sábado, 28 de dezembro de 2013

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 4 - Por Luiz Domingues

Eu diria que logo no primeiro instante, tratávamos essa diversidade como o nosso maior trunfo. O fato de ser uma banda aberta a várias sonoridades, dava-nos muita esperança de alcançar o mainstream, pois nosso espectro artístico estava aberto à um público muito mais abrangente do que nossas bandas pregressas mais recentes (Patrulha do Espaço e Big Balls, só para citar duas), essas sim, fechadas num nicho restrito do Rock underground. No início, almejávamos agregar os fãs menos radicais de nossas bandas de Rock mais recentes, mas poder atingir também fãs do Jota Quest; Skank; Nando Reis, e parcelas de público jovem adulto, seguidores de MPB "moderna" (Lenine; Zeca Baleiro, Marisa Monte etc), até Black Music.

Com o passar do tempo, essa extrema abertura estrangulou-nos ironicamente num outro sentido, eu diria, não artístico, nem midiático, mas no setor empresarial, pois sem conseguir alavancar voos mais altos, os espaços no underground mostraram-se mínimos para a nossa sonoridade. Esse fator foi decisivo para sufocar a banda e matá-la por inanição num momento futuro, mas uma volta seguir-se-ia mais para a frente (muito longe para falar disso ainda...). Todavia, acredito que no decorrer da narrativa, isso ficará ainda mais claro. Nesses primeiros ensaios o clima era de muita camaradagem e descontração. Era um bálsamo estar num ambiente de trabalho leve.
Convencionou-se que os ensaios dessa nova banda seriam as segundas, porque três de seus cinco membros, atuavam em trabalhos musicais paralelos ou como side-man de artistas da MPB, caso do guitarrista Tadeu Dias, com Simoninha, ou bandas cover na noite, caso de Alex Soares e Marcelo "Mancha". Eu já era bem experiente na época, e sabia que isso era um problema e uma verdadeira bomba relógio ativada para explodir na frente, mas levantar essa questão ali seria causar um tumulto desnecessário, visto que todos os que tinham esses impedimentos sentir-se-iam incomodados, e negariam que essa vida dupla poderia refletir negativamente no destino da banda autoral que estávamos criando.
Além do mais, eu era o último a chegar e indo além, não tenho essa característica de fazer cobranças, quem conhece-me, sabe que sou flexível e paciente. As primeiras músicas que praticamente já estavam prontas, fecharam-se com a minha entrada, e a definição de linhas de baixo. Os arranjos foram definidos e logo a seguir, mostrei uma ideia de balada que eu tinha, e deveria ter sido aproveitada pela Patrulha, mas não aconteceu naquele trabalho. O Xando desenvolveu-a, criou letra e nasceu assim: "Amanhã de Sonho".
O baterista Alex Soares em foto de Grace Lagôa, no final de 2004

Puxa... era uma balada pop, com condições de tocar no rádio, ser trilha de novela, mas ao mesmo tempo de um nível acima de qualquer suspeita, provando a nós mesmos, que poderíamos trilhar um caminho interessante, almejando voos maiores sem ter que apelar. No entanto, o clima ameno dos primeiros ensaios ficou um pouco tenso quando o Xando ligou-me após um ensaio para expor uma situação que estava incomodando-o, em relação ao vocalista Marcelo "Mancha". Essa situação não era pessoal, tampouco técnica, mas de ordem artística, no tocante à identidade dele com o trabalho. Após expor os seus motivos, entendi e concordei com a argumentação.


Continua...

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