quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Hospitalidade de Dorinha - Por Marcelino Rodriguez

Dorinha é uma meio basset de uma amiga e tão educada, que se fosse gente, seria uma erudita de delicadezas, moça de ter lido , ao menos,  mais de dez poetas. 
Recebe os convidados sem rosnar, como convém aqueles que ainda tem a hospitalidade entranhada na educação.  Uma dama e como tal, eu, um cavaleiro dos velhos tempos,  se derrete em jardim.   
Foi a primeira a me receber e assim ficamos brincando por minutos que me fizeram esquecer, nesse minutos sem conta,  todas as repúblicas de patetas que existem na galáxia.   
Repúblicas de verdade existiriam se os homens fossem governados por sábios filósofos e hoje em dia não se lê nem Pablo Neruda nas escolas de base.   
Paulo Francis dizia conhecer um leitor de Platão só pela risada.

Dorinha é culta.

Enquanto a amiga vai ver umas coisas no escritório,  até que iniciássemos nossa prosa, a pequena Basset fica aninhada em meu colo confortavelmente, olhando o universo como se eu e ela fôssemos os grandes personagens de toda essa engrenagem entre nuvens e  estrelas. 
Conquistou meu coração para sempre, saber que ela não rejeita um intelectual quase honesto, nesse país de gente esquisita. Gente que não sabe ficar com prazer ao lado de seu próximo. 
Gente que rosna. 
Gente para quem não somos nada, quando não temos  capangas nem marketing. 
Dorinha me provou, naquela tarde, que nos cachorros letrados a sensibilidade de excelência e a sabedoria do Tao ainda existem em algumas poucas criaturas, as que sobrarão quando Jesus voltar.   
E como demora a voltar, não ? 

Nossa. 
Dorinha é o que há.  Para ela, sou um Nobel.  


Enquanto houver cachorros, terei esperanças.

 

Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz a história de Dorinha, uma cadelinha Basset muito culta.

2 comentários:

  1. Texto lindo, enquanto houver cachorros eu também terei esperança. Sempre terá um alguém para quem temos valor, sei que são poucos, mas é o suficiente. O que vale é qualidade, não quantidade. Vamos vibrar amor , alegria, gratidão que retorna sim, nem sempre pelo mesmo ser, como no caso da Dorinha.
    Os animais, em geral, nos ensinam muito, fidelidade, amor incondicional, companheirismo, gratidão, muitas pessoas é que passam uma vida e não aprendem.
    Como diz Beto Guedes:
    "A lição sabemos de côr, só nos resta aprender"
    Abraço!

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    1. Mas que bacana que tenha apreciado a crônica do colunista Marcelino Rodriguez. Como sempre, ele acerta a mão ao nos mostrar nas entrelinhas, que o Brasil precisa melhorar muito nos quesitos educação e cultura.

      Sobre a mensagem macro da crônica, perfeito, também. Os animais nos ensinam muito sobre fidelidade, lealdade e amor sincero.

      Sua citação da canção do Beto Guedes, foi a cereja do bolo !

      Muito grato pela participação, sempre muito enriquecedora !!

      Abraço !!

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