sábado, 19 de julho de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 142 - Por Luiz Domingues


A sensação de ter shows em dias consecutivos era ótima. 

Tratava-se de uma agenda em expansão, e fruto de nossos esforços com muitas oportunidades na TV, Rádio e matérias na mídia impressa.

E foi assim que surgiu mais um convite para fazer um show num espaço cultural estatal, desta feita, no Centro Cultural do Jabaquara. 


Tratava-se de um espaço novo em folha, com a proposta de ser um polo de cultura para aquele simpático e tradicional bairro e região.

Pelo que vimos, cumpria essa meta, com várias atividades no campo da literatura (palestras com escritores, saraus); exposições; teatro; cine-clube; shows musicais; atividades infantis, e com idosos etc etc. 


Havia dentro dessas atividades todas, um projeto para shows de Rock, com bandas autorais e independentes. E dentro desse espectro, recebemos o convite.

O show aconteceu no período da tarde, um esforço para forjar um novo hábito para o público daquele bairro e imediações. 


Nessa altura, terceiro show com a banda, o Chico Dias já demonstrava bem mais entrosamento conosco, e mais serenidade.

O show foi bom, com energia e performance forte, potencializada pelo fato do palco ter uma metragem grande. 


O som era inadequado para o espaço, mas deu para fazer o show, ainda que não em condições ideais. 

E a luz era digna, com torres de spots novinhas, apesar do iluminador fazer o burocrático papel de ligar e acender aleatoriamente os spots, sem um mapa de luz, e claro, nem cogitar afiná-los adequadamente. 

Isso aconteceu no dia 7 de outubro de 1984, um domingo. 

O projeto se chamava "Última Estação", uma referência ao fato do Centro Cultural do Jabaquara ficar muito próximo da estação Jabaquara do Metrô, a última da linha 1, azul. 

Uma banda nova fez o show de abertura. 

Chamava-se "Bandazul". 

Chamou-me a atenção o fato de que essa banda destoava das correntes estéticas em voga naquela década. 

Não eram nem de longe ligados ao Heavy-Metal , mas tampouco tinham comprometimento com alguma escola do Pós-Punk. 
 

Era uma boa banda, mas fiquei sem entender a sua proposta musical. Na hora, achei que tinham influência da MPB, mas era algo difuso, sem muita clareza. 

Um bom público esteve presente no Centro Cultural Jabaquara, naquela tarde. 

Cerca de 200 pessoas passaram pela bilheteria e no final do show, fui abordado por muitos frequentadores do Rainbow Bar, que ficava localizado ali perto, e entre eles o "Taínha", figura mítica daquele bar, e que já não está entre nós, mas é lembrado por todo mundo que frequentava aquele espaço rocker, no Jabaquara.



Continua...

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