sábado, 7 de dezembro de 2013

Para Viver um Grande Amor - Por Marcelino Rodriguez


As pessoas em geral , quase todas, sonham em viver um grande amor. Dia desses, um amigo meu solteirão que já andou quebrando a cara, disse-me com ar melancólico que gostaria de estar casado. Na primeira tentativa ele viu que sua amada falava, quando zangada, muitos nomes feios, como se fosse o Teodoro do bar.

Não fomos feito no projeto original para solidão. Adão se queixou no paraíso, suspirando, e Deus criou a mulher. O mundo de hoje, porém, anda perigosamente subvertendo a ordem natural das coisas e isso tem causado muita frustação em ambos os sexos ortodoxos e mesmo nos novos sexos modernos que estão surgindo.
A internet também criou o fenômeno dos cérebros e seres sem profundidade. Temos que ter cuidado com isso. Para viver um grande amor é preciso ir além dos cliks e das curtidas. Para viver um grande amor é preciso viajar para o coração do outro. Ai é que começa a ruir o castelo dos amantes modernos. Eles só querem receber do outro lado da tela, da linha, da ponte, da cidade, do país. Os amantes modernos são consumistas. Falta-lhes a grandeza literária e poética do ideal. O amor verdadeiro, que vai além mesmo do instinto, tem a ver com dar, não com receber.

As mulheres querem ser amadas, mas não se preocupam mais em agradar os homens. Existem até aquelas que nem pintam as unhas, o que é uma aberração. Já vi amigos meus em Copacabana chorando por seus travestis ultrafemininos.

Os homens estão perdidos. As mulheres de mercado não conhecem a grandeza do amor nos seus prejuízos e renúncias. São programadas para o falso sucesso das vitrines e slogans.

Os intelectuais ficam esperando encontrar a amada que dirá que seu poeta preferido é esse ou aquele, ou então que a amada aprendeu domar sua mente e sabe aplicar um reiki ou uma massagem. Ou que fale razoavelmente dois idiomas.
 
Uma mulher que não saiba cozinhar é um homem.
 

O amor, acreditem, está acima da mediocridade.
 

Quem não for capaz de matar ou morrer por amor, demita-se da pretensão de viver uma grande e verdadeira história. Não é coisa para covardes e acomodados. Viver um grande amor é coisa para quem tem um coração valente.
 

Para viver um grande amor é preciso estar comprometido com a vida do ser amado. O amor não é um acústico. Trata-se de coisa épica.




Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. 

Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica sobre um assunto que mexe profundamente com as pessoas, mas o foco nem sempre é o mais adequado para se lidar com a problemática...

Ilustração final : Carl Moroder 

2 comentários:

  1. Amor, força que move o mundo. Sem amor não somos nada. Realmente não nascemos para ficarmos sozinhos . Para algumas pessoas é difícil ter as prioridades certas na vida. Como diz o texto: é preciso estar comprometido com a vida do ser amado. Não sigo dogmas mas gosto muito desse ensinamento:
    O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
    Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
    Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
    Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    O amor nunca falha;
    Sem joguinhos, sem vinganças. Afinal só o amor é real.

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  2. Excelente a sua participação, Jani !

    De fato, só o amor é real, disse-o, muito bem.

    O Blog agradece sua leitura e participação na crônica do colunista Marcelino Rodriguez !

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