quinta-feira, 24 de abril de 2014

Autobiografia na Música - Pitbulls On Crack - Capítulo 24 - Por Luiz Domingues


Eu lembro-me do Chris Skepis por perto, mas como sempre, ele emendou mil brincadeiras, e trocadilhos, desanuviando o ambiente, com seu bom humor habitual. E depois de acalmados os ânimos, o produtor voltou mais "relax" do café. Além do mais, chegaram duas visitas famosas para acompanhar a minha gravação : Paulo Miklos e Kiko Zambianchi. Estavam, digamos, bem "alegrinhos"...

O Miklos ficou elogiando o meu Rickenbacker, mas nitidamente repetia as frases que proferia a esmo, pois isso fazia parte de sua viagem.
E o Kiko não lembrou-se de minha pessoa, pois conversamos uma vez ao telefone, em 1988, quando eu estava tentando fechar um show para A Chave (sem Sol), em Ribeirão Preto, sua cidade natal, e sabendo que ele era conhecido de meu tio que mora lá, e da minha prima, eles fizeram a ponte ligando, e apresentando-me. Mas não deu em nada, pois ele não passou-me nenhum contato forte, e limitou-se a dar dicas óbvias. Encerrando o caso do "trastejamento", esse stress foi contornado rapidamente. Primeiro porque eu sou um sujeito zen, e raramente estresso-me. Depois, porque como já falei várias vezes neste capítulo do Pitbulls on Crack, essa foi a banda mais "desencanada" que eu toquei na vida.
Rara foto da gravação dessa coletânea no estúdio Be Bop em 1993. Da esquerda para a direita : Érico (técnico); Carlos Eduardo Miranda (produtor); Deca e Chris Skepis. Acervo e cortesia de Chris Skepis. Autor do click, desconhecido

Era só brincadeira o tempo todo, pois os três outros componentes tinham / tem essa verve espirituosa. Qualquer coisa que era falada por um, virava trocadilhos; ironias, e um festival de sarcasmos imediatamente para os demais, e assim ficavam num eterno desencadear de piadas sobre piadas.
E tem mais uma coisa : o Miranda adorava o Chris também por esse humor de "Monty Python" 24 h. por dia, e principalmente pelo fato do Chris ser antenado em som indie. E assim, ficavam horas falando de bandas insípidas, que só eles conheciam...
A despeito desse imbróglio, eu concluí a minha parte muito rapidamente. Quem toca ou tocou comigo, sabe que costumo gravar muito rápido, pois minha timbragem é simples, e no quesito execução, eu costumo focar na gravação sem dispersões, sendo muito objetivo. Outra coisa, cada um pensa de uma forma, mas o meu jeito é o seguinte : quando estou gravando, tenho a mesma postura de quando toco ao vivo. Deixo levar-me como um ator para outra dimensão e ali, naquele momento, deixo os Deuses do Rock manifestarem-se. Foco o pensamento na emoção, e tento imprimir esse sentimento nas notas que toco. Todos os discos que gravei na vida tem isso, com exceção de "A New Revolution", da Chave "sem Sol", onde definitivamente, não tem alma, mas isso eu expliquei no seu capítulo adequado. Depois que terminei, vieram as sessões do Chris, alguns dias depois. Deveriam ser tranquilas, pois ele toca simples. Faz bases eficientes, mas bem simples, sem grandes voos, mais ou menos como o Marc Bolan tocava, mas o Chris toca melhor que o velho Bolan, na minha avaliação, pois entre outras coisas, este morreu sabendo fazer apenas seis acordes...
Aliás, uma tremenda influência dele, que adora o Glitter Rock setentista (eu também adoro).

Chris tentando timbrar sua Fender Stratocaster, mas o produtor imbuído de vontade de buscar um timbre condizente com o que estava acostumado a gravar, com suas bandas punks. Acervo e cortesia de Chris Skepis

Continua...

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