segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 161 - Por Luiz Domingues


A nossa próxima atividade, seria só em 8 de novembro de 1984, portanto, nesses quase dez dias que tivemos sem shows, ou compromissos de rádio e TV, tivemos tempo para ensaiarmos mais, visando a gravação da demo-tape que ambicionávamos produzir.

Mesmo com o prejuízo que tivéramos por ocasião do desastroso show na famigerada danceteria Tífon, ainda estávamos imbuídos da vontade de gravar, mesmo que em condições bem mais modestas das que imaginávamos anteriormente.

E o próximo compromisso, seria um show de choque numa danceteria nova que estava abrindo em Moema, na zona sul de São Paulo.  


Haviam aspectos pró e contra, nesse show de choque.

O lado bom, era que o convite havia partido do apresentador "Mister Sam", em pessoa, por ocasião de nossa segunda aparição no programa "Realce Baby", por ele apresentado, dias antes.

Nos bastidores, ele nos abordou para falar que estava envolvido na programação de uma nova danceteria que estava abrindo em Moema, zona sul de São Paulo, denominada "Raio Laser".

Num primeiro instante, convidou-nos a participar de uma espécie de "festival", que estava promovendo, onde bandas se "enfrentavam", e as classificadas, mediante uma avaliação de um "corpo de jurados", avançavam para ter um prêmio ou coisa que o valha. 

Antes mesmo de nós retrucarmos que não éramos amadores, e não nos interessava entrar num festival de disputa, ele nos disse que seria uma participação só para ajudá-lo a ter mais uma atração de melhor nível (Barão Vermelho; Sangue da Cidade; Made in Brazil; Anthro, e Lixo de Luxo, também estavam programados, além de dúzias de bandas de moleques), e que nos contrataria para um show individual, com cachet decente etc e tal.

Bem, nessa circunstância, encaramos quase como um favor pessoal à um amigo que estava abrindo portas para nós, tanto na TV, quanto numa oportunidade de show, posteriormente, portanto, apesar de um tanto quanto vexatório por essa questão juvenil de "disputa", nós topamos participar.

Seria no dia 8 de novembro de 1984, na danceteria "Raio Laser". 


Mas nesse ínterim, coisas muito chatas aconteceram na vida pessoal do vocalista Chico Dias, e para início de conversa, nossa planificação de ensaiar com total afinco, visando a gravação da demo, ficou muito prejudicada.

A mais nova desgraça na vida dele (incrível !!), foi quando viu-se novamente sem lugar para ficar. Infelizmente, um revés inesperado aconteceu-lhe onde estava hospedado, na casa do poeta Julio Revoredo. 


A casa fora invadida e vitimada por um furto.

Nessa ação, muitas coisas foram roubadas, incluso algumas roupas do Chico Dias, e sendo assim, indignado por mais esse azar, não sentiu mais clima para ali ficar.

Só que, claro, não havia outro lugar disponível, nos trazendo uma dor de cabeça extra. 


Foi então que lembrei-me que uma prima minha estava vivendo com o namorado, e mais amigos numa "república", num apartamento que alugaram no bairro da Aclimação, zona sul de São Paulo.

Não foi fácil para o Chico Dias, se acomodar ali, apesar de ter sido super bem recebido por todos, pois conhecendo pouco São Paulo, precisaria usar metrô e ônibus para se deslocar até o ensaio, ao contrário de onde estava anteriormente, no Brooklin, onde bastava um ônibus apenas, e trafegando praticamente numa linha reta, pela avenida Santo Amaro. 

Mara Turci, minha prima, e que ajudou Chico Dias em mais um momento de sufoco dele na pauliceia.

Contudo, era uma situação emergencial, portanto, não podíamos fazer escolhas nesse instante, e o importante era dar uma acomodação para ele.

Claro, com aquele ânimo que lhe era peculiar, naturalmente que mais um revés desses o minaria profundamente. Resmungando mais do que nunca, estava ciente dos compromissos, mas alegando estar se readaptando, pediu um tempo para tal, ausentando-se dos ensaios.

Às vésperas do show na danceteria "Raio Laser", comunicou-nos que estava muito gripado, e como seria um show de choque, pediu-nos para não fazer parte, deixando-nos "na mão". Claro, nessas condições e sendo vocalista, estava sujeito à esse tipo de coisas, eu reconheço.

Como se tratava de um show de choque, e éramos uma banda sempre bem ensaiada, nos programamos para tocar em trio, coisa que era natural para nós, desde sempre.

E assim fomos para o compromisso...



Continua...

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