quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 64 - Por Luiz Domingues


Paulo Eugênio  :

Depois que fizemos a reunião final de acerto das contas do equipamento, nunca mais tive contato algum com o Paulo Eugênio. 

Em recente visita que fiz à casa do guitarrista Aru (escrevi este trecho em 9 de maio de 2012, na extinta rede social, Orkut), tive uma péssima notícia a respeito dele. 

Fui informado que ele faleceu há cerca de 4 ou 5 anos atrás (ou seja, considere 2007, ou 2008, e o Aru também não sabia essa informação com precisão). 

Segundo ele me disse, o Paulo Eugênio faleceu numa mesa de cirurgia de hospital. 

Não sabemos se em decorrência de uma doença; ou se sofreu um acidente, ou mesmo se ainda fora vítima de alguma violência urbana, enfim. 

O Paulo Eugênio era um bom cantor, sem dúvida. Mesmo sem instrução teórica, ele tinha noções boas de afinação; pulso; ritmo; andamento; emissão; respiração, enfim, o be-a-bá do vocalista. 

Era também um bom percussionista, muitas vezes ajudando com suas intervenções rítmicas, trazendo balanço à banda. 

Tinha boa dicção, e cantava bem em inglês, com pronúncia aceitável. 

Sua performance de palco era boa, com desinibição, e se comunicava bem com o público, muito respaldado por ter sido guia de excursões à Disney World. 

Ele sabia conduzir o público, e tinha um carisma legal. 

Lamento muito que já tenha partido, considerando que era pouca coisa mais velho do que eu e hoje (2012, quando escrevi), talvez estivesse na casa dos "50 e poucos anos", de onde concluo que faleceu muito jovem.

O Paulo era uma personalidade aglutinadora para a banda. 

Sempre foi o dínamo nesse sentido, tomando a dianteira para reformulações necessárias na parte interna da banda, além de ser o business man, pois todos os contatos de apresentações, eram fruto de seus esforços, não como empresário, eu diria, mas como relações públicas, sem dúvida.

A Brasília preta da primeira foto, é emblemática, pois era o "Pauloeugêniomovel" oficial, e é praticamente um símbolo do Terra no Asfalto, naqueles três anos em que convivemos, e trabalhamos pelos bares de São Paulo.



Aru Júnior ou Aru : 

                               Foto atual do Aru Junior

Recentemente (maio de 2012), fui visitar o Aru em sua casa, onde passamos horas falando sobre nossas lembranças do TNA. 

Muitas informações novas me foram passadas desde essa visita, e ajudaram-me a encerrar esse capítulo do TNA, com maior riqueza de detalhes.

O Aru foi o membro do TNA que tive mais contato depois do fim da banda. 

Lembro-me em 1988, convidou-me a conhecer sua casa na ocasião, onde mantinha um estúdio de ensaios. Nessa época, estava casado com uma cantora chamada "Dadá", que também fora apresentadora da TV Cultura de São Paulo, onde chegou a apresentar "A Chave", na fase "sem Sol" (ela apresentava o "Boca Livre", dividindo a apresentação com o Kid Vinil).

Ele cogitava montar uma banda autoral nessa época, e chegou a convidar-me para conhecer o trabalho, mas eu estava com A Chave, e não pude comprometer-me na ocasião. 

Sua esposa na época, estava para lançar-se no mercado fonográfico hispânico, com um repertório pop latino, e talvez sobrasse oportunidade para ser side-man. 

Mas não frutificou, apesar deles terem ido ver um show da Chave, no Black Jack Bar, com a intenção de reforçar o convite para eu integrar a banda de apoio dela.  

Anos depois, o Aru apareceu num show da Patrulha do Espaço no Centro Cultural São Paulo (em 2000, para ser preciso). 

Ele conhecia o Rolando Castello Júnior desde os anos setenta, pelo fato do Júnior ter namorado a sua irmã, Ruth.

Na época do TNA, o Aru atacava de Gibson SG, como essa da foto acima.

Em retribuição, fui assistir a apresentação da banda Yessongs, cover do Yes, no Café Piu-Piu do bairro do Bexiga, dias depois. 

Fiquei contente por vê-lo tocando e cantando em grande estilo, o repertório complexo do Yes, e com perfeição, ainda mais tendo o excelente baixista Gerson Tatini (Ex-Moto Perpétuo), na formação dessa banda, e sem dúvida, trata-se do maior especialista em executar as linhas de baixo do Chris Squire, no Brasil.

Em 2011, quando comecei a tocar com o Kim Kehl e Os Kurandeiros, o baterista Carlinhos Vergueiro me contou sobre a entrada do Aru na banda de apoio do ex-Secos & Molhados, Gerson Conrad, onde ele é baterista há mais de seis anos. 

Fiquei muito contente por saber dessa entrada dele na banda do Gerson Conrad (Trupi), quando decorrente desse contato, rapidamente nos adicionamos no Facebook, e agora o contato está sacramentado, pois além do mais, moramos no mesmo bairro.

E outras duas curiosidades que ele me contou na tarde de 2 de maio de 2012 : a primeira, será relatada quando eu falar sobre o Fernando "Mu", nestas considerações finais. 

A segunda, diz respeito à própria família dele, e me surpreendeu, pelo caráter inusitado da coincidência, no melhor estilo "mundo pequeno".

No capítulo "Trabalhos Avulsos", relatei a formação de um trio instrumental onde atuariam eu, Cido Trindade e o cunhado dele, Luis, um guitarrista de estilo bastante jazzístico. 

Pois bem, quando perguntei dele (o seu cunhado, Luis), fui informado que a segunda filha dele, sobrinha do Aru, é estrela no mundo do Indie Rock internacional...

Como assim ??

Chama-se Luiza, e é guitarrista da banda indie, "Cansei de Ser Sexy". Inacreditável mundo pequeno !!

Quando o TNA estava na ativa, lembro-me do nascimento da primeira filha do casal Luis & Ruth, chamada Diana. 

A Luiza nasceu depois, cresceu, e hoje faz tours mundiais com sua banda...

Bem, falando do Aru, especificamente, tenho a dizer que se trata de um músico de sólida formação teórica. É multiinstrumentista, pois toca bem piano, e estudou Cello, numa universidade americana. 

Como guitarrista, é excepcional, e seu estilo transita entre Steve Howe e Jimmy Page em doses maciças, e com pitadas generosas de George Harrison nessa receita. 

Bom vocalista, e com talento de arranjador, quando entrou na banda, tornou-a segura, toda arrumadinha tal como uma orquestra. 

Se por um lado perdemos o ímpeto dos primeiros tempos com a "porralouquice" do Gereba, e a rebeldia rocker do Mu, com o Aru, viramos uma orquestra bem ensaiada e muito segura.

Aprendi muita coisa com ele, que era bem mais experiente e preparado teoricamente, na música. 

Mas uma coisa que aprendi com ele, e reputo ter mudado a minha vida, nem tem a ver com teoria musical, e diz respeito à mise-en-scené : ele insistia para que todos fizéssemos movimentos com o instrumento, pois segundo dizia :

 -"o público leigo não entende de música em sua maioria. O cara te vê, e não sabe discernir se você toca bem ou mal. Mas se você se agitar freneticamente, o convencerá que você é ótimo". 

Nunca mais me esqueci dessa dica, e a partir do nascimento da Chave do Sol, adotei uma performance de palco, a mais frenética possível. 

Com isso, despertei a atenção de fãs e jornalistas, que criaram uma aura sobre mim, superestimando-me. 

Muito do que construí na minha carreira, foi graças à essa postura cênica adotada, e decorrente da valiosa dica do Aru.

E sou-lhe eternamente grato por ter tido o cuidado de escolher "a dedo", um baixo para mim na América, que acompanha-me até hoje; gravou todos os discos da minha carreira, e aparece em dúzias de vídeos, das bandas onde atuei / atuo. 


Realmente foi uma escolha preciosa, pois esse baixo é demais, e foi o meu primeiro baixo de alto nível que tive, após anos tocando em instrumentos de segunda, e terceira linhas.  



Esse é Aru Junior, um verdadeiro maestro, com uma vivência enorme na música, além do talento e alta capacidade técnica. 

Vá assisti-lo nos shows do Gerson Conrad, onde é seu guitarrista, e comprove !!
Continua...

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