domingo, 8 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues

A despeito da característica do som, diametralmente oposta ao que eu gostava, o Pitbulls foi a aposta no som indie que tanto agrada a mídia mainstream. Após anos dando murro em ponta de faca, resolvi apostar na turma que segura a faca pelo cabo.

E o som tinha esse ranço punk, mas não era punk declarado. Era "indie", com um pé nessa modernidade, que de moderna não tem nada, pois não passa de uma eterna corrida de autorama em circuito oval...

E tinha o efeito grunge a ser considerado. 

Naquele início de década de noventa, essa era a onda a ser seguida, e de fato, haviam dúzias de bandas em São Paulo com a mesma característica: cantando em inglês; som calcado naquela onda de Seattle; todo mundo cabeludo novamente, e uma corrida às lojas atrás de instrumentos vintage, jogando no lixo aqueles instrumentinhos medíocres, e metidos a "futuristas" da década de oitenta.

Então, falando friamente, acho que o Pitbulls era uma amálgama desses elementos todos e não uma banda de Punk-Rock simplesmente, mesmo porque, comigo no baixo e o Deca como guitarrista fazendo solos à la Angus Young, nem que a proposta da banda fosse essa explicitamente, o resultado final soaria desse jeito.


E tem mais uma coisa: o Chris era obcecado pela modernidade e buscava as últimas tendências de Londres, não de Seattle, mas apesar disso, e de ter feito história numa banda famosa da cena punk'77 de lá (tocou no Cock Sparrer), era (é), aficcionado de som 60/70. 

Sua formação é inteiramente calcada nisso e o progressivo tem forte carga nisso. Ele ama Gentle Giant , por exemplo... 
Nesse primeiro momento da banda, essa carga indie estava mais pronunciada, mas aos poucos, os elementos setentistas começaram a aflorar, como falarei adiante.



Continua...

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