quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 53 - Por Luiz Domingues

Parece utópico hoje em dia, mas após estrearmos no TUCA, e dias depois fazermos uma mini temporada no MASP,  não passou nem poucos dias e estávamos em um outro teatro (Teatro da GV - Fundação Getúlio Vargas) , fazendo mais uma temporada ! 

E nesse curto ínterim, de apenas quatro dias, outras coisas aconteceram, mostrando que o Língua tinha uma agenda incrível naquela época. 

Por exemplo, fizemos o último show no MASP, dia 20 de novembro de 1983, um domingo, mas na terça subsequente, dia 22 de novembro de 1983, estávamos no palco do Teatro Sesc Pompeia para participarmos da gravação do programa "A Fábrica do Som". 

Eu já havia apresentado-me três vezes com a minha outra banda, A Chave do Sol, nesse programa e assim, foi inevitável que assim que chegasse ao palco, gritos da plateia chamando pela Chave do Sol ecoassem, e mais uma vez criasse um clima desagradável entre eu e os demais membros do Língua.Tocamos "Xingu Disco"; "Concheta" e "Je Suis Bresillien", esta última, nova do show recém estreado. Foi ao ar no dia 26 de novembro de 1983, mas não assistimos, simplesmente porque estávamos no palco da GV fazendo soundcheck para o show dessa noite. 
Nunca vi uma cópia dessa apresentação, infelizmente. Surgindo alguma novidade nesse sentido, prontamente acrescento ao material disponibilizado neste Blog.
Três dias depois, 23 de novembro de 1984, quarta-feira, estávamos à noite no Teatro do Centro Cultural São Paulo. 

O Língua de Trapo participou de uma homenagem ao compositor Adoniran Barbosa. Eram vários artistas presentes, e cada um interpretou uma canção do velho mestre. 

Num sorteio prévio, coube ao Língua interpretar a canção : "As Mariposa" (sic). 

O Laert propôs que fizéssemos uma apresentação singela, entrando no palco e cantando-a à capela. Dessa forma, como tínhamos mesmo pouco tempo para ensaiar, foi providencial esse arranjo apenas vocal.

Lembro-me de dividirmos o camarim com artistas como Tom Zé, Renato Teixeira, Celso Viáfora, Os Dêmonios da Garoa, Anna de Holanda (sim, a ex-ministra da cultura), Eduardo Gudim e outros. 

Ficou marcante para mim, a presença de Anna, pois ela teve uma crise nervosa antes de entrar em cena, onde cantaria acompanhada pelo violão de Eduardo Gudim, apenas. O fato, era que igual ao seu irmão famoso, Chico Buarque de Hollanda, Anna tinha "stage fright" (Síndrome de medo do palco). 

Isso é um distúrbio que muitos artistas tem, e é bastante desagradável. Ela sofreu bastante antes de ter a coragem de subir ao palco. Vimos o Eduardo Gudim e várias outras pessoas ajudando-a a superar a crise, e finalmente ela foi e embora um pouco trêmula, mas cantou bem e arrancou aplausos. 

O Língua entrou vindo cantando da coxia, sentamos em torno de uma mesa e batucando nela, fingimos estarmos num botequim cantando a música do Adoniran. Funcionou, pois o público curtiu essa simulação de malandragem boêmia. 

No dia seguinte, 24 de novembro, quinta-feira, estávamos em outra gravação para um programa de TV. Era um programa da TV Manchete, onde chegamos a tocar cinco ou seis músicas ao vivo. Era gravado no pátio da faculdade de música, Santa Marcelina. 

Lembro-me de nesta tarde de gravações, estar presente também o grupo Rumo, de Luiz Tatit e Ná Ozetti. 

Desconheço que isso tenha sido gravado por algum abnegado colecionador no videocassete. Se alguém gravou, certamente não disponibilizou no You Tube, pois nunca vi tal material postado.
Um raro recorte de jornal que possuo em meu portfólio, dessa segunda passagem minha pela banda. Neste caso, falando sobre o show novo, estreia no Tuca e continuação da turnê, pelo Masp. De novembro de 1983. Sou o sexto, da esquerda para a direita, entre o tecladista João Lucas, e o percussionista Fernando Marconi.

Continua...

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