domingo, 15 de dezembro de 2013

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 54 - Por Luiz Domingues


Com esse clima decadente, seguiram-se as últimas apresentações. 

Tocamos no Casablanca em 26 de setembro de 1981, com um público apenas razoável de 100 pessoas. No dia seguinte, 27 de setembro de 1981, apenas 40 pessoas nos viram tocar no Beatles 4 Ever. 

Depois disso, na semana seguinte, voltamos ao Beatles 4 Ever, no dia 2 de outubro de 1981, com desanimador público de apenas 20 pessoas. 

E finalmente no dia 3 de outubro de 1981, fizemos a última apresentação, nessa mesma casa noturna, com apenas 60 pessoas presentes.

Alguns dias depois, fizemos uma reunião, e ficou decidido o final das atividades da banda. 

O Cido estava envolvido com a cantora Eliete Negreiros novamente, e não demonstrou grande sentimento de perda.

Wilson estava empenhado em estudar. 

Havia entrado recentemente no "Clam", a escola de música do Zimbo Trio, muito famosa em São Paulo desde a metade dos anos setenta, e só falava em progredir como guitarrista, adentrando o mundo do Jazz. 

Paulo Eugênio queria reformular como sempre, e tentar prosseguir na noite, mas persuadido pelo Aru, e reforçado pela minha opinião, investiu numa outra direção, conforme relatarei a seguir.

Foi o seguinte : O Aru propôs iniciarmos uma experiência de tornar o TNA, uma banda autoral. Eu topei na hora, claro e o Paulo Eugênio também, mas acredito que sem nenhuma convicção. 

Talvez na mente dele, fosse uma estratégia para manter o núcleo da banda vivo, e daí pensar numa volta posterior, mas nos moldes do cover.

E assim, convidando o baterista Luis Bola que tivera passagem pelo TNA na metade de 1980, iniciamos um período de ensaios de um material autoral. 

O Luis Bola tinha um pequeno salão vazio, que estava para ser alugado, próximo à sua nova casa, no bairro do Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, onde estava morando há pouco tempo, desde que deixara o sobradinho de Pinheiros.

Então, montamos equipamento no salão vazio, e passamos a fazer ensaios regulares entre outubro e meados de dezembro de 1981, com a seguinte formação : Paulo Eugênio; Aru; Luis Bola, e eu, no baixo. 

Os ensaios eram muito improdutivos, pois com pouco traquejo para a música autoral, a banda apesar de ser formada por bons músicos, não tinha química alguma. Era um amontoado de bons músicos, mas sem amálgama alguma, infelizmente.


Atribuo esse fracasso artístico à falta de química numa primeira instância, mas também ao fato de estarmos viciados no esquema da reprodução mecânica dos covers. 

Lembro-me que nesses 40 e poucos dias em que insistimos nessa empreitada, ficamos patinando entre duas ideias que o Aru trouxe. 

Uma nem chegou a ganhar um contorno visível, mas a outra, chegou a ter arranjo, letra e melodia definida. 

Chamava-se "Irlandesa" e contava a história de uma garota dessa nacionalidade etc e tal.

Lembro-me que era uma boa canção, com toques prog mesclando-se ao pop. 

Mas chegou um dia que o Bola tomou a iniciativa, e disse que aquilo não estava dando certo, e que estávamos perdendo tempo. 

O Paulo Eugênio rapidamente aceitou, demonstrando que estava aliviado com a decisão, e que o negócio dele era mesmo o mundo dos covers. 

E o Aru ficou desapontado, mas não tinha como lutar contra e no fim, ele mesmo admitiu que não estava dando certo. 

Assim terminou o ano de 1981, com a frustradissima tentativa de tornar o TNA, uma banda autoral, e sem clima para tentar prosseguir como banda cover.

Contudo, ainda haveria um capítulo a ser escrito pelo TNA, no ano de 1982.


Continua...

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