordem interna durante a parte final do show, e a volta para São Paulo foi tensa na van.

Por conta disso, tínhamos como próximo compromisso uma aparição num programa de TV, dois dias depois, mas o clima pesado deixou um ar de incerteza quanto à esse compromisso.

Falo sobre ele logo a seguir, e como foi uma experiência hilária.


Continua...

2 comentários:

  1. Eu morava em Campinas na época e não poderia comparecer à noite, então fui ao Delta de tarde na esperança de conhecer o pessoal. Deu certo, conheci meu ídolo Jr e todo o novo pessoal. O Luiz também conhecia pois tinha o disco da Chave do Sol. Tenho as fotos deste dia guardada até hoje.

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    1. Que sensacional, Cristiano !

      Tremenda lembrança bacana, fiquei muito contente por você colocar seu adendo aqui neste capítulo.

      E já que citou a história da Chave do Sol, você já deve ter visto aqui neste meu Blog 2, os capítulos da história dessa banda. No meu Blog 3, tem a história completa também, e com capítulos mais longos, no formato de capítulos de um livro impresso. É mais confortável para ler.

      Eis o link, abaixo :

      http://luizdomingues3.blogspot.com.br/2015/05/a-chave-do-sol-capitulo-1-rock-autoral.html

      Grande abraço, Cristiano !

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