quinta-feira, 22 de maio de 2014

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 10 - Por Luiz Domingues


Na verdade, se algum vidente tivesse me dito isso em 1976, eu não acreditaria. 

Era inimaginável ter a certeza de um dia estar numa banda de porte, descendente direta da árvore genealógica dos Mutantes. 

Evidentemente que os anos passaram, me tornei um homem de meia-idade e mediante a experiência acumulada de anos e anos, e somada à toda a gama de coisas pelas quais passei, positivas e negativas, claro que minha visão era diferente.

Portanto, havia sim essa reflexão de regozijo, mas também a cautela de saber que essa visão edulcorada não cabia mais no frescor do momento.


Nós havíamos abandonado o Sidharta, apenas simbolicamente, pois todo o repertório, e principalmente o conceito do projeto estavam apenas se incorporando à outra vestimenta.

Nesse sentido, o fato do Sidharta ter precipitado a volta da Patrulha poderia ser interpretado como uma fusão que deu a possibilidade do Sidharta subir um degrau, sem ter feito nenhum show na sua história.



E do lado da Patrulha, uma banda há anos no ostracismo, e vivendo de aparições sazonais, e sem criar nada desde a metade dos anos oitenta, a possibilidade de injetar sangue novo, com 21 músicas inéditas na bagagem, dois multi-instrumentistas jovens, e sensacionais, além de toda uma evocação sessenta-setentista que não tinha desde a época de sua fundação em 1977, com Arnaldo Batista no comando da nave.
 

Era portanto, uma fusão muito boa para ambos.

E os meninos, estavam eufóricos. 

Claro, eles já eram ultra-talentosos, mas completamente desconhecidos na cena musical. 

Suas experiências se resumiam à aparições amadorísticas de bandas de garagem em festinhas; festivais colegiais, e bares onde a audiência era predominantemente de amigos, apenas. 

Em poucos meses de Patrulha, seus rostos já começaram a aparecer em jornais e revistas, shows etc. 

Mas aí é assunto dos próximos capítulos.


Continua...

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