quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Dama de Braga - Por Marcelino Rodriguez

O caso daquela bela e melancólica Dama de Braga, é que ela nunca soube bem que era e nem porque seu coração era tão coração.
 

Foi a vida dela toda sonhar com um alto paraíso, que raramente se achava nas pedras de sua cidade, nem nas suas viagens.

Então, ela deu de escrever e pintar e a perseguir mistérios,
sonhando infinitamente com um amor maior do que o amor.
 

Os livros que lia é que escrevia dentro dela, sem ela saber,
a mulher que se tornaria para outro homem, em outro país,
como um sonho dentro de um sonho.


O cavaleiro perdido também tinha seu diário, até que um dia
os dois corações se encontraram. Ele viu nos olhos dela
todas suas necessidades, anseios, esperanças
e disse: - salva-me, por favor.

Ele escreveu:

Amo seus olhos.
Amo seu português.
Amo sua melancolia.
Amo seu pensamento profundo.
Amo seus sonhos.


Amo seus quadros, seus poemas.
Amo saber que um dia estaremos juntos
sob as mesmas cortinas.
Amo saber que amar e protegê-la é tudo que preciso. 


A Dama de Braga é apenas um sonho, assim como o cavaleiro.
 

Será uma realidade quando houver o despertar
e o nevoeiro deixar o oceano que aparentemente
os separa. 


Só aparentemente.
 

A Dama de Braga é a respiração do cavaleiro.






Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica falando sobre o amor dividido por um oceano...

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