domingo, 20 de julho de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 145 - Por Luiz Domingues


Bem, esse telefonema que recebemos da danceteria "Tífon", nos comunicou que o tal show inaugural de sua fase "pesada", em sua programação, houvera gerado uma grande briga em suas dependências. 


Tal briga teria sido entre os admiradores de Robertinho de Recife, contra "New Wavers", inconformados com a presença de um artista de Heavy-Metal no seu "templo", e daí o pau quebrou. 

Como consequência, o show terminou de forma abrupta e no tumulto, grande parte do equipamento de P.A. da casa, foi avariado, portanto, se quiséssemos manter a data de pé, teríamos que nos responsabilizar pelo P.A. do show, levando o nosso, ou alugando um compatível com o tamanho da casa.

Era fora de cogitação usarmos o nosso pequeno P.A. Ele servia apenas para os nossos ensaios, e no máximo modestas apresentações em casas de pequeno porte. 


Então, a solução seria alugar um equipamento, arcando com tal despesa, sem nenhuma ajuda da referida danceteria.

Ora, o mais lógico teria sido desmarcar a data. 


Um cancelamento teria nos poupado de uma série de aborrecimentos que sucederam-se, fazendo desse show, um roteiro de comédia, que nem Jerry Lewis conceberia. 

O que contribuiu decisivamente para que insistíssemos com a manutenção do compromisso, foi o fato de que já havíamos enviado filipetas pelo correio, para centenas de pessoas que tínhamos no nosso mailing do fã-clube.

Era um trabalho dispendioso e oneroso, mas naquela Era pré-Internet, era um meio muito eficaz de divulgação de shows. 


Especificamente falando desse show, nossa verba para divulgação era curta e não dava para pensar em outros meios, portanto, apostamos no mailing, e diante dessa notícia vinda da parte deles, nos doeu a ideia do dinheiro de nosso caixa indo pelo ralo, e o tempo gasto para a preparação, pois as tais centenas de cartas eram preparadas num sistema manual, e demandava horas de trabalho.

Então, resolvemos sustentar a data e bancar o P.A, , acreditando que teríamos um retorno legal de bilheteria. 


Ora, éramos muito jovens e estávamos inebriados pelos ventos positivos que sopravam, portanto, por que não acreditar que teríamos um público bom ? 

Contudo, não ponderamos outros aspectos :

1) Era uma casa hostil, portanto havia o risco disso inibir o nosso público ter vontade de ir lá, deixando para nos ver noutra circunstância mais agradável;

2) Seria num feriado, portanto, era uma incógnita total a presença de público.

Correndo o risco, checamos a nossa conta bancária e a banda tinha um montante reservado para a futura gravação de uma demo-tape, com o objetivo de levar ás gravadoras grandes, com músicas novas e mais centradas no universo pesado, e acima de tudo, contando com a presença do vocalista gaúcho, Chico Dias, nosso novo "frontman". 


Mas diante de tais circunstâncias e pensando de forma otimista, achamos que estávamos calçados para bancar um P.A. e claro que não usaríamos esse dinheiro, para tal finalidade menos importante para nós...

Não era uma quantia grande, por isso descartamos contratar uma daquelas empresas famosas que faziam grandes shows de artistas consagrados. Optamos por contratar um equipamento mais modesto, porém adequado ao ambiente acústico daquela casa, que era de médio para grande porte.

Contratamos então o equipamento do mesmo rapaz que sonorizou o nosso show no colégio Piratininga, em abril de 1983. Eu o conhecia desde o início de 1980, porque ele auxiliou muitas vezes o Terra no Asfalto, minha banda cover naquela ocasião.

Em 1984, surpreendi-me ainda mais do que em 1983, pois ele crescera mais, e seu equipamento em nada deixava a desejar em relação às empresas de grande porte do setor e a vantagem, era uma tarifa bem mais acessível.

Essa foi a parte boa da produção desse show...depois disso...



Continua...

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