quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O Mundo Precisa de Godard - Por Marcelino Rodriguez


A madrugada toda fica-me a mente cronicando idéias, 

enredos, frases, até pedaços de contos, tendo o Deus 

Anubis, aquele com cara de cachorro, como personagem. 



Fora Godard, com aqueles óculos escuros na entrevista do 

You tube. Não sabemos se ele está inibido, representando 

ou tirando onda com nossa cara, simplesmente. Deviam dar 

mais Godard para a massa ignara. O mundo nos ameaça 

com uma superpopulação de canalhas e patetas.
 


Estou lendo o inferno de Dan Braw, que embora não seja 

um autor muito profundo, diverte, distrai e massifica um 

pouco icones da cultura, como agora Dante Alighieri. 


Será que estou me sentindo inquieto por que os gênios 

estão em extinção? 


A moça nem anda piscando para mim como eu gostaria, 

estou quase me desiludindo. Narciso não perde tempo.


Isso mesmo Dan Braw, massifica o mito do Graal, Da Vinci, 

os símbolos, senão daqui a pouco um MC qualquer vai estar 

ganhando prêmio de literatura, ou mesmo da paz, quem 

sabe. Os tempos são doidos, irmão. Tu bem sabes.
 

Godard. Encanto radical.


Lembro o escandalo que foi "Je vous, Salue, Marie" nos 

anos oitenta, e a polêmica de sua exibição ou não.
 
Godard é isso, beleza e mistério, duas coisas que andam 

em falta.
 

O filme de Godard choca, mas fascina. O lado nu e humano 

de Maria. Como seria?
 

O espaço sagrado da arte, na transgressão também 

sagrada; digamos transgressão de bom gosto.


De sentido. Sentidos.
 

O belo sempre é plano de Deus.
 

Ainda se estuda estética nas escolas?
 

Para que ninguém pense que vive o intelectual apenas de 

papo cabeça, logo estarei de retiro para honrar os monges 

guerreiros do Kung Fu. Os protetores do Darma. Vou para o 

Zen, vou para o Tao.



Alguém lá em cima gosta de mim.
 

E vocês deveriam gostar mais, se fossem melhores.
 

O mundo precisa de Godard.






Marcelino Rodriguez é colunista fixo do

Blog Luiz Domingues 2. 


Escritor de vasta e consagrada obra, 

nos brinda aqui com uma crônica rica 

em metáforas valiosas. 

Vou além, são

agulhadas na alma dos acomodados de plantão. 

Godard neles !!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 55 - Por Luiz Domingues

Essa temporada na GV foi de duas semanas, mas nesse ínterim, tivemos um show avulso na terça-feira, dia 29 de novembro de 1983, numa faculdade em Guarulhos, município da Grande São Paulo.  

O Língua tinha como base o público universitário e sendo assim, eram muito comuns os shows realizados nesse circuito, geralmente contratados por diretórios acadêmicos. 

Nesse dia, tocamos para um público eufórico, de cerca de 900 alunos que se aglomeraram no auditório, e foi um ótimo show, a não ser por um fato inusitado ocorrido no meio do espetáculo e que acarretaria um desdobramento dramático no camarim, e posteriormente no ônibus que nos levou dali.
Eu estava recém voltando para a banda e não havia percebido nada entre o Laert e o percussionista Fernando Marconi. O clima parecia bom nos ensaios e nos shows, todos que havíamos cumprido até então. 

Mas nesse show, quando estávamos executando o "Samba-enredo da XXX", vi que o Laert se aproximou dele, que estava tocando "surdão", e falou-lhe alguma coisa no ouvido, fora do microfone. 

Numa fração de segundos, o Fernando mudou o seu semblante de uma forma violenta e num ato de loucura, atirou sua baqueta na plateia, saindo furioso do palco. Não sei, nem nunca soube o que aconteceu, pois as informações eram desencontradas de ambos.

O show prosseguiu, e eu tenho certeza de que o público não percebeu nada, pois se alguém olhou esse detalhe, naturalmente imaginou ser uma encenação a mais entre tantas que aquela música proporcionava à todos os membros da banda, incluso o ator Paulo Elias.

No camarim, contudo, o pau comeu e a "turma do deixa disso" tratou de acalmar os ânimos. No ônibus, uma nova discussão aconteceu e o Fernando, furioso e aos berros comunicou que estava saindo da banda. Só sei que dali em diante seguimos como um septeto, pois nenhum percussionista novo foi colocado em seu lugar e assim, tivemos que readaptar alguns arranjos, pois o Fernando contribuía bastante com a banda, sendo um excelente músico. 

A seguir, voltamos para completar a temporada na GV. 


Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 54 - Por Luiz Domingues



Da estreia no TUCA em diante, minha vida entrou num ritmo frenético. 

Claro que eu adorava isso !!

Não ter nem um dia de folga, era tudo o que eu queria na vida. E nos mínimos espaços que dispunha, eu dava um jeito de ensaiar com  A Chave do Sol, pois nessa altura, estávamos praticamente acertados com o selo Baratos Afins, e dessa forma, agendamos a gravação do primeiro disco para janeiro. 

E vou te contar : Mesmo não sendo uma banda de Rock, Pop ou coisa do gênero, o Língua de Trapo tinha um assédio de fãs, também. Claro que isso mexia um pouco com a cabeça, inevitavelmente, e lógico, eu tinha 23 anos de idade nessa época.

O próximo passo foi uma nova mini temporada em teatro, mais uma ocorrida na mesma cidade , num espaço ínfimo entre uma e outra, e em três teatros de renome.

Inacreditável pensar numa coisa dessas hoje em dia (e sei que já expressei esse sentimento anteriormente na narrativa), mas fico mesmo estupefato como essa realidade mudou para pior nos dias atuais.
Nota na Revista Veja sobre a temporada Tuca/Masp/GV' 83.Infelizmente, não tenho a parte do serviço escrito. Acervo de Julio Revoredo

E assim, lá fomos nós para o teatro da fundação Getúlio Vargas, o popular Teatro da GV.

Era localizado na Av 9 de julho, próximo à saída do famoso túnel de mesmo nome, no sentido bairro/centro. 

O teatro da GV era um espaço tradicionalíssimo na cidade, com um histórico de shows memoráveis da MPB e do Rock.
Confesso que fiquei um pouco emocionado por pisar naquele palco, onde assisti diversos shows nos anos setenta. Então, a temporada do Língua ocorreu entre os dias 24 e 27 de novembro de 1983.

Fotos promocionais publicadas na Folha de São Paulo, promovendo a turnê "Sem Indiretas" pelo Tuca/Masp/GV 1983, onde usamos figurinos de diversas partes do show. Eu e o baterista Nahame Casseb, usamos os chapéus de "cowboy"...acervo de Julio Revoredo

No dia 24, uma quinta-feira, levamos um público pequeno para os padrões do Língua : apenas 40 pessoas. Na sexta, 25, mais que dobrou, com 90.

Dia 26, sábado, 430 pessoas passaram pela catraca, e no domingo, dia 27, levamos 250 pessoas.
Rara foto do Língua de Trapo no teatro da GV, em 1983. Com Pituco em destaque na performance, estou na linha de trás com Naminha à bateria e Serginho Gama ao seu lado. Acervo de Pituco Freitas

Lembro-me que nessa mini temporada, equipes de reportagem de TV apareceram para cobrir com entrevistas prévias e exibirem matérias nos telejornais. Aliás, isso era uma constante com o Língua, que tinha uma visibilidade muito boa na mídia.

Foram bons shows, embora o teatro estivesse num clima meio decadente. De fato, não passou muito tempo, e a fundação Getúlio Vargas parou de usá-lo como espaço cultural público, e ele virou apenas um auditório para as atividades acadêmicas da faculdade.

Não havia nem um camarim estruturado mais. Improvisavam uma sala de aulas, muito ampla, é verdade, mas sem a estrutura de um camarim profissional.

Uma história engraçada dessa temporada, foi protagonizada por dois membros da banda cujos nomes não citarei, evitando constrangimentos.

Foi assim : da janela desse camarim improvisado, víamos o movimento na Av. 9 de julho. Num momento de espera entre o soundcheck, e o início do show (não me lembro exatamente qual foi o dia, mas desconfio ter sido na sexta), os caras espantaram o tédio de uma forma inusitada.
Se aproveitando do fato da janela ser enorme, chamavam a atenção de transeuntes na calçada, para em seguida abaixarem as calças e mostrarem suas nádegas despidas.

As reações eram as mais diversas, e isso provocava um ataque histérico de risos neles, e nos demais no camarim. Só resolveram parar quando um funcionário da GV apareceu, dizendo que um senhor idoso estava reclamando na portaria, que fora ultrajado etc e tal.

Claro que negaram a autoria disso, e não aconteceu nada, mas foi o sinal para pararem com a palhaçada...

Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 53 - Por Luiz Domingues

Parece utópico hoje em dia, mas após estrearmos no TUCA, e dias depois fazermos uma mini temporada no MASP,  não passou nem poucos dias e estávamos em um outro teatro (Teatro da GV - Fundação Getúlio Vargas) , fazendo mais uma temporada ! 

E nesse curto ínterim, de apenas quatro dias, outras coisas aconteceram, mostrando que o Língua tinha uma agenda incrível naquela época. 

Por exemplo, fizemos o último show no MASP, dia 20 de novembro de 1983, um domingo, mas na terça subsequente, dia 22 de novembro de 1983, estávamos no palco do Teatro Sesc Pompeia para participarmos da gravação do programa "A Fábrica do Som". 

Eu já havia apresentado-me três vezes com a minha outra banda, A Chave do Sol, nesse programa e assim, foi inevitável que assim que chegasse ao palco, gritos da plateia chamando pela Chave do Sol ecoassem, e mais uma vez criasse um clima desagradável entre eu e os demais membros do Língua.Tocamos "Xingu Disco"; "Concheta" e "Je Suis Bresillien", esta última, nova do show recém estreado. Foi ao ar no dia 26 de novembro de 1983, mas não assistimos, simplesmente porque estávamos no palco da GV fazendo soundcheck para o show dessa noite. 
Nunca vi uma cópia dessa apresentação, infelizmente. Surgindo alguma novidade nesse sentido, prontamente acrescento ao material disponibilizado neste Blog.
Três dias depois, 23 de novembro de 1984, quarta-feira, estávamos à noite no Teatro do Centro Cultural São Paulo. 

O Língua de Trapo participou de uma homenagem ao compositor Adoniran Barbosa. Eram vários artistas presentes, e cada um interpretou uma canção do velho mestre. 

Num sorteio prévio, coube ao Língua interpretar a canção : "As Mariposa" (sic). 

O Laert propôs que fizéssemos uma apresentação singela, entrando no palco e cantando-a à capela. Dessa forma, como tínhamos mesmo pouco tempo para ensaiar, foi providencial esse arranjo apenas vocal.

Lembro-me de dividirmos o camarim com artistas como Tom Zé, Renato Teixeira, Celso Viáfora, Os Dêmonios da Garoa, Anna de Holanda (sim, a ex-ministra da cultura), Eduardo Gudim e outros. 

Ficou marcante para mim, a presença de Anna, pois ela teve uma crise nervosa antes de entrar em cena, onde cantaria acompanhada pelo violão de Eduardo Gudim, apenas. O fato, era que igual ao seu irmão famoso, Chico Buarque de Hollanda, Anna tinha "stage fright" (Síndrome de medo do palco). 

Isso é um distúrbio que muitos artistas tem, e é bastante desagradável. Ela sofreu bastante antes de ter a coragem de subir ao palco. Vimos o Eduardo Gudim e várias outras pessoas ajudando-a a superar a crise, e finalmente ela foi e embora um pouco trêmula, mas cantou bem e arrancou aplausos. 

O Língua entrou vindo cantando da coxia, sentamos em torno de uma mesa e batucando nela, fingimos estarmos num botequim cantando a música do Adoniran. Funcionou, pois o público curtiu essa simulação de malandragem boêmia. 

No dia seguinte, 24 de novembro, quinta-feira, estávamos em outra gravação para um programa de TV. Era um programa da TV Manchete, onde chegamos a tocar cinco ou seis músicas ao vivo. Era gravado no pátio da faculdade de música, Santa Marcelina. 

Lembro-me de nesta tarde de gravações, estar presente também o grupo Rumo, de Luiz Tatit e Ná Ozetti. 

Desconheço que isso tenha sido gravado por algum abnegado colecionador no videocassete. Se alguém gravou, certamente não disponibilizou no You Tube, pois nunca vi tal material postado.
Um raro recorte de jornal que possuo em meu portfólio, dessa segunda passagem minha pela banda. Neste caso, falando sobre o show novo, estreia no Tuca e continuação da turnê, pelo Masp. De novembro de 1983. Sou o sexto, da esquerda para a direita, entre o tecladista João Lucas, e o percussionista Fernando Marconi.

Continua...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 52 - Por Luiz Domingues

Terminado o show de estreia no Tuca, recebemos amigos, e muitos fãs no camarim, e apesar de sabermos que o show tinha tido diversas falhas, principalmente no seu timing de teatro, no cômputo geral, foi uma boa estreia, e o público curtiu, apesar da enorme quantidade de músicas novas. 

Acrescento ainda que tocamos duas músicas como bis, "Concheta" e "Xingu Disco", que realmente levantou o público, por serem conhecidas do LP de 1982, e exaustivamente tocadas nos shows da turnê anterior, "Obscenas Brasileiras". 

Cumprida essa estreia, o próximo passo do Língua de Trapo seria uma micro temporada no teatro do MASP (Museu de Arte de São Paulo).
Endereço chic e geralmente destinado à música erudita ou jazz instrumental, estava nos abrigando, e eu fico admirado como os tempos mudaram para pior nesse aspecto, pois hoje em dia é impensável uma banda fazer um show num bom teatro numa terça-feira, e na sexta subsequente iniciar micro temporada em outro, igualmente renomado, com lotação esgotada !! 

Realmente, isso foi se perdendo e a "geração balada" tomou conta, onde os shows são mero item da noitada. 

Mas voltando ao assunto, os shows foram realizados nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 1983, com uma desenvoltura muito maior. 

Acredito que já no segundo show no Teatro do MASP, estávamos bem mais seguros, e o público curtiu do primeiro ao último minuto. 

O público pagante foi excelente, 450, 550 e 600 pessoas respectivamente, para os três shows.


Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 51 - Por Luiz Domingues

Encerrando o show, tocávamos uma composição do Laert, chamada "Jogo Sujo". 

Tinha una estrutura rítmica e harmônica bem quebrada, na onda do trabalho do Arrigo Barnabé, e uma letra cheia de jogo de palavras, evocando imagens aparentemente díspares. 

Mas na verdade, tinha seu teor político, como quase todo o trabalho da banda. Há de se ressaltar também, que o Laert, e o ator Paulo Elias, faziam uma performance corporal  para realçar a estranheza da música. 

Com roupas de "colant" ao estilo Polichinelo, faziam uma estranhíssima coreografia que arrancava risadas frenéticas da plateia.

E deixo claro que todas as músicas que comentei e postei as suas respectivas letras, foram tocadas no set list do primeiro show dessa nova turnê, mas essa ordem, logo sofreu mudanças. 

Algumas músicas antigas do primeiro LP da banda, foram realojadas no set list, pois como já comentei, causa um desconforto tocar só músicas novas, e isso vale até para artistas mega conhecidos. 

Se os Stones tocam uma música do último CD, o público fica meio paradão, mesmo que ela seja excelente. 

Contudo, se tocar "Satisfaction", no primeiro compasso, o estádio desaba. É uma reação normal do ser humano, estranhar ter contato com algo novo. Depois da letra de "Jogo Sujo", sigo em frente, falando do segundo show  da turnê, em diante !  



"Jogo Sujo" (Laert Sarrumor) 

Fi-lo assim porque  
Vilipendiou-me a sua impáfia 
Quis outrossim ater 
O meu argumento a uma falácia 
Vociferante criatura 
Enredaste-me na peripécia 
E em tamanha desventura 
Joguei o teu jogo por inércia, inércia, inércia...
Fi-lo assim porque 
Vilipendiou-me a sua empáfia 
Quis outrossim ater 
O meu argumento a uma falácia 
Usaste de muita malícia 
Usaste de muita lascívia 
Foste um caso de polícia 
Deste um golpe na Bolívia / Bolívia, Bolívia...
Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 50 - Por Luiz Domingues

E era a chegada a hora de satirizar o universo das Escolas de Samba, seus Sambas-enredo com temas históricos, e outros maneirismos típicos desse mundo. 

E o Laert e o o Carlos Melo não economizaram nessa sátira, indo mexer num vespeiro muito perigoso, pois o personagem a ser homenageado nesse "samba-enredo" era um ícone da direita brasileira, fundador de uma organização ultra católica, e ligada à direita radical

Em tempos ainda de ditadura, embora abrandada, e caminhando para o final, não era de bom tom fazer uma gozação assim, mexendo com uma organização muito ativa naquela ocasião, e famosa pela sua militância forte nas ruas. 

Mas a letra passou na censura (inacreditável que tenha passado !!), e nós passamos a executá-la nos shows. 

Mais para a frente, relatarei os problemas que tivemos por conta disso. 

E a música era hilária... 

Laert fazia o "puxador do samba", cantando-a com todos os clichês típicos dos desfiles do carnaval, arrancando gargalhadas histéricas da plateia. 

O Pituco atacava de "cabrocha", dançando, ou melhor, sambando, com aqueles trejeitos todos, e reforçava o vocal no refrão. 

O Lizoel fazia o cavaquinho, e a ideia inicial era que todos os demais tocassem instrumentos de percussão para reforçar a batucada, dispensando o uso de baixo, guitarras e teclados. 

E o João Lucas atacava de porta-bandeira, com o ator Paulo Elias fazendo o mestre-de-cerimônias. 

Mas aí entrava o detalhe picante, pois a bandeira da escola era um estandarte da tal organização, igual ao que seus membros usavam nas manifestações de rua que promoviam desde os anos 1960, muito comum pelo menos aqui em São Paulo. 

O João entrava de terno e gravata, o que aumentava a ironia e o Paulo Elias usava uma roupa de carnaval mesmo, para dar o contraste. 

Ao longo dos shows, eu tive uma ideia cênica, que apresentei ao grupo e foi aceita. Inclusive essa performance que fazia se tornou tão engraçada que realmente acrescentou muito ao número, e uma vez num show no Rio de Janeiro, recebi elogios de um diretor de teatro, que pensou que eu fosse ator. 

Não sou, claro, mas nessa performance eu acho que convenci. 

Era o seguinte : como nos primeiros shows eu tocava burocraticamente um agogô, que pouco acrescentava à batucada, tive a ideia de evoluir pelo palco, tocando uma ridícula caixa de fósforos, o que era uma imensa ironia numa bateria ensurdecedora de escola de samba. 

Eu circulava como se estivesse evoluindo na avenida, fazia performance de mise-en-scené com a "cabrocha" Pituco, e às vezes imitava aqueles organizadores de desfile, que ficam gritando como se fossem treinadores de futebol, para que os integrantes não dispersem. 

Eu fazia essa palhaçada toda e via as pessoas se cutucando para mostrar a minha evolução com uma ridícula caixa de fósforos, e se matando de rir.

Era um grande momento do show e claro, a cutucada na direita radical era apreciada demais pelo público predominantemente universitário e simpatizante da esquerda. 

O Língua teve tantos problemas por mexer com isso tudo, que após a minha saída definitiva da banda, só foi gravá-la em 1985, com mudanças radicais na letra, sob ameaça de processos pesados.

Para não ofender ninguém, e não é a minha intenção, mas apenas relatar essa parte da minha carreira com o Língua de Trapo, vou reproduzir a letra suprimindo as partes que possam ser interpretadas como ofensivas àquela organização. 

"Samba-Enredo da... "xxx" (Carlos Melo / Laert Sarrumor) 

"XXX" pede passagem, pra mostrar sua bateria 

E seu passado de coragem, defendendo a Monarquia 

Salve "YYY", precursor da linha-dura 

Grande baluarte da ditadura 

Legislador da Inquisição, implacável justiceiro 

Homem de grande erudição, lia Mein Kampf no banheiro 

No tribunal de Nuremberg, defendeu o Mussolini 

Sob os auspícios do Lindenberg 

E hoje ele se preocupa com a infiltração comunista 

No Clero progressista  (e o Lefebvre) 

Levebvre, fiel companheiro, incomparável amigo, irrepreensível mentor  

Exerce completo fascínio e vai incluindo no "XXX", o genio conservador 

Digno de um poema de Ezra Pound, quer que o Brasil se transforme 

Num imenso playground 

No carnaval, a escola comemora o nascimento de "YYY" 

E a defesa da tradição, cantando esse refrão : 

Anauê, anauê, Anauê, "XXX" acabou de chegar (repete) 

E hoje sou fascista na avenida, minha escola é a mais querida 

Dos "reaça" nacional (repete) 

Plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim 

Era assim que a vovó o seu "YYY" chamava...  

Bem, o "Anauê", era a saudação ritualística do partido integralista, nos anos 1930, semelhante à saudação nazista. Para os mais antenados em história, a piada era irresistível, ainda mais realçada pelos trejeitos do Laert fazendo a saudação integralista com o braço. E aqui no relato, omiti as partes possivelmente ofensivas à pessoas e organizações, colocando as onomatopeias "XXX" e "YYY", no lugar.


Continua...      

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 49 - Por Luiz Domingues


A seguir, tocávamos um frevo, chamado "Conspurcália", de autoria do Laert Sarrumor. 

Nessa animada canção com ares carnavalescos, o Laert escreveu uma letra satirizando a indústria alimentícia, e a quantidade absurda de porcarias que nos fazem comer, colocando elementos químicos abomináveis na comida industrializada, sem o menor pudor. 

Hoje em dia é tema na moda, com a onda ecológica que vivemos, mas em 1983, soava como algo exótico ou mesmo coisa de hippies desfasados. 

Claro, em se tratando de Língua de Trapo, o tratamento sarcástico estava garantido. 

Lembro-me do guitarrista Serginho Gama fazendo um pequeno ritual para provocar o público. Isso foi fruto da improvisação dele, e não aconteceu no show de estreia. 

Foi sendo desenvolvida ao longo das apresentações, e só se consolidou durante a temporada no Teatro Lira Paulistana, meses depois. 

Após uma vinheta rápida, ele costumava voltar ao palco,  vestindo uma camiseta do Botafogo (seu time, pois é carioca). 

Ele entrava com um jeito bem de malandro carioca, tomando um refrigerante, geralmente Fanta Laranja em lata. 

Muitas vezes, ele oferecia às pessoas da plateia. Só por entrar com a  camiseta do Botafogo, já causava reações. Geralmente vaias e pequenas provocações, principalmente aqui em São Paulo, onde os times do Rio, são rivais históricos dos nossos. 

Mas mesmo com esse clima não tendo grande relação com a música, apesar da latinha de refrigerante, aliás, uma sutileza que só percebiam ao final da música, o fato é que dava um efeito legal. 

A música empolgava também. 

Lembro-me do Naminha, puxando-a na caixa e bumbo da bateria, e imediatamente contagiar o teatro. E aí, entrávamos com o instrumental todo, e o Laert a cantava em duo com o Pituco. 

Gostava de tocá-la, pois lembrava-me os frevos do Moraes Moreira. 

Uma canção bem composta, arranjada, empolgante, e claro, com letra corrosivamente satírica, no clima do trabalho todo. 

"Conspurcália"  (Laert Sarrumor) 
Há dias em que eu chego em casa
Preparo algo para comer, um lagarto me sorri, sarcástico e ferino
Um ácido corrói parte do intestino
Congelada, a carne me convida
E a salada é só inseticida
Esta comida, menina, tem anilina

Engorda o porco e faz morrer
Corantes, acidulantes
Gases, aromatizantes
Mamãe prepara a merenda com muito carinho
E assim ela encomenda a gastrite do filhinho
ue beleza, a cirrose está posta
E a sobremesa, lá-lálá-lá-lá
Esta comida, menina, tem toxina
Engorda o porco e faz morrer
É esse maldito regime, é esse maldito regime macrobiótico
É esse maldito regime, é esse maldito regime macrobiótico   

Nem preciso dizer que os versos finais tinham dupla conotação. 
"Maldito Regime", tinha esse poder de duplo sentido, cutucando a ditadura. 

Não era uma novidade, pois me lembro do humorista Jô Soares, nos anos setenta, com um espetáculo denominado "Viva o Gordo, Abaixo o regime", com essa clara intenção da dubiedade. Mas, mesmo sem ser original, a ideia na música era muito boa, e rendia muitas risadas.
Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 48 - Por Luiz Domingues


Então tocávamos um Rock. 

A ideia era fazer um Rock simples, estilo Rolling Stones, sem firulas e de certa forma atemporal, sem querer firmar a piada em cima da caricatura musical em si.

Se chamava "Crocodilo" e era uma composição do Laert Sarrumor. 


O objetivo era satirizar os exploradores da fauna e da flora, portanto tinha um certo caráter ecológico, mas a real intenção subliminar, era alfinetar políticos de direita, invariavelmente contrários à reforma agrária e geralmente envolvidos com uma série de crimes ambientais.

Independente do tema e da piada, eu curtia muito tocar essa canção, pois era um momento em que mais me aproximava do Rock, embora esse não fosse o objetivo do trabalho do Língua de Trapo. 


O Laert a cantava e fazia uma performance a la Mick Jagger e o público curtia e entrava no embalo.

Se por um lado era um momento de interação musical, por outro, essa pequena euforia, tirava o foco da letra, e o seu objetivo que era fazer rir, porém refletindo sobre o tema.

Conforme comentarei mais para a frente, essa música foi ao ar no programa "A Fábrica do Som" em 1984, e se trata de um dos poucos vídeos que existem no You Tube, com a minha presença na banda.

"Crocodilo"(Laert Sarrumor)

Sou do Centro-oeste, tenho muito estilo
Carango importado, bolsa crocodilo
Sou o novo rico de Goiás
Já garanti meu dia de amanhã
Comprei fazenda em Ponta Porã
Eu tiro o couro, arranco a pele, extermino, assino e dou fé

Todo mundo sabe, já deu no jornal
No Globo Repórter deu especial "Matança no Pantanal"
Mas todos tem é que cruzar os braços
Pois para o dólar, não há embaraços
Eu tiro o couro, arranco a pele, extermino e dou fé
Eu mato jacaré, eu mato jacaré...

Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 47 - Por Luiz Domingues


Então, chegava o momento de executar "Na Minha Boca". 

Era um samba tenso, com um andamento lento e que acompanhava a agonia do cantor em transmitir a mensagem, numa interpretação brilhante do Laert, que simulava um preso político tentando se expressar após uma sessão de tortura.

Ele entrava com uma camisa-de-força, maquiado como se tivesse acabado de sair do eletrochoque e ia cantando e se livrando da camisa. E a entrada era também chocante com ele sendo levado ao palco pelo ator Paulo Elias e pelo Pituco Freitas, vestidos como policiais supostamente à paisana, ou seja, aquele "disfarce" que mais parece uniforme de tão "bandeiroso" que é.

E essa música era do repertório do antigo "Boca do Céu", o que nos enchia de orgulho, pois era um autêntico tesouro de nossos primórdios na música.

"Na Minha Boca" (Laert Sarrumor)

Eu tenho tanta coisa pra dizer
Mas as palavras não brotam na minha boca
Eu acho que tô com medo de falar
Falar é muito difícil, que coisa louca

Eu tenho tanto medo pra falar
Mas as palavras não dizem que coisa louca
Eu acho que eu tô com muita coisa pra brotar
Brotar é muito difícil, na minha boca

Fulano falou e não se deu bem
Sicrano calou e tudo bem
Na sala, todo mundo mudo
Com medo da bala que vem à baila
E ninguém fala...

Nos primeiros versos, ele gaguejava, e ia se soltando da camisa. 

Com semblante de louco, acentuado pela maquiagem. Na metade para o final, cantava desenvolto, e a banda o acompanhava gradualmente. 

Em princípio, tocando com o ritmo fragmentado para acentuar a questão da tortura e entrando no swing normal na parte final.

Mas a verdade é : Acredito que mesmo com uma mensagem praticamente explícita, não era todo mundo que percebia o seu teor e achava ser só uma música que falasse sobre manicômios, talvez uma crítica ao sistema de saúde. 

Eram poucos que se ligavam que era a história de um torturado político da ditadura, tentando denunciar tal abuso.

Essa era pelo teor, uma das prediletas de todos os Línguas, mas não arrancava risadas, destoando um pouco da praxe do show.



Continua...

domingo, 22 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 46 - Por Luiz Domingues

"Toada da Sub-Cultura" (Lizoel Costa / Carlos Melo)

Nós já pensemo em assartá um banco
Pra levantar dinheiro pra comprar um carro
Nós já cansemo de andar a tranco e barranco
De andar a pé e ficar amassando barro

Nóis quer trocar nossas charrete ultrapassada
Mas nem que seje pra berganhar por um barco
Porque as muié só qué andar motorizada
Na base do automovi movido a arco

Juro por Deus, se nóis ganha na loteria
No mesmo dia nóis torra 100%
Comprando uma romisetinha bem robusta
Pra ir pra Augusta arrumar um casamento

Por Deus do céu, acho que nóis daria um braço
Pra ter uma caranga envenenada
Com tala larga e os párachoque de aço
Pra todos sábados arrumar namorada

Farol de milha e os escapamento aberto
Um toca-fitas americano bem possante
Tocando sempre aquelas musca do Roberto
De preferência "Lady Laura"e "Amada Amante"

Eu sei que iam chamar nóis de preibóizinho
De burguesinho e até de matusquela
Porque o cotovelo do invejoso dói
Ao ver preibói, ao ver um astro de novela 


Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 45 - Por Luiz Domingues

A seguir, todos saiam do palco, e só ficavam o Lizoel Costa e o João Lucas. 

Ambos estavam acostumados a satirizar duplas sertanejas, não esses bregalhões da Era pós-governo Collor, mas as duplas de raiz, tipo Tonico & Tinoco, e similares.

Então, eles contavam algumas piadas carregando no sotaque, e com o Lizoel ao violão, e o João Lucas no acordeom, tocavam a música "Toada da Subcultura".

O grande impacto, era que toda aquela estética caipira era usada para falar de política engajada, e se tornava hilário abordar o tema sob essa estética prosaica. 
Um truque usado toda noite e que funcionava muito bem, era protagonizado pelo ator Paulo Elias. Ele saía do camarim pelo jeito que fosse possível em cada local, para não ser visto pela plateia, e usando roupas comuns, se infiltrava na plateia, como se fosse um espectador que chegara atrasado.

No meio de uma piada contada pelos "caipiras" Lizoel e João, o Paulinho dava um berro : "Essa piada é velha !!"

Imediatamente o João Lucas retrucava ao microfone : "A sua mãe também é velha, mas não é todo mundo que conhece !!". 

O teatro vinha abaixo, numa reação esperada por todos nós, e isso era a deixa para a música começar. 

Quanto ao Paulinho, ele nem esperava pela resposta do João Lucas, pois sua função no sketch estava cumprida. Dessa forma, voltava imediatamente ao camarim, onde se preparava para novos números. 

O número dos dois era muito bom, e arrancava muitas risadas do público. E também era estratégico para dar um respiro para o restante da banda.

A música era de autoria do Carlos Melo e do Lizoel Costa. Essa era uma das raras antigas que foram executadas no show de estreia, realizado no TUCA, em 15 de novembro de 1983.



Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 44 - Por Luiz Domingues

A seguir, saíamos do palco sob a deixa de mais uma vinheta, e enquanto o público continuava desopilando o fígado, tirávamos aquele paletó cor de abóbora medonho, e voltávamos ao palco usando chapéus de cowboy americano. 

Era um chapéu vermelho, bem espalhafatoso e claro, já arrancava risadas mesmo antes de começarmos a próxima música.

Tratava-se de "Country os Brancos", um "country" satirizando o preconceito contra os índios e claro, ao final com uma cutucada na Funai, que também não sei como a censura da ditadura deixou passar.

A música era de autoria do Carlos Melo e do Lizoel Costa. O Laert a cantava junto com o Pituco, e ambos entravam com revólveres de brinquedo e coldre.

"Country os Brancos" (Carlos Melo e Lizoel Costa)

Meu sonho era ir para o Velho Oeste
Dar uns tiros de pistola e de canhão
Fazer tudo que John Wayne fazia
Co'as filha dos cacique valentão

Meu sonho era ser um texano
Dos bem bacano, o xerife mais temido
Daquele que chega em casa e beija o cavalo
E na mulher, finca um tapão no pé do ouvido

Me lembro dos meus tempo de pixote
Nóis ia no cinema de domingo
Pra ver aqueles filme engajado
Dólar furado, Bat-Masterson e Ringo

O Rin-Tin-Tin era um big dum artista
Era racista, só mordia as indiarada
Porque nos filme Bang-Bang que se preza
Pele vermelha sempre vira carne assada

Tirei passaporte pro Arizona
Meu sonho era inda ser cowboy
Quando cheguei nos Estados Unidos
Fui recebido com as honras de um herói
Xerife me deu um revólver de prata

E disse :"Mata quantos índios o senhor quiser"
Porque aqui o cabra que matar mais indio
Tem por troféu a mais formosa das muié

Fui dando tiro a torto e direito
Matei uns déis indígena medonho
Casei com um muierão de sete parmo
Depois mais carmo vi que tudo era um sonho

Eu nunca fui cowboy no Arizona
Tô no Amazonas tem uns quatro mês ou mais
Num devo nada pros cowboy que tem no Texas
Pois ando armado a serviço da Funai

Os erros gramaticais nesse country são todos propositais, ao estilo Adoniran Barbosa...
Continua...

sábado, 21 de setembro de 2013

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 6 - Por Luiz Domingues

Outra motivação que criei logo no começo das aulas em 1987, nessa fase na casa do Beto Cruz, foi a de trocar vários posters de bandas de Heavy-Metal e Hard-Rock oitentistas, com eles, por LP's de artistas sessenta-setentistas, que eu curtia.
Era uma boa troca, pois eram muitos posters, e em sua maioria de bandas oitentistas que eu não curtia. E a minha primeira safra de alunos, pelo contrário, gostava dessa onda de Heavy-Metal e Hard-Rock oitentistas.

Nessa primeira fase, lembro-me mais detalhadamente de um aluno que apareceu mais ou menos em agosto de 1987, chamado Roberto Garcia Morrone, pois se tornou amigo, e posteriormente acompanhou toda a trajetória do Sidharta e da Patrulha do Espaço, até a fase do lançamento do CD Chronophagia, em 2000. 
Lembro-me também de Marcelinho "Carioca" Dias (nada a ver com o jogador). Ele tinha esse apelido por ter nascido em Volta Redonda. Mas nem o apelido tem fundamento, pois se é do interior do estado do Rio, deveria ser Marcelinho "Fluminense"...

Gente boníssima e muito esforçado, pois morava em São Bernardo do Campo, região do ABC, e para chegar ao Jardim Bonfiglioli, tomava três ônibus. Na verdade, seis, com a volta.

Ele tinha uma banda, que posteriormente chegou a abrir um show da Chave em 1989, e mudando de nome para "Aura", gravou uma fita demo em 1990, comigo na produção (passagem já devidamente escrita no capítulo "Trabalhos Avulsos", quando falei do "Aura".  
Lembro-me de uma vez em 1988, quando no meio da aula surgiu um papo sobre um documentário de um famoso médium espírita, e meio afeminado, e com isso despertando as mais variadas piadas. 

Enfim, a aula teve de acabar tamanha algazarra que isso acarretou. Foi uma sessão de gargalhadas contagiantes e intermináveis, ao ponto do Beto descer para saber o que estava acontecendo, e pedir silêncio, pois estávamos atrapalhando a sua aula de guitarra.

Outro aluno que me lembro foi o César Cardoso. Sobrinho do cantor Wanderley Cardoso. Outro cara muito gente boa e que foi se embrenhando no mundo da TV. Já em 1990, estava como estagiário na MTV. 

Depois acompanhou Serginho Groisman no Programa Livre do SBT, e já faz anos, está na Globo, trabalhando na produção de programas importantes como o Fantástico, por exemplo.

Continua...