domingo, 31 de agosto de 2014

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 19 - Por Luiz Domingues



O nome desse técnico era Thales de Meneses, um freak que curtia a nossa onda de som, e era tecnicamente competente. 

Sendo assim, quando começamos a levantar a equalização da bateria, logo percebemos seu apuro na timbragem dos instrumentos. Passados todos os instrumentos, fomos tocar "Sexy Sua" para testar o retorno, e estava um "brinco" !

É muito raro na condição de estar trabalhando com um técnico estranho, obter um som dessa qualidade. Essa condição geralmente só é obtida se o técnico acompanha a banda em todos os shows. 


Mas esse Thales surpreendeu, pois o som do palco estava sensacional. 
  Essa foto é de um ensaio no estúdio Alquimia, em maio de 1999


O problema técnico que eu mencionei anteriormente, era que só havia uma mesa, e ela comandava o P.A e o retorno simultaneamente...

O correto, é ter duas mesas, com direcionamentos diferentes. Uma comanda o P.A. , ou seja, o som que chega ao público, e a outra comanda o monitor, ou seja, o som que o artista ouve no palco para poder se guiar.

Nesse caso, com uma única mesa operando as duas funções pelo mesmo técnico, não é uma situação ideal e para agravar, a mesa estava posicionada atrás das caixas do P.A, ao nosso lado no palco !! 

Conclusão : o técnico não tinha condições humanas de checar na hora do show, a quantas andava o P.A. Ele equalizou durante a passagem do som, mas na hora do show, ficou preso na mesa, só ouvindo o som do palco.

Isso não era culpa dele, mas da estrutura da casa.

Satisfeitos pelo soundcheck, fomos arrumar os últimos detalhes da ornamentação e nos resguardar no camarim, à espera da hora do show.


Como primeiro show, foi a primeira vez que preparamos toda aquela ambientação 60/70, com a qual eu sonhava desde que formei o Sidharta em 1997, mas na verdade, era o resgate do sonho primordial acalentado na adolescência, na década de setenta, mas atrapalhada pelo fato de ter entrado na música no momento em que essa estética começava a acabar, atacada violentamente por detratores, e apoiada pelos marketeiros de plantão, trabalhando para fomentar interesses escusos.

Portanto, foi bastante emocionante para mim, em particular (e sei que para o Junior, também), arrumar o palco com todos aqueles ícones visuais e até olfativos, vide o enorme número de incensos que faria o show ter o perfume dos grandes Concertos de Rock de outrora.

Tínhamos um concorrente à altura naquela noite : por irônica coincidência, O Terço estava fazendo show de "volta", também . E para piorar, num salão de Rock concorrente do Fofinho Rock Club onde tocaríamos, e localizado na mesma avenida Celso Garcia, só que três KM adiante. Eles iriam tocar na Led Slay.

Isso evidentemente atrapalhou um pouco a nossa vida, dividindo público. Sem o Terço tão perto, talvez tivéssemos levado um público maior.


Continua...

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 18 - Por Luiz Domingues

E chegou o grande dia. Se por um lado havia um clima amargo diante do que passamos naquela semana, havia também a perspectiva de enfim matar a expectativa em torno do primeiro show.

Da parte do Júnior, havia uma velada ansiedade por conta de testar os meninos ao vivo. Se através dos ensaios, haviam conquistado a sua confiança por tocarem e cantarem demais, havia a dúvida no comportamento no palco, num show oficial. 


De certa forma, eu deveria ter essa apreensão também, pois afinal de contas, era o primeiro show com os dois, após mais de um ano e meio de ensaios apenas, em se considerando o período do Sidharta.
Mas ao contrário do Júnior, eu estava tranquilo nesse aspecto, pois a despeito de ser a primeira apresentação para valer, confiava totalmente nos dois.

O que não estava legal, era o clima ruim por conta dos percalços pessoais que enfrentamos naqueles dias. 

A Revista Dynamite foi a primeira a dar nota sobre a volta da banda com nova formação, mas ainda citando-me pelo velho apelido que eu usava anteriormente como nome artístico, para designar-me. Não foi culpa deles, pois só firmei a ideia de cortar isso a partir da gravação do CD Chronophagia, em 2000. Mas errou feio o sobrenome do Marcello, como se observa na nota acima. 


Sim, o Marcello ainda sentia dores. Sua família estava apreensiva, e com razão. O prudente teria sido cancelar o show e repousar por alguns dias, mas ele bancou essa resolução de fazer o show, e foi valente.

O Júnior apareceu para tocar bem abatido e tenso. O que ele estava passando era pesado, mas também encarou a determinação de seguir em frente.

Chegamos no salão por volta das 17:00 h. 


Montamos o palco com um exército de ajudantes...vários dos meus alunos, meu pequeno exército de Neo-Hippies, ou de Brancaleone, como queiram, estava ali colaborando.

Nesse início, sem verba, não tínhamos como contratar roadies profissionais, portanto, contávamos com o apoio abnegado de amigos.

A montagem foi tensa, pois o Júnior estava muito nervoso, e se irritou várias vezes com aquele monte de gente querendo ajudar na maior boa vontade, mas sem metodologia, mais atrapalhando a montagem.

A nossa sorte foi ter contado com o técnico de som da casa, que era muito bom. Havia uma dificuldade técnica que o atrapalharia, mas se não fosse isso, o show teria sido perfeito.


Continua...

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 17 - Por Luiz Domingues




O Júnior estava enfrentando um problema gravíssimo de ordem familiar, e mesmo que tivesse telefone celular à época, não teria cabeça para nos ligar.

E o Marcello sentia ainda fortes dores nas costas. Apesar de tranquilizado pelos médicos quanto à não gravidade do seu quadro, a dor era muito forte, e só dava trégua mediante fortes analgésicos.

Portanto, seu esforço de comparecer ao ensaio da sexta-feira, que precedeu o show, foi notável. 
Ainda haviam agravantes. Tínhamos pendências de produção para tratar. Detalhes de ornamentos e equipamentos para reforçar o palco.

O transporte foi feito de forma precária, também. Sem dinheiro para contratar nem ao menos uma Kombi, tivemos que transportar tudo nos nossos carros. O Marcello teve de usar o carro do seu irmão, Ricardo, e fora o meu, e o do Rodrigo, tivemos o reforço da namorada do Júnior, Claudia Fernanda, e pelo menos mais três carros de amigos.
Como o Marcello havia acabado de perder seu carro, estava usando o do seu irmão. Mas o Ricardo apareceu usando o carro do pai de ambos, bem maior, e colaborou. 

Lembro-me também do apoio do Marcelo Bueno.

Na volta, o contingente aumentou, com outros amigos colaborando. 

Lembro-me dos carros do Edil e Tié, todos do meu famoso "exército de Neo-Hippies", auxiliando também.

Continua...

sábado, 30 de agosto de 2014

Autobiografia na Música - Magnólia Blues Band - Capítulo 1 - Por Luiz Domingues

Iniciando essa história recente, na minha autobiografia...

O Kim Kehl nos comunicou logo no primeiro show dos Kurandeiros em 2014, que o proprietário do Magnólia Villa Bar estava lhe fazendo uma proposta nova. 

Ele sugeriu que a base dos Kurandeiros, estabilizada como Power Trio àquela altura dos acontecimentos, com Kim Kehl; Carlinhos Machado, e eu, Luiz Domingues, nos uníssemos à ele, toda quarta-feira, e juntos, com ele mesmo atuando como tecladista, que nos apresentássemos como um quarteto, o "Magnólia Blues Band", trazendo a cada quarta, uma convidado da cena do Blues brasileiro.

O Kim ponderou que não haveria nenhum prejuízo à agenda dos Kurandeiros em outros shows, a não ser ali mesmo no Magnólia Villa Bar, onde a rotina era a de tocar uma quarta por mês, aliás, rotina essa que perdurava bem antes da minha entrada na banda em 2011. 
O Carlinhos Machado aceitou de pronto, visto que para ele que tocava em seis bandas naquela ocasião, acumular uma eventual sétima banda não mudaria muito a sua vida agitada de músico, com shows pela noite quase diariamente.

Quem relutou um pouco fui eu mesmo, e explico.

Argumentei ao Kim e Carlinhos, que uma coisa era a paciência e companheirismo que tiveram comigo desde o início, relevando minha demora em adaptar-me à banda, por algumas razões.
Entre elas, o fato de eu não ter escola de Blues, e por conta disso, ter demorado a entender esse universo que parece fácil aos ouvidos menos atentos, mas tem muitos maneirismos, e em cima dessa prerrogativa, talvez os tais convidados, gente da cena do Blues, não tivessem a mesma paciência, e pudessem acontecer climas desagradáveis em cima do palco.

Claro que ambos desqualificaram os meus temores, e incentivaram-me a não pensar dessa forma derrotista, digamos, e que eu era capacitado para fazer parte do projeto, etc etc.

Enfim, como já salientei muitas vezes no capítulo dos Kurandeiros, a tal da "atitude jazzística", de fazer shows calcados em puro improviso, sem ensaios prévios, não era o meu modus operandi.
Não me preparei para agir assim na carreira, e pelo contrário, minha história foi calcada quase 100% na atuação em bandas autorais, portanto, a minha orientação pessoal como músico, sempre foi a de tocar só o que eu mesmo criava.

Com o respaldo dos companheiros, mas um tanto quanto ressabiado, aceitei participar do projeto, mesmo que em tese, estivesse acumulando mais uma banda na minha vida, de forma simultânea, o que era algo também pouco provável de acabar bem, pois um conflito de agenda poderia ocorrer a qualquer instante.

Naquela altura, janeiro de 2014, estava beirando completar 38 anos de carreira, e nessas quase quatro décadas de atuação, só em poucos momentos tive problemas dessa monta. Todavia, mesmo assim, foram no início de carreira, e o acúmulo era composto por situações tão incipientes, que mesmo quando chocavam-se, não tinham a gravidade que pudesse justificar um constrangimento muito grande.

A pior situação que eu vivera na carreira, foi no final de 1983, quando aceitei voltar ao Língua de Trapo, mesmo estando muito firme com A Chave do Sol, que inclusive, ensaiava dar passos importantes na carreira, começando a deixar o anonimato.

Fora disso, algumas situações anteriores foram realmente bem menos graves.

Agora, 2014, eu estava nos Kurandeiros; teoricamente fazia parte do "Nu Descendo a Escada", de Ciro Pessoa; e fazia parte do Pedra, que voltara em 2012.

Acumular o Magnólia Blues Band poderia parecer uma loucura total, mas analisando bem, não seria assim tão insano, senão vejamos :
1) O MBB era um desdobramento direto dos Kurandeiros, e não exatamente uma outra banda, portanto, nunca haveria um choque de agenda entre as duas bandas, só por minha causa, mas curiosamente, os Kurandeiros jamais tocariam na mesma data, por razões óbvias...

2) O mesmo equivaleria ao Nu Descendo a Escada, pois eu e Kim éramos das duas/três bandas, e em breve ficaríamos ainda mais confortáveis, pois o Carlinhos Machado também ingressaria no "Nudes", portanto, as três bandas teriam o mesmo núcleo base de baixo; bateria, e guitarra.

3) Sendo assim, o choque em potencial, poderia ocorrer é com o Pedra.

Mas no calor dos acontecimentos daquela momento, o Pedra estava empenhado em gravar o novo disco, e o "Nudes" estava parado em estado de hibernação, que só se quebraria em abril.

Então, o que parecia uma loucura total, acabou se revelando plausível, e dessa forma, com todos aceitando o desafio, o primeiro convidado da Magnólia Blues Band, foi Chico Suman.

Fiquei ainda mais aliviado, pois conhecia-o, e sabia que não teria nenhum problema em tocar com ele, muito pelo contrário. 

Além de ser um cara excepcional e grande guitarrista e vocalista, era um conhecido, e sua banda "Suman Brothers Band", onde atuava o seu irmão, Vitor Suman, como baixista, tinha um segundo guitarrista que era o Diogo Oliveira, nosso amigo de anos, e apoiador do Pedra, tendo inclusive feito a capa do CD Pedra II, além de diversos cartazes de shows; cenários de shows ao vivo, e até intervenções ao vivo como artista plástico, fora ter gravado uma cítara na canção "Projeções", do mesmo disco em que criou a capa. 
Enfim, ter Chico Suman como primeiro convidado era uma certeza de que seria uma noite muito bacana para todos, e uma possibilidade do projeto deslanchar.

E particularmente, senti-me muito mais seguro por saber que não teria nenhuma preocupação em subir ao palco e tocar, pois tratava-se de um amigo que eu tinha certa liberdade, portanto, não havia nenhuma possibilidade de haver alguma dificuldade com o convidado.

E lá fomos nós : 15 de janeiro de 2014...



Continua...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 16 - Por Luiz Domingues


Não me lembro mais o nome dessa rádio. Mas era algo absolutamente insignificante, mesmo. Uma pena, pois a boa vontade em ajudar era total.

Em relação às filipetas no show do Angra, era o show mais próximo em termos de público, que havia nos dias que antecederam o nosso.
 

Também acho que não valia a pena, mas entre "filipetar" para o público do Angra, ou da Ana Carolina, ou pior ainda, artistas brega, era preferível o Angra. 

Ineficaz, claro. Eu sempre procurei comandar equipes de divulgação com uma logística, e um foco definidos. Nesse caso, foi uma tentativa de aproveitar o cenário menos ruim. 

Era o melhor que tínhamos na ocasião, ainda mais se pensarmos sobre a nossa infraestrutura, com nossos parcos recursos financeiros.

Quanto aos meninos, não estavam deslumbrados, não. Estavam felizes, mas não havia nenhum exagero em sua postura.

O período entre a divulgação e o primeiro show, foi bom, com exceção da semana do show, pois a "bruxa" voou solta nesses dias terríveis que antecederam a data. Por pouco, o show não teve de ser cancelado. 


Começamos a semana felizes por ver Lambe-lambes com nosso show anunciado, mas dois fatos terríveis aconteceram.

O show ocorreria no sábado, dia 14 de agosto de 1999.


Na quarta-feira anterior, fomos surpreendidos com a notícia de que o Marcello sofrera um acidente de carro, vindo da faculdade para a sua casa. 

Ficamos apavorados, mas apesar do carro ter tido perda total, ele sobreviveu, e não teve nenhuma contusão séria, só apresentando um quadro de dores nas costas, pois o caminhão que o abalroou, o atingiu pela traseira.

Ele estava parado no semáforo, quando ouviu o barulho de um caminhão freando e colidindo. Seu carro deu perda total, e algum tempo depois, o seguro lhe cobriu, comprando-lhe outro carro, pois aquele era zero KM. 


Quanto ao seu estado de saúde, após exames, o médico constatou serem apenas hematomas e o liberou. Todavia, pensávamos em cancelar, pois o susto havia sido enorme.

Porém, no dia seguinte algo pior aconteceu...


Recebi um telefonema do Júnior, desesperado, pois um problema sério de saúde ocorrera com um familiar seu. 

Prefiro não entrar em detalhes para não expor ninguém desnecessariamente. Digo apenas, que era ainda mais dramático do que o acidente do Marcello. 

O ensaio de sexta, convocado para dar o último apronto, foi realizado só por mim e os garotos, pois o Júnior realmente não tinha condições de comparecer, entretido que estava em assistir seu ente querido no hospital.

Tememos que ele não pudesse ir fazer o show no sábado, e até a hora de nos reunirmos para ir ao salão, pairava essa dúvida.

E assim, o clima estava pesadíssimo para a estreia, ou seja, algo diametralmente oposto ao que eu sonhava desde o Sidharta, quando formatamos essa banda, e esse repertório.

No próximo capítulo, falo do show...


Continua... 

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 15 - Por Luiz Domingues

É evidente que contamos com o apoio de amigos nessa empreitada.

O Júnior arrumou um patrocínio de lambe-lambe, com um futuro candidato a vereador. 


Não era um ano de eleições municipais, mas esse candidato a candidato queria popularizar seu nome previamente, e forjar sua imagem como um incentivador de artes em geral.

Então era comum ver seu nome vinculado a shows musicais; teatro, e outras atividades artísticas. 
Os cartazetes e filipetas foram impressos por nós mesmos. A internet já tinha um certo peso nessa época, mas nós praticamente não a usamos. Não haviam redes sociais de massa, como hoje em dia.

Rádio e TV eram impossíveis. Desde meados dos anos noventa, já não haviam programas da TV aberta  dispostos a agendar bandas de fora dos esquemões do jabá. 

Dessa forma, com poucos cartazetes e filipetas, cobrimos o circuito óbvio do Rock em São Paulo, como a Galeria do Rock e as lojas de instrumentos da Rua Teodoro Sampaio. E filipetamos saídas de shows de Rock. 
Lembro-me de levar amigos e alunos para filipetar um show do "Angra", no Palace, uma casa de shows em Moema, zona de sul de São Paulo. 

Um ex-aluno meu estava filipetando um dos flancos da rua, de onde o público saia, quando um garoto pegou a filipeta, e lhe disse : -"Patrulha do Espaço ? Isso é do tempo do meu avô..."
 
Lidar com esse tipo de preconceito tolo era normal, e ainda por cima nesse público de Heavy-Metal, que parece ser obcecado pelo conceito do "Datado".
 
Como se música fosse um remédio, e tivesse data de validade...

Outra ação engraçada, foi fazer entrevistas em programas de Rádio comunitárias. 


Era o que estava ao nosso alcance. 

Lembro-me de uma rádio no Tatuapé, zona leste de São Paulo, cujo contato era um boliviano, dono de uma banca de jornais. O cara tinha o apelido sugestivo de "Bolívia". 

Era um índio Hippie, com cabelo na cintura, uma figura.
Até aí, nada demais. A entrevista é que rolou num clima de filme policial, com o endereço sendo mantido em sigilo até quando eles confiaram em nós, e no dia em específico, o clima era de apreensão, pois essa rádio já havia sido lacrada pela Embratel, diversas vezes.

Foi engraçado, mas o resultado para nós foi nulo, pois o alcance limitadíssimo de uma estação pirata, não despertou interesse algum. 
Continua...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Pedra - 29/8/2014 - Sexta-feira / 21:00 h. - Gambalaia - Santo André / SP

Pedra

Dia 29 de agosto de 2014

Sexta-Feira - 21:00 horas

Gambalaia Espaço de Artes & Convivência

Rua das Monções, 1018

Bairro Jardim

Santo André - SP

Músicas dos dois CD's + músicas novas em processo de gravação do terceiro álbum

Pedra :

Xando Zupo : Guitarra e Voz
Rodrigo Hid : Guitarra, Teclados e Voz
Ivan Scartezini : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo e Voz

domingo, 24 de agosto de 2014

A Sombra - Por Tereza Abranches




Engraçado... eu tenho uma sombra e ela é desatinada e bêbada de Vida.

Na verdade, todo mundo tem uma sombra.

É só ir pro sol que, dependendo da hora (e da vontade da sombra) ela aparece. 

Ninguém se preocupa com a própria sombra, acho eu.
Às vezes ela está atrás de mim, às vezes à minha frente e quando não pode ser projetada (esqueci de dizer... minha sombra tem um pacto bendito com o sol), fica escondidinha dentro de mim, só esperando a hora de saltar e dar piruetas e, mesmo eu estando triste naquele momento, ela fica à minha volta, se estica, encolhe e dança em volta de mim... acho que essa danada dessa sombra tem é vida própria e mesmo em dias nublados está em algum canto de mim, pronta pra pular e brincar.

Eu não tenho certeza, mas acho que é isso mesmo o que ela faz.
E quando meu peito se aperta, me dou colo sem a mínima decência.

Nessas horas de plena covardia e dor, me abraço forte (sim, porque eu posso ser abraçada por uma multidão, mas se eu não me sentir abraçada por mim mesma e pela minha sombra, de nada adianta esse monte de gente).

Sou rocha, espuma, raio e trovão (aliás, pra quem não sabe, relâmpagos e trovões me habitam o rosto).

A minha sombra é assim, quando os trovões, relâmpagos e tempestades tentam chegar, ela canta Beatles pra mim, dança Zé Ramalhos, e de cada tristeza ela tece Piafs, quase arrancando minha alma fora.
Quando os tufões me cortam com seus poderosos chicotes e eu fico em frangalhos, rota e acabada, minha sombra querida me leva pela mão à procura da Luz e do Ar puro.

E ela sempre me diz, com cara de monge tibetano, que ser infeliz é chato demais.

Fácil demais.

Monótono demais.
Quando eu caminho de cabeça baixa, minha sombra, mais teimosa que mula empacada, me diz, com todas as letras, na minha cara e escrachadamente, que ela é deliciosamente doida e feliz e quando eu vejo o seu dançar (que se recusa totalmente a acompanhar minha triste cara de besta), termino por abraçar essa criaturinha que corre à minha frente, ao me lado, e me mostra o quanto sou boba por baixar a cabeça e permitir que meu peito se aperte e que meu coração, quase desmaiado de dor, chore.

E quando eu choro, ela sempre me lembra das aldeias que eu tenho dentro do peito.
Pra aqueles que nunca nem sonharam em olhar a própria sombra, não riam de mim.

Mas se descobrirem a sua própria sombra, riam alto dessa descoberta absolutamente maravilhosa e lembrem de que nunca estamos sozinhos, pois temos cada um a nossa própria sombra e, mesmo que a gente não a veja, está sempre conosco, nos dando força e esperando apenas e tão simplesmente, pela nossa descoberta de que há, sempre houve e sempre haverá a nossa sombra, que mora dentro de cada um de nós e é feita de Valentia, Coragem e Força!

E é tão bom descobrir coisas simples... simples como uma sombra...

É só procurar.




Tereza Abranches é colunista fixa do Blog Luiz Domingues 2. Escritora e artesã, desenvolve também estudos sobre literatura e espiritualidade.


Nesta crônica, trata de uma forma poética, da questão do "outro Eu", a sombra que tem vida própria e de certa forma, é bem mais livre de obrigações comportamentais do que nós.
 


Conheça seus trabalhos de artesanato, através desses links  :

Facebook :
https://www.facebook.com/terezaabranchesmanualidades 


https://www.facebook.com/terezaabranchesartesahippie
 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 24/8/2014 - Domingo/20:00 horas - Diminuta Bar - Ipiranga - São Paulo / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

Dia 24 de agosto de 2014

Domingo - 20:00 Horas

Diminuta Bar

Rua Almirante Lobo, 622

Ipiranga

São Paulo - SP

Participação Especial : Edu Dias - Gaita, Voz e apresentação

KK & K :

Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Tributo a Hélcio Aguirra) - Capítulo 80 - Por Luiz Domingues


Capítulo reaberto, pois como deixo sempre claro, esta autobiografia está sempre pronta a trazer adendos, mesmo em capítulos encerrados. 

No caso de trabalhos antigos de bandas extintas, sempre poderá acontecer a possibilidade de surgir uma oportunidade de resgatar algum material de fotos; vídeos; áudio; portfólio, ou memorabilia, além da chance de alguma ratificação ter que ser feita, ou por eu ter me recordado de alguma passagem com maior acuidade, ou mesmo alertado por qualquer pessoa que me traga tal esclarecimento, pois considero toda ajuda bem vinda para esta narrativa.
Mas no caso do tópico dos Trabalhos Avulsos, apesar dele ter se encerrado naquele momento da última postagem mais recente, trata-se na verdade de um tópico em alerta permanente, pois enquanto eu estiver vivo e trabalhando, sempre haverá a possibilidade de surgir uma atividade musical avulsa, fora das bandas oficiais onde eu for membro, e estiver atuando.

É o caso portanto de uma participação que fiz num evento, em fevereiro de 2014, e que apesar de ter sido prazeroso, musicalmente falando, foi bastante doloroso, por outro aspecto.

Antes de falar do evento em si, preciso retroagir ao final de janeiro desse mesmo ano. Estava trabalhando no meu Blog, durante a madrugada de um dia quente de verão, quando ao abrir o Google para realizar uma pesquisa, deparei-me com um notícia que rasgou-me o coração : "Morre o Guitarrista Hélcio Aguirra, do Golpe de Estado".

http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/21/guitarrista-da-banda-golpe-de-estado-helcio-aguirra-morre-aos-56-anos.htm


http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2014/01/morre-helcio-aguirra-guitarrista-da-banda-golpe-de-estado.html

Aquele bolo no estômago, típico de quando recebemos uma notícia chocante do falecimento de parente ou amigo querido, formou-se, e fiquei sem reação por algum tempo. 

Como assim ? 

Perplexo, abandonei meus afazeres, e passei a caçar informações pelos portais de notícias, quando finalmente a "minha ficha caiu".

http://rollingstone.uol.com.br/noticia/morre-o-guitarrista-da-banda-golpe-de-estado-helcio-aguirra/


http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/01/1401108-morre-o-guitarrista-helcio-aguirra-da-banda-golpe-de-estado-56-anos.shtml


No dia seguinte, fui com muito pesar ao seu velório, diga-se de passagem um dos mais cheios que já havia visto, denotando o quanto ele era querido por seus fãs, e muitos amigos e colegas.

Encontrei inúmeros amigos; gente com quem toquei; músicos contemporâneos de diversas bandas onde atuei; jornalistas, produtores etc etc.

Luiz Calanca estava inconsolável. Nelson Brito parecia mergulhado numa dor circunspecta; o percussionista Nobuga também mostrava-se desesperado. Enfim, foi uma tarde tristíssima para todos. 

Na cerimônia de cremação, fiquei ao lado do produtor Wagner Garcia, que já produziu três shows do Pedra; foi produtor de uma coletânea onde o Pitbulls on Crack atuou em 1993, e que aliás, desde o final dos anos 80, era o Big Boss da gravadora Eldorado, e conviveu muito com o Hélcio, seu contratado e vivendo grande fase com o Golpe de Estado. Ficou contando-me suas lembranças dos dias de glória do Golpe de Estado na sua gravadora, e o quanto estava perplexo de estar ali na cerimônia de cremação.

Bem, conheci o Hélcio em 1984, e nos tornamos amigos desde então. Além de ser um guitarrista excepcional, e compositor inspirado, era um conhecedor de eletrônica, sabendo consertar amplificadores, pedais etc. Chegou a ganhar bastante dinheiro com isso, paralelamente, com uma oficina super requisitada pelos músicos de São Paulo, por muitos anos, eu incluso, vide as inúmeras vezes em que mexeu no meu velho Duovox...
Atravessei os anos sendo amigo dele, e ele acompanhando os diversos trabalhos diferentes em que me coloquei, e curiosamente, era amigo de todos os músicos dessas diferentes bandas...

Era amigo de Rubens Gióia e Zé Luiz Dinola, da Chave do Sol, e o vocalista Beto Cruz, da mesma banda, foi quem o apresentou para Paulo Zinner e Nelson Brito. 


No Pitbulls on Crack, Chris Skepis era seu amigo e aliás, foi o Hélcio quem nos apresentou, quando este me convidou a fazer shows com a banda Tributo do Black Sabbath, "Electric Funeral", em 1990.

Na Patrulha do Espaço, Hélcio era amigo de longa data do Junior, e através de mim, Rodrigo Hid, e Marcello Schevano também se tornaram amigos dele.

No Pedra, a ligação de Hélcio com Xando Zupo também remetia aos anos 1980, e numa ocasião em que quebrou o braço, no início dos anos 1990, o Xando o substituiu em shows do Golpe, interinamente. 
Portanto, sua perda repentina foi sentida por todos, e foi um tremendo choque.

Poucos dias após a sua perda, recebi um recado inbox no Facebook, sondando a minha possibilidade de participar em um show em homenagem ao Hélcio, e com renda revertida à sua viúva, para minimizar a despesa do sepultamento.

Claro que aceitei de pronto, pois seria uma honra homenageá-lo, e ajudar sua viúva.

Mais que isso, era a oportunidade póstuma de lhe agradecer por tanta ajuda que me deu, e tenho casos relatados aqui mesmo neste tópico, com trabalhos avulsos que foram proporcionados por ele, Hélcio.

Óbvio que aceitei, e fui informado por tal produção, que muitos amigos estariam aderindo, e não se podia esperar outra coisa, em se considerando a comoção gerada, e mais que isso, o quanto o Hélcio era querido. 

Camarim do Olympia, em São Paulo-1992- Show do Black Sabbath Hélcio e Tony Iommi, seu grande ídolo, e influenciador na carreira

As circunstâncias descritas eram as seguintes : esse show tributo seria feito por combos arranjados na hora, mesclando os músicos, e cada combo tocaria duas ou três músicas do Golpe do Estado; Mobilis Stabilis, ou do Harppia, bandas onde ele foi membro, e cogitava-se até músicas do Black Sabbath; Judas Priest; Ufo, e Michael Schenker Group, bandas internacionais que ele gostava, e o influenciaram como guitarrista.

Os dias foram passando, e houve uma certa falta de comunicação entre as três organizadoras e os músicos, mas não as estou culpando, pois ficou meio implícito que tal escolha de músicas a serem tocadas, ficaria a cargo dos músicos.

De minha parte, avisei que não tinha tempo para tirar muitas músicas, portanto, gostaria de uma definição rápida, para focar em duas ou três apenas, mas essa definição não veio. 


Minha comunicação era mais com o Abdalla, um grande amigo meu vocalista, que tem muitos trabalhos cover na noite paulistana, e que seria o cantor do combo onde eu tocaria.

Faltando dois dias para o evento, resolvi ir com a proposta de fazer uma jam session de improviso, pois não havia nenhuma comunicação oficial sobre que músicas eu tocaria, mas isso não importava. O importante era homenagear o Hélcio. 


Cheguei no local, a "Livraria da Esquina", e gostei do astral do local. As instalações eram simples, aparentando similaridades com salões de Rock periféricos, mas havia um astral meio contracultural, com decoração evocando figuras bacanas da literatura, e motivações "mezzo" psicodélicas. 

De fato, ali era uma livraria com estrutura para shows musicais, o que tornava o ambiente bacana pelos propósitos nobres. Encontrei inúmeros amigos, e devo dizer que a maioria era mais da cena do Heavy Metal oitentista, do que da órbita do Golpe de Estado.

Haviam mais fãs do Harppia, o que era meio exótico, porque a despeito do Hélcio ter uma parte de sua carreira nessa banda, e nessa cena, sua fama maior foi construída no Golpe de Estado. 


Isso podia ser explicado parcialmente pelo fato das garotas que organizaram a festa, terem mais proximidade com tal cena do Heavy-Metal oitentista. 

Nada contra, mas achei exótico tocarem muito mais material do Harppia, do que Golpe de Estado, e nenhuma menção ao Mobilis Stabilis, outro trabalho importante do Hélcio. 

E assim, os sucessivos combos foram tocando, com o Heavy-Metal predominando. Percy Weiss; Tibério Corrêa; Ricardo Ravache; Nilton "Cachorrão", e outras figuras dessa cena, tocaram, e o Rubens Gióia, meu ex-colega da Chave do Sol, participou também. 

O guitarrista da banda Nacionarquia, Roger Bacelli, chamou-me então para tocar, e na hora, organizou um combo. Perguntou-me se eu toparia tocar alguma coisa da Chave do Sol com o Rubens.

Claro que eu topei tocar com ele, mas achei que tentar alguma música da Chave do Sol seria uma temeridade, pois as músicas dessa minha ex-banda, eram complicadas, cheias de convenções, e detalhes e que não dava para tocar numa jam despretenciosa. 


Na verdade o correto seria ter ensaiado previamente para fazer direito se fosse o caso, mas na falta dessa pré-produção, o melhor a ser feito ali seria uma jam de improviso.

O Roger, que é um excelente guitarrista e muito gente boa, ainda ponderou se eu toparia fazer um cover, e que o Rubens havia proposto fazermos Hendrix. Insisti que uma jam seria mais seguro, e mais condizente com o espírito do espetáculo.

E assim, subimos ao palco; o combo formado na hora consistia de Roger Bacelli na guitarra; Marcelo Ladwig (Baterista da ótima banda de Hard-Rock, King Bird), e Rubens na outra guitarra, além de eu mesmo no baixo.

Por incrível que pareça, com todo o afastamento que eu e Rubens tivemos pelos desentendimentos que culminaram com o fim da Chave do Sol, e início de uma dissidência para mim e Beto Cruz, o fato é que eu não tocava com ele, desde dezembro de 1987...

Enfim, portanto, além da comoção pelo Hélcio e de fato, o banner colocado no palco com sua foto não nos deixava perder o foco do propósito daquela festa, foi emocionante também para nós dois esse reencontro.

Filmagem proporcionada pelo casal Rocker de fotógrafos e documentaristas, Bolívia e Cátia

Estávamos os dois sob comoção por isso também, era nítido nos respectivos semblantes. O tema que tocamos foi algo inspirado em Jazz-Rock ou Fusion, com o Roger criando na hora uma bela harmonia com sofisticação jazzística. 

Todos entraram no clima e ambos os guitarristas se revezaram em solos de improviso interessantes. Eu e Marcelo nos entendemos bem, promovendo mudanças de levadas, às vezes insinuando o Funk-Rock setentista.

O público presente se aglomerou na frente do palco, e houve uma comoção. 


Não esperava por isso, mas dentre os admiradores do Heavy-Metal oitentista, havia e há um respeito enorme pela Chave do Sol. 

Isso eu entendo e aceito positivamente, embora no capítulo da Chave do Sol nesta autobiografia, tenha feito inúmeras ressalvas ao fato da banda ter se aproximado dessa cena. 

Ainda penso assim, mas jamais poderia deixar de reconhecer o carinho dos que professam tal admiração pessoal, e enxergam a Chave do Sol como componente desse cenário. 

Fiquei muito contente com essa pequena comoção pró-Chave, e mesmo não atendendo aos gritos de pessoas que pediam músicas da banda e outros mais ousados cobrando uma "volta", claro que agradeci o carinho, com entusiasmo.

Terminada a minha participação, fiquei mais um pouco na casa, e parti, não sem antes cumprimentar as meninas ( Sandra Marques; Christine Funke, e Gigi Jardim), que se esforçaram para o evento acontecer.

Foi assim a minha participação no evento "Tributo ao Hélcio Aguirra", em 22 de fevereiro de 2014, na Livraria da Esquina, em São Paulo.



http://whiplash.net/materias/shows/198805-golpedeestado.html


Cabe registrar que esse evento teve alguns problemas decorrentes de alguns mal entendidos gerados em redes sociais. Uma celeuma foi criada, pois havia a informação de que os membros do Golpe de Estado estavam desaprovando a realização de tal evento, e teriam lançado uma nota oficial, repudiando-o.

De fora dessa questão, mesmo porque sou amigo dos três membros remanescentes, não entendi o por quê deles terem tido essa reação.

Uma explicação inicial dava conta de que eles consideravam o evento muito próximo do passamento do Hélcio, e que ele merecia um Tributo de maior porte, e organizado pela banda, de forma oficial.

Bem, se por um lado havia uma certa razão, pois o Hélcio merece um evento de grande porte para homenageá-lo, por que uma iniciativa gerada por amigos, e mesmo sem grande magnitude, não poderia ocorrer ? 

Nesses termos, o Hélcio por ter muitos fãs e amigos, merecia tal carinho espontâneo, e ninguém poderia querer monopolizar uma homenagem. 

Por que não poderia acontecer tal Tributo ?

Bem, dias depois do Tributo ter sido realizado, outra polêmica. 

Um boato surgiu no metiér, de que o evento fora manipulado para a renda não chegar às mãos da viúva do Hélcio, mas que fora embolsada por um elemento, que manipulara as três organizadoras do evento.

Quando ouvi isso, fiquei indignado, pois era uma mentira deslavada que se espalhava de forma sorrateira pelas redes sociais da Internet, e que denegria a imagem, não só das meninas envolvidas, mas fazia de nós, participantes (eu, incluso), "palhaços" que fomos tocar com um nobre propósito, e teríamos sido usados como idiotas úteis.

Imediatamente entrei em contato com uma das garotas, e lhe passei tal informação sobre o boato, e ela prontamente apressou-se e esclareceu tudo, não sem antes mostrar-se boquiaberta com a maldade sabotadora de quem espalhou tal calúnia.

Enviou-me internamente o borderaux da noite, e marcou visita à viúva do Hélcio, para entregar-lhe a quantia, que passava um pouco de mil reais. 

Mas a viúva recusou-se em receber, dizendo-se constrangida pelo mal entendido gerado antes da realização do evento, e autorizou a produção do show a doar o dinheiro à uma instituição de caridade.

Dessa maneira, o dinheiro foi doado para a AACD de Osasco, e essa amiga minha postou o recibo no meu inbox de Facebook, e deve ter tornado isso público para calar a língua venenosa dos caluniadores vagabundos de plantão. 

Não acompanhei mais o caso, e não vou postar o recibo aqui, para não expor ninguém, mas na minha consciência, estou tranquilo, ciente que não fui "palhaço" de nenhum gatuno, como estavam falando, e nem as três meninas podem ser acusadas de também terem sido idiotas úteis de ladrões.

Três meses depois, um outro evento com maior magnitude foi organizado pelos membros sobreviventes do Golpe de Estado, com vários convidados num dos palcos da Virada Cultural de São Paulo, mas desta vez, não fui convidado, e era óbvia a razão, pois o Nelson Brito é que deveria pilotar o baixo, o tempo todo. 


E nessa ocasião, a homenagem foi calcada no Golpe de Estado, notadamente a banda onde o Hélcio mais brilhou em sua carreira.

Descanse em paz, amigo Hélcio, e muito obrigado por tudo !!



Capítulo geral dos Trabalhos Avulsos, encerrado, mas sujeito a reabertura, sempre que for necessário.