quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 27 - Por Luiz Domingues


O cenário era uma tela imensa que simulava mais amplificadores, dando a impressão da montanha ser ainda maior do que era na realidade. 

E na parte superior, uma tela com um leão dourado. Nos cantos, bandeiras vermelhas daquelas de sinalização náutica, pois reproduziam o visual da capa do mais recente disco, "Diver Down".

A bateria do Alex Van Halen era descomunal. Quatro bumbos com extensão, formando quatro bumbos duplos, um absurdo total.

Quando a banda entrou em cena, a iluminação e o som do P.A. ficaram deslumbrantes. A Patrulha tinha usado apenas 20 % da potência de som e luz, conforme a praxe das bandas de abertura.


A movimentação dos três músicos da frente era tão frenética, que chegava a embaralhar a vista. Os caras pulavam, faziam acrobacias e sem parar de tocar.

Achei o baixista Michael Anthony bastante limitado no instrumento, mas curti muito seus backing vocals afinados, e com potência vocal, sua movimentação esfuziante e sobretudo sua simpatia. 


O David Lee Roth era extremamente divertido. Ele parecia mais um entertainer à moda antiga, do que um vocalista de Rock. 

Suas poses acrobáticas e trejeitos eram engraçados, e acima de tudo, ficava a impressão de que ele se divertia em se assumir como um canastrão.

E o Eddie era sem dúvida a solidez musical da banda, pois sua guitarra virtuose era incontestável, além da simpatia, e movimentação de palco alucinante.

Quanto ao Alex, achei-o um baterista seguro, mas arroz com feijão para o meu gosto. Particularmente, acho o Júnior da Patrulha do Espaço, muito superior, tecnicamente.

No cômputo geral, esses dois shows marcaram muito para nós, pois nos dava esperanças de que nem tudo estava perdido no Rock. 


Haviam artistas ainda acreditando nos parâmetros setentistas.

Os dias que se seguiram ao show, foram de finalização das caixas do nosso mini P.A.
 

Me lembro de dias quentes de verão; muita Coca-Cola gelada; eu e Zé Luiz pintando as caixas de preto na nossa sala de ensaios; e uma vitrolinha Philips tocando os quatro lados do LP "Tales from Topographic Oceans" do Yes, à exaustão...
 

"Nous sommes du soleil...du soleil"...


Continua...

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