quarta-feira, 16 de julho de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 136 - Por Luiz Domingues


Após o show realizado na cidade de Vinhedo, as baterias centraram-se no show ao ar livre no Parque da Aclimação, no evento "Praça do Rock".
 
Era o domingo, dia 26 de agosto de 1984, numa tarde muito fria em São Paulo. 

Que eu me lembre, até o fim dos anos oitenta, as estações climáticas em São Paulo eram totalmente definidas e dessa forma, agosto era gelado, tradicionalmente, com maio, junho e julho, muito mais também. 

E assim, lembro-me muito bem que quando subimos ao palco da famosa concha acústica, que fica em frente ao lago, o termômetro eletrônico que ali ficava, marcava 7° graus.

Naquela tarde, se apresentaram também outras bandas, naturalmente. Além da Chave do Sol, passaram pelo palco do evento, o "Cygnus"; "Ano Luz", e "Abutre".

O "Cygnus", era uma banda muito interessante, que praticava um som instrumental voltado ao Jazz-Rock setentista, o que lhes dava similaridade conosco, apesar de que estávamos mudando a orientação nesse momento, conformo venho relatando.

O show deles foi bom, e eu gostei da proposta e do trabalho, com bons músicos, sem dúvida. Muitos anos depois, fiquei amigo do baterista, por outro motivo. Era o Paulinho, que tornou-se técnico de P.A. do Centro Cultural São Paulo e operaria muitos shows da Patrulha do Espaço, onde eu atuaria, e também do Pedra, a seguir, no decorrer dos anos 2000. 


Show do "Ano Luz", com Fran Alves em destaque, no mesmo dia na Praça do Rock. Fotos do poeta Julio Revoredo

A segunda banda, foi o "Ano Luz", uma banda de Hard-Rock, beirando o Heavy-Metal, mas com boas influências setentistas, ainda que obscurecidas pelo caráter então atual daquele momento.

Era uma boa banda, com bons instrumentistas, mas o destaque era o seu vocalista, chamado Fran Alves, um frontman de presença dramática no palco, e uma voz potente, chegando a ser impressionante.

Mundo muito curioso e que dá muitas voltas, mesmo. Vimos a performance do "Ano Luz" admirando a força interpretativa do Fran Alves ao cantar "Aurora Boreal", música de destaque do repertório dessa banda, mas nem passava pela nossa cabeça, algumas circunstâncias que nos envolveriam e num curto espaço de tempo.

Por exemplo :

1) Admiramos o Fran Alves, mas estávamos convictos de que havíamos achado o vocalista ideal para nós, na presença do gaúcho Chico Dias; 


2) O Chico Dias ainda nem havia estreado conosco, coisa que só aconteceria alguns dias depois, num show no interior de SP, que relatarei logo mais. Portanto, nem de longe vimos o Fran, com alguma intenção de que ele viesse e incorporar-se à Chave do Sol;

3) Não sabíamos, mas naquele instante, o "Ano Luz" estava num início de crise interna, e pouco tempo depois, encerraria atividades;

4) Mais que tudo isso, era inacreditável imaginar que o Chico Dias não daria certo conosco; sairia logo e o Fran Dias se tornaria nosso vocalista oficial nos últimos dias de dezembro de 1984, para estrear em janeiro de 1985, e entrar em estúdio em março, para gravar um álbum que o perpetuaria.

Pois é..."um minuto além", e tudo muda...

Mas, devo registrar que se nós três (eu, Rubens e Zé Luis), não cogitávamos isso, um membro honorário da banda estava presente no evento e sim, vislumbrou a possibilidade com muita sensibilidade e antevisão. O poeta Julio Revoredo nos revelou à época que estava muito impressionado com a performance do Fran Alves e que o considerava um vocalista ideal para A Chave do Sol. 

Fran Alves no palco do Parque da Aclimação. Foto do poeta Julio Revoredo


De fato, meses depois, o Julio foi decisivo nesse processo, quando perdemos o Chico Dias e ficamos novamente sem perspectivas. 

Graças ao poeta, a ponte foi feita, rapidamente estabelecemos contato e Fran tornaría-se o novo vocalista da nossa banda para o ano de 1985. 

Todo esse relato está ricamente elucidado pelo próprio poeta Julio Revoredo, em recente entrevista que concedeu ao Blog da Chave do Sol, conduzido por Wilson "Will Dissidente" (refiro-me a 2013).

Voltando à Praça do rock, a terceira banda era de garotos muito jovens, mas com um potencial, e uma garra impressionante. 


Chamava-se "Abutre" e essa sim, era uma banda bem calcada no som da época, mesclando o Hard californiano oitentista, com o Heavy-Metal, e uma brutal influência do Van Halen, ícone oitentista, sem dúvida.

Mais que garotos de potencial e força de vontade, o "Abutre" era composto por seres humanos excepcionais. Ficamos muito amigos dos quatro componentes, inclusive frequentando ensaios uns dos outros, e atividades sociais em conjunto.

Eram dois irmãos, guitarrista e vocalista, Wagner e Ricardo "Cabeção", os irmãos Giudice. O baterista Adalberto, popular "Dalbinha", e o baixista, Tomas. 


Outro elo que nos unia era pelo irmão mais novo dos Giudice, Adriano, que também era guitarrista e conhecia a irmã caçula do Rubens. 

Adriano Giudice era um garoto prodígio na guitarra, e mesmo muito novo, entraria no "Centúrias", a seguir, graças ao seu alto nível instrumental, apesar de imberbe, ainda.

Tocamos muitas vezes juntos doravante, e pelo menos até meados de 1987, nosso convívio fraternal foi constante.

A banda era muito jovem naquele agosto de 1984, portanto ainda carecendo de mais experiência naquela ocasião, mas sua performance naquele dia, foi acima da média, não deixando cair a peteca.

E por fim, chegou a nossa vez...

 Foto do nosso show na Praça do Rock - 26 de agosto de 1984

Continua...

2 comentários:

  1. Banda Ano Luz, foi a melhor banda de rock underground, e o Fran foi o melhor vocalista.

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    1. Muito bacana a sua participação, lendo este capítulo de minha autobiografia.

      De fato, o Ano Luz foi uma boa banda dessa cena pesada dos anos oitenta, e o Fran, sem dúvida, um vocalista muito acima da média, e com nível internacional, eu diria.

      Esteja convidado a acompanhar a continuidade desta narrativa.

      Grande abraço !

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