quinta-feira, 17 de julho de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 139 - Por Luiz Domingues

Ainda trabalhando para adaptar o Chico Dias o mais rápido possível
durante os ensaios, voltamos ao interior, uma semana depois. 


Desta feita, o compromisso também era numa cidade próxima, chamada Atibaia, às margens da Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo à Belo Horizonte.
 

Esse foi, na verdade, o show de estreia dele, na banda. 

O show seria realizado num pequeno Centro Cultural, no centro daquela cidade, onde realizava-se atividades de oficinas de artes plásticas, pequenos saraus literários e apresentações musicais intimistas.

Portanto, preocupava-nos o fato de ser um espaço não preparado para um show de Rock pesado. De fato, não havia infraestrutura para tal e seria uma coisa adaptada e desconfortável para nós. 


Contudo, a oportunidade de tocar no interior era importante para os
nossos esforços de expansão, numa primeira análise, mesmo não sendo em condições ideais.

Outro ponto importante, era que o show fora fechado graças à um esforço de um abnegado fã, chamado Hélcio, que era da cidade e que morava em São Paulo, tendo assistido muitos shows, incluso na Fábrica do Som, onde teve a iniciativa de mandar fazer uma faixa nos exaltando e tendo-a exibido em participações nossas no programa, inclusive aparecendo em vídeos, hoje disponíveis no You Tube.

Pois então, esse fã proporcionou toda a ponte para o contato ser feito e fechado o show. 


Nesse dia, contamos com um apoio extra muito importante, da parte de um amigo da banda. O Daniel, vulgo "Papel", tinha uma casa de veraneio de sua família na cidade e insistiu para que nos hospedássemos lá para o show.

Não era o caso, pois Atibaia fica a apenas 60 Km de São Paulo e acabamos optando por voltar à São Paulo imediatamente, mas sim, usamos a casa como camarim, passando momentos agradáveis horas antes do show, curtindo a comodidade de uma baita casa confortável e afastada do centro, mais parecendo uma casa europeia no bosque. 

A Chave do Sol e sua turma de amigos/roadies, na casa de veraneio da família Negrão, minutos antes de irmos para o show do "Crie", em Atibaia / SP - 1º de setembro de 1984
Da esquerda para a direita, em pé :Zé Luis Dinola e sua namorada, Eliane Daic; Sergio; Hélio; Rubens e sua namorada Mônica Maya; Agachados : Daniel "Papel" (o dono da casa de veraneio); Eu (Luiz Domingues); Claudio "Capetóide", e Chico Dias 


O espaço cultural, chamava-se "Crie".

Fizemos o show com surpreendente público de cerca de 200 pessoas, o que era muito para um espaço inadequado para shows de Rock, tratando-se mais de um mini centro cultural, mais preparado para ser um espaço de exposições e apresentações musicais intimistas, como já salientei anteriormente. 

Apesar disso, o show foi bastante energético e mesmo com pouco espaço, o Chico Dias demonstrou ter potencial como "frontman", carecendo de um pouco de lapidação de nossa parte, e experiência, da parte dele.
O ponto negativo ocorreu com um roadie nosso, que criou uma confusão alheia à nossa vontade. 

Como já relatei anteriormente, havíamos passado por algo parecido poucos dias antes, mas desta vez o imbróglio foi mais sério. 

Ocorreu que esse roadie, que na verdade era um garoto bem novo e mais "carrier"(profissional que se dedica somente a carregar equipamentos e instrumentos, mas não se envolve em seu processo de montagem, que requer conhecimentos técnicos superiores), do que roadie, propriamente dito.

Empolgado em estar viajando com uma banda de Rock, inebriou-se com toda a atmosfera glamourosa que isso poderia soar em sua percepção e principalmente, quando percebeu que isso poderia dar-lhe algumas vantagens pessoais.

Entre tais supostas benesses por estar na equipe de uma banda, ele notou que isso facilitaria a possibilidade dele paquerar e conquistar garotas.

Então, engraçando-se com uma menina bem novinha e bonita, despertou a ira de alguns rapazes presentes, e o "zum zum zum" começou, com hostilidades e promessas de briga na rua, e o inevitável "acerto de contas".

Isso respingaria na banda, certamente, pois não aceitaríamos que ele fosse agredido, de forma incólume. 


Então, tentando apaziguar os ânimos, o amigo Hélcio, que era da cidade e conhecia os garotos, interveio, com amigos apoiando. 

O clima esquentou e na rua, chegaram a partir para as vias de fato, enquanto tocávamos, mas Hélcio e seus amigos apartaram e salvaram o rapaz, que se chamava Hélio. 

Os brigões prosseguiram hostilizando-o e prometendo voltar com "reforços", mas o Hélcio nos tranquilizou, dizendo se tratar apenas de moleques de cabeça quente e conhecidos na cidade, e que não haveriam desdobramentos preocupantes.

De fato, o show acabou tranquilo e nada mais desagradável ocorreu nesse sentido. Voltamos para São Paulo na mesma madrugada e com o dever cumprido, além de estarmos contentes com a estreia do Chico Dias.


De certa forma, foi importante ele ter estreado num show de pequeno porte, pois deu-lhe mais segurança para encarar compromissos mais importantes doravante, e de fato, em breve os teríamos.
 

Isso ocorreu no dia 1° de setembro de 1984.

Curiosamente, o próximo show seria num outro espaço, mas na mesma cidade de Atibaia...

Continua...

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