segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Autobiografia na Música - Sidharta - Capítulo 1 - Por Luiz Domingues

 

Cansado de interagir no mundo underground (mesmo fazendo um som com elementos indies, e nem assim conseguir entrar enfim no mainstream), saturei-me, e dessa forma, eu pedi as contas do Pitbulls on Crack, após um último show em 1997. 

Nada contra os colegas, mas a aposta na contramão também não lograra êxito para mim e dessa forma, decidi radicalizar, saindo e partindo para um projeto onde decidira tocar o som que gostava, sem nenhuma preocupação com o mercado, a opinião dos críticos comprometidos com o niilismo de 1977, e sem preocupação financeira, visto que me virava dando aulas.

Meu plano era uma banda onde pudesse planejar cada pequenino detalhe e não errar, baseando-me na experiência dos erros cometidos em trabalhos anteriores.

                  Eu e Rodrigo Hid na minha sala de aulas, em 1996

E o primeiro quesito, seria a escolha dos membros. O primeiro que pensei, foi Rodrigo Hid, mas cabe uma explicação anterior.

Comecei a dar aulas em julho de 1987. 


No início, procuravam-me, garotos fãs de A Chave do Sol, minha banda na década de oitenta, e o espectro de 99 % deles, era o Heavy-Metal, e o Hard oitentista. 

Com o tempo, isso foi mudando e lá por 1992, começou a aparecer uma nova safra de garotos na minha sala de aulas, e para o meu espanto, muitos, influenciados por bandas dos anos 60 e 70. 

Então, entre 1992 e 1999, minha sala de aulas se tornou um núcleo, onde bandas se formaram, e ideias borbulhavam.

E não eram só esses alunos, mas vários agregados que se aproximavam com a mesma mentalidade, como por exemplo, companheiros de suas bandas de garagem; irmãos; amigos; primos; namoradas, etc. 

Já em 1994, estava formado um pequeno exército de "neo-hippies". Garotada extremamente jovem, e antenada nessas décadas.
 

Era engraçado ver o entra-e-sai da minha casa, de cabeludos usando batas coloridas e calças boca-de-sino anacrônicas. 

E nessa euforia retrô, percebi o talento de vários meninos, entre eles : Rodrigo Hid e Marcello Schevano.

Não pensei no Marcello num primeiro instante por ele ser muito novo, mas o Rodrigo, com 18 anos em 1997, parecia mais preparado.


Continua...

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